Coleção pessoal de Raimundo1973
Sabe, amor,
eu já tentei todos os caminhos de fuga.
Já tracei rotas em mapas inexistentes,
mudei os passos, apaguei vestígios e tentei convencer meus pés a caminharem para bem longe de tudo o que me lembra nós dois. Mas o que eu não sabia — ou o que eu tentava ignorar — é que o mapa da minha fuga sempre acaba me trazendo de volta para o mesmo ponto.
Por mais que eu busque fugir de você, percebo que essa distância é um equívoco. Eu corro, mas não saio do lugar, porque você não está apenas em um endereço, em um café ou em um encontro marcado. Você se tornou parte do meu silêncio, da forma como eu vejo o mundo e de como eu me sinto quando ninguém está olhando.
É por isso que, mesmo no auge da minha ausência, você está sempre perto. Não é uma presença física que se possa tocar, mas é uma presença que se sente na alma. Fugir de você seria como tentar fugir da minha própria sombra ou do ritmo do meu coração.
No fim, descobri que não importa o quão longe eu vá: eu levo você comigo. E, de alguma forma, estar perto de mim se tornou, inevitavelmente, estar perto de você também.
Aquele que insiste em viver o presente com os olhos presos ao passado, apontando erros e culpando o outro, não compreendeu ainda o verdadeiro sentido do amor.
Amar não é vigiar cicatrizes antigas, nem usar lembranças como armas. Amar é libertar, é escolher caminhar leve, sem correntes de ressentimento.
Quem transforma o passado em prisão, perde a capacidade moral de construir um futuro de paz.
E quem culpa o outro por tudo, revela apenas a própria incapacidade de assumir responsabilidades e de se abrir para a felicidade.
O amor verdadeiro não nasce da cobrança, mas da aceitação.
Não floresce na crítica, mas na compreensão.
Não se sustenta na culpa, mas na liberdade.
Amar é coragem.
E só quem tem coragem de soltar o peso do passado pode ser feliz no presente.
Mulher virtuosa, cadê você quando te vejo e meu corpo inteiro estremece? É como se o mundo parasse só para confirmar que existes.
Meu dengo, meu xamengo bom, teu nome é abrigo e teu jeito é calmaria depois da tempestade. Tu és espelho brilhante na sombra, luz que não fere, apenas revela.
Xamengo bom, vem me fazer feliz não com promessas, mas com presença. Porque quando és, já basta.
Visionária, libertas o amor da paixão vazia e ensinas o coração a amar com propósito. Em ti, o sentir não grita — ele permanece.
Quando ela fala eu te amo,
a minha cabeça perde a explicação.
Tudo o que era razão se cala,
e sobra só o grito do coração.
É como se o mundo parasse um segundo,
o tempo ajoelhasse diante da emoção.
Meu peito vira um campo em chamas,
ardendo de verdade, não de ilusão.
Quando ela diz eu te amo,
não é som, é terremoto em mim.
Derruba muros que eu levantei,
expõe medos que escondi no fim.
Eu tento entender, mas não consigo,
amor não pede permissão pra entrar.
Ele invade, toma conta,
e ensina a alma a sentir sem pensar.
Quando ela diz eu te amo,
meu coração perde o chão.
É emoção demais pra um peito só,
é amor sem tradução.
Não cabe em palavra, nem explicação,
é verdade crua, é rendição.
Ela tem um gênio forte, tempestade que não pede abrigo. Birrenta, encrenqueira, discute até com o próprio silêncio, briga com o mundo só em pensamento e vence quase sempre.
Não pede, manda. Não espera, insiste. Tem a língua afiada, verdade crua, sem frio, sem freio. Não nasceu para agradar plateias, anda como fera selvagem que não aceita coleira nem medo.
O que muitos veem é só o espinho, o rugido, o fogo solto no olhar. Poucos enxergam o que mora por dentro.
Porque quando encontra carinho, atenção sincera, um toque que não tenta domar, ela vira mar. Mar de doçura, amor que transborda manso, calmo o suficiente para curar naufrágios.
Ela não é fácil. Ela é profunda. E quem aprende a falar com o coração descobre que por trás da fera vive um amor imenso esperando apenas ser respeitada. Ela só deseja ser compreendida. Ela sonha ser amada. Ela é mulher encantadora. Que deseja ser amada.
Ela surgiu como quem não tem pressa, caminhando em silêncio, deixando que cada passo fosse um convite à contemplação.
De repente, sem aviso, atravessou as barreiras do meu mundo — um mundo perdido, condenado ao vazio, sem direção, sem reação, sem controle.
Ela não pediu licença. Não precisou de permissão.
Foi onda que invade, correnteza que arrasta, fogo que consome.
Seu olhar desbravou territórios que eu julgava inabitáveis, sua presença redesenhou caminhos que eu acreditava extintos.
Ela é força indomável, capaz de transformar ruínas em desejo.
É tempestade e calmaria, domínio e entrega.
Um poder que não se explica, apenas se sente:
o poder de me tomar por inteiro, de reacender aquilo que estava apagado,
de mostrar que até o impossível pode ser conquistado quando ela decide existir dentro de mim.
Olhar você faz bem, mulher virtuosa,
Tua presença acalma o dia, silencia o caos.
Mesmo sabendo que teu coração
Ainda não repousa no meu.
Eu sei, teus desejos não caminham comigo,
Não me iludo, nem cobro o que não é meu.
Mas ainda assim escolho ficar,
Porque te admirar já é um jeito de amar.
Continuo te olhando, não por te prender,
Mas por acreditar no tempo e no sentir.
Há amores que nascem na espera,
E florescem sem jamais exigir.
Na esperança serena, sem dor, sem pressa,
Guardo um sorriso quando penso em você.
Quem sabe um dia teus olhos me vejam
Do mesmo jeito que os meus aprenderam a te ver.
Se não for amor, que seja luz.
Se não for hoje, que seja um dia.
Meu sentimento não pede retorno,
Ele vive de esperança e poesia.
A mente viaja por lugares obscuros, não por maldade, mas por excesso de sentir. É quando o desejo não pede permissão e o coração perde o freio da razão.
Há profanação no pensamento, sim, porque amar também é desordem, é rasgar regras invisíveis para tocar o que pulsa vivo. A mente devassa não destrói — ela revela.
Explora encantos proibidos como quem procura verdade no abismo. Nem tudo que assusta é vazio, nem tudo que queima é perdição. Às vezes, o amor nasce torto, intenso, indomável, e só sobrevive porque é fértil no caos.
Se é devastador, é porque é real. Se é obscuro, é porque não aceita rótulos. Amar assim não é pureza fingida, é entrega crua, sem máscaras, sem medo de ser demais.
Então Deus, vamos conversar sem rodeio, sem enfeite.
O mundo está torto.
A humanidade tropeça no próprio ego e chama isso de progresso.
Estão banhados no caos, nadando no orgulho, respirando ganância.
A hipocrisia virou rotina,
a ambição virou oração,
e as mentes vivem inseguras fingindo certeza.
Deus, parece que estamos indo de mal a pior.
Não por falta de aviso,
mas por excesso de arrogância.
O homem já não escuta, impõe.
Já não aprende, confronta.
Já não cuida, explora.
Até a família, que era abrigo, está se desfazendo no vento da indiferença.
Lares cheios de paredes e vazios de presença.
Pais ausentes, filhos perdidos, afetos terceirizados.
Tudo rápido, tudo raso, tudo descartável.
Não te peço compaixão, nem clemência, nem misericórdia.
Peço consciência.
Porque se continuar assim,
a humanidade não vai cair por castigo,
vai despencar pelas próprias escolhas ruins.
Estamos à beira do precipício, Deus,
e o pior: achando bonito o abismo.
Por que te procuro. em ruas desertas, escuras como abismos sem fim, onde o vento uiva segredos que o coração não ouve. Por que te busco em casas vazias, sem vida, sem lar, ecos de sombras que dançam no vazio. do que fui sem ti. Na verdade, amor, tu já pulsas em mim — raiz funda no peito, chama que não se apaga, sangue que corre em veias de saudade eterna. Não mais errante, encontro-te no espelho da alma, no tremor da voz que sussurra teu nome ao amanhecer. Tu és eu, eu sou teu eterno, Para vivermos a nós.
Como encontrar o que não está perdido?
É no silêncio do peito que se revela,
onde o coração sussurra segredos.
que o tempo jamais roubou.
Onde buscar o que está esquecido.
Nas dobras da alma, entre sombras de outrora,
onde o perfume antigo não tem aroma.
ainda dança no ar da lembrança.
Onde procurar se não é necessário?
No instante que se eterniza, sem esforço,
no olhar que se cruza e acende mundos,
no amor que simplesmente é, sem porquês.
Pois o que buscamos não foge,
habita em nós, quieto e eterno,
esperando apenas que fechemos os olhos.
para, enfim, nos vermos
Então resmungo em pensamento aflito,
porque tudo está diferente, bagunçado por dentro e por fora.
Olho ao redor e não reconheço o chão que piso.
Onde está o amor que sustentava a casa?
Onde se perdeu a família que era abrigo?
Cadê a paz de espírito que acalmava a alma cansada?
Cadê a bondade simples, sem interesse, sem máscara?
O mundo corre, grita, empurra…
e o coração fica para trás, pisoteado pelo descaso.
Não é fraqueza sentir esse vazio.
É lucidez.
Porque quem ainda se pergunta,
quem ainda sente falta do amor, da família, da paz,
não se perdeu por completo.
Ainda resiste.
Ainda espera.
Ainda há esperança.
A mente viaja por territórios obscuros, onde a lucidez perde o freio.
É profana, inquieta, devassa de pensamentos que não pedem permissão.
Cria, destrói, refaz — fértil em excessos e verdades nuas.
Explora encantos proibidos, não por prazer vazio, mas por fome de existir.
Há nela uma força indomável, uma tensão que não aceita jaulas.
Cada ideia é um risco, cada desejo uma ruptura.
Quando desperta, não sussurra — explode.
É vulcão em erupção:
queima o que é fraco, transforma o que resiste
e deixa cinzas onde antes havia medo.
Não é pureza.
É potência.
E quem tenta contê-la, inevitavelmente, será engolido.
Fico calado porque explicar cansa.
O barulho por dentro não aceita plateia.
Meus dias viraram caos sem canção,
não há melodia quando a vida aperta o pescoço —
apenas silêncio e resistência.
Já mendiguei migalhas passageiras,
não por fraqueza, mas por sobrevivência.
Aprendi que o orgulho também se dobra
quando a realidade pesa mais que o peito.
Ainda assim, não o joguei fora:
recolhi cada pedaço espalhado
dessa alma sofrida que insiste em ficar de pé.
Não revelo o caos que vivo agora
porque nem todo abismo precisa de testemunha.
Algumas guerras são travadas calado,
com dentes cerrados e passos firmes.
Quem me vê quieto não vê rendição —
A noite passada não foi silêncio, foi naufrágio. Você não apenas passou pelo meu pensamento; você revirou as gavetas da minha alma e deixou tudo fora do lugar. Não houve sono, porque o seu rastro em mim é um incêndio que o descanso não apaga.
Minha cabeça, em um êxtase quase religioso, transformou seu nome em oração. Repeti cada sílaba como quem implora por um milagre, como quem busca o norte em meio ao caos que você semeou.
Agora, o dia amanhece como um castigo. Sem a sua presença, as horas não passam, elas pesam. O mundo lá fora é um tormento cinza, um vendaval cego que sopra sem destino, porque meu único destino é o abrigo do teu corpo. Estar longe de você não é apenas saudade; é sentir-me desterrado de mim mesmo, à deriva, esperando que o vento me devolva ao único lugar onde a vida faz sentido: o teu abraço.
Com a mochila pesada de querer E o peito aberto, sem ter onde pousar Eu atravessei estados de espírito pra te ver Fiz do seu abraço o meu único lugar Não trouxe mapa, nem guia, nem direção Só a bússola quebrada do meu coração.
Eu te amo com a força de um temporal Uma intensidade que o tempo não consome Sou um clandestino, um retirante emocional Que cruza o deserto só pra ouvir teu nome Sem visto, sem porto, fugindo da solidão Buscando asilo no vão da tua mão.
Deixei pra trás a terra seca do que fui Na esperança de inundar o meu olhar no teu O amor é o rio que em silêncio me conduz E o resto do mundo, a estrada esqueceu Sou estrangeiro em qualquer outra morada Se não for no teu beijo, eu não sou nada.
Se a saudade é barreira, eu pulo o muro Se o medo é cansaço, eu sigo no escuro Minha única bagagem é essa vontade louca De ser o habitante do sorriso da tua boca.
Eu te amo com a força de um temporal Uma intensidade que o tempo não consome Sou um clandestino, um retirante emocional Que cruza o deserto só pra ouvir teu nome Sem visto, sem porto, fugindo da solidão Buscando asilo no vão da tua mão.
Retirante da dor, clandestino da paz... Quanto mais eu te amo, mais eu quero mais. (Sobe o som do violão e desaparece aos poucos)
Vem em mim. loba solitária indomável,
rasga com teus dentes o véu da minha razão.
Deixa que tua pele selvagem se misture à minha,
num ritual de luxúria e liberdade.
Quero tua respiração como tempestade,
teu olhar como lâmina que corta certezas,
teu corpo como território proibido
onde só os corajosos ousam entrar.
Serei teu alfa, teu cúmplice, teu pecado,
e juntos faremos da noite um altar profano.
No teu covil, quero perder-me sem retorno,
ser prisioneiro voluntário da tua ferocidade.
Que o mundo nos julgue,
que os céus se escandalizem,
pois na tua matilha de desejos
eu escolho ser fera, não homem.
Não espera riso de outra boca.
Não aguarda abraços de outros braços.
Nem vá mendigar o calor de outro corpo.
Pra quê desejar carinho quando estiver triste,
se a ausência já ensina quem nunca ficou?
O amor não aceita substituição momentânea,
não se consola em atalhos nem em distrações.
Quem ama não troca presença por vazio,
nem cura saudade com mãos emprestadas.
Sentir falta dói,
mas trair o que foi verdadeiro dói mais.
Há silêncios que são mais honestos
do que abraços sem alma.
Quem sonha o amor que viveu
Não tem amor próprio
O passado é um perfume sem aroma
Melhor preferi a solidão limpa
do que o afeto sujo de engano.
Eu não vou negar o que aconteceu.
Fecho os olhos, mas não apago a verdade.
Ainda assim, não me submeto ao que ficou trancado,
ao que feriu, ao que já não respira em mim.
O passado é uma sombra distante:
existe, mas não aquece, não abraça, não constrói.
Ele não acolhe os dias felizes,
não sustenta o amor que quer viver agora.
Eu escolho seguir inteiro,
com o coração aberto e a dignidade de quem aprendeu.
Se for para amar, que seja livre,
sem correntes antigas, sem culpas herdadas.
Porque o amor verdadeiro não mora no ontem,
ele nasce no presente
e caminha firme para o amanhã.
O sol está quente, assolando meu inverno.
Sem você aqui, moça bonita, tudo é castigo.
O frio morde, e eu não sei fugir
dos pensamentos que insistem em ti.
Eles devastam meu mundo engessado,
preso, atado, sem saída.
Então resmungo em silêncio aflito,
grito alto teu nome — joia do Nilo —
para que ninguém perceba
a nudez da minha aflição.
Será castigo do céu me assolar assim?
Caio de cara na terra, esmurrando o chão,
até que toda força se acabe em mim.
Só então clamo aos céus, linda mulher.
Por quê? Por que me sinto desbravado,
preso numa liberdade vazia,
longe da mulher que me deste?
Quem sabe o céu conforte
essa angústia medonha.
Confesso tudo, até na prece mais fervorosa,
e chamo teu nome —
minha rainha.
