Coleção pessoal de Raimundo1973
Por que te procuro. em ruas desertas, escuras como abismos sem fim, onde o vento uiva segredos que o coração não ouve. Por que te busco em casas vazias, sem vida, sem lar, ecos de sombras que dançam no vazio. do que fui sem ti. Na verdade, amor, tu já pulsas em mim — raiz funda no peito, chama que não se apaga, sangue que corre em veias de saudade eterna. Não mais errante, encontro-te no espelho da alma, no tremor da voz que sussurra teu nome ao amanhecer. Tu és eu, eu sou teu eterno, Para vivermos a nós.
Como encontrar o que não está perdido?
É no silêncio do peito que se revela,
onde o coração sussurra segredos.
que o tempo jamais roubou.
Onde buscar o que está esquecido.
Nas dobras da alma, entre sombras de outrora,
onde o perfume antigo não tem aroma.
ainda dança no ar da lembrança.
Onde procurar se não é necessário?
No instante que se eterniza, sem esforço,
no olhar que se cruza e acende mundos,
no amor que simplesmente é, sem porquês.
Pois o que buscamos não foge,
habita em nós, quieto e eterno,
esperando apenas que fechemos os olhos.
para, enfim, nos vermos
Então resmungo em pensamento aflito,
porque tudo está diferente, bagunçado por dentro e por fora.
Olho ao redor e não reconheço o chão que piso.
Onde está o amor que sustentava a casa?
Onde se perdeu a família que era abrigo?
Cadê a paz de espírito que acalmava a alma cansada?
Cadê a bondade simples, sem interesse, sem máscara?
O mundo corre, grita, empurra…
e o coração fica para trás, pisoteado pelo descaso.
Não é fraqueza sentir esse vazio.
É lucidez.
Porque quem ainda se pergunta,
quem ainda sente falta do amor, da família, da paz,
não se perdeu por completo.
Ainda resiste.
Ainda espera.
Ainda há esperança.
A mente viaja por territórios obscuros, onde a lucidez perde o freio.
É profana, inquieta, devassa de pensamentos que não pedem permissão.
Cria, destrói, refaz — fértil em excessos e verdades nuas.
Explora encantos proibidos, não por prazer vazio, mas por fome de existir.
Há nela uma força indomável, uma tensão que não aceita jaulas.
Cada ideia é um risco, cada desejo uma ruptura.
Quando desperta, não sussurra — explode.
É vulcão em erupção:
queima o que é fraco, transforma o que resiste
e deixa cinzas onde antes havia medo.
Não é pureza.
É potência.
E quem tenta contê-la, inevitavelmente, será engolido.
Fico calado porque explicar cansa.
O barulho por dentro não aceita plateia.
Meus dias viraram caos sem canção,
não há melodia quando a vida aperta o pescoço —
apenas silêncio e resistência.
Já mendiguei migalhas passageiras,
não por fraqueza, mas por sobrevivência.
Aprendi que o orgulho também se dobra
quando a realidade pesa mais que o peito.
Ainda assim, não o joguei fora:
recolhi cada pedaço espalhado
dessa alma sofrida que insiste em ficar de pé.
Não revelo o caos que vivo agora
porque nem todo abismo precisa de testemunha.
Algumas guerras são travadas calado,
com dentes cerrados e passos firmes.
Quem me vê quieto não vê rendição —
A noite passada não foi silêncio, foi naufrágio. Você não apenas passou pelo meu pensamento; você revirou as gavetas da minha alma e deixou tudo fora do lugar. Não houve sono, porque o seu rastro em mim é um incêndio que o descanso não apaga.
Minha cabeça, em um êxtase quase religioso, transformou seu nome em oração. Repeti cada sílaba como quem implora por um milagre, como quem busca o norte em meio ao caos que você semeou.
Agora, o dia amanhece como um castigo. Sem a sua presença, as horas não passam, elas pesam. O mundo lá fora é um tormento cinza, um vendaval cego que sopra sem destino, porque meu único destino é o abrigo do teu corpo. Estar longe de você não é apenas saudade; é sentir-me desterrado de mim mesmo, à deriva, esperando que o vento me devolva ao único lugar onde a vida faz sentido: o teu abraço.
Com a mochila pesada de querer E o peito aberto, sem ter onde pousar Eu atravessei estados de espírito pra te ver Fiz do seu abraço o meu único lugar Não trouxe mapa, nem guia, nem direção Só a bússola quebrada do meu coração.
Eu te amo com a força de um temporal Uma intensidade que o tempo não consome Sou um clandestino, um retirante emocional Que cruza o deserto só pra ouvir teu nome Sem visto, sem porto, fugindo da solidão Buscando asilo no vão da tua mão.
Deixei pra trás a terra seca do que fui Na esperança de inundar o meu olhar no teu O amor é o rio que em silêncio me conduz E o resto do mundo, a estrada esqueceu Sou estrangeiro em qualquer outra morada Se não for no teu beijo, eu não sou nada.
Se a saudade é barreira, eu pulo o muro Se o medo é cansaço, eu sigo no escuro Minha única bagagem é essa vontade louca De ser o habitante do sorriso da tua boca.
Eu te amo com a força de um temporal Uma intensidade que o tempo não consome Sou um clandestino, um retirante emocional Que cruza o deserto só pra ouvir teu nome Sem visto, sem porto, fugindo da solidão Buscando asilo no vão da tua mão.
Retirante da dor, clandestino da paz... Quanto mais eu te amo, mais eu quero mais. (Sobe o som do violão e desaparece aos poucos)
Vem em mim. loba solitária indomável,
rasga com teus dentes o véu da minha razão.
Deixa que tua pele selvagem se misture à minha,
num ritual de luxúria e liberdade.
Quero tua respiração como tempestade,
teu olhar como lâmina que corta certezas,
teu corpo como território proibido
onde só os corajosos ousam entrar.
Serei teu alfa, teu cúmplice, teu pecado,
e juntos faremos da noite um altar profano.
No teu covil, quero perder-me sem retorno,
ser prisioneiro voluntário da tua ferocidade.
Que o mundo nos julgue,
que os céus se escandalizem,
pois na tua matilha de desejos
eu escolho ser fera, não homem.
Não espera riso de outra boca.
Não aguarda abraços de outros braços.
Nem vá mendigar o calor de outro corpo.
Pra quê desejar carinho quando estiver triste,
se a ausência já ensina quem nunca ficou?
O amor não aceita substituição momentânea,
não se consola em atalhos nem em distrações.
Quem ama não troca presença por vazio,
nem cura saudade com mãos emprestadas.
Sentir falta dói,
mas trair o que foi verdadeiro dói mais.
Há silêncios que são mais honestos
do que abraços sem alma.
Quem sonha o amor que viveu
Não tem amor próprio
O passado é um perfume sem aroma
Melhor preferi a solidão limpa
do que o afeto sujo de engano.
Eu não vou negar o que aconteceu.
Fecho os olhos, mas não apago a verdade.
Ainda assim, não me submeto ao que ficou trancado,
ao que feriu, ao que já não respira em mim.
O passado é uma sombra distante:
existe, mas não aquece, não abraça, não constrói.
Ele não acolhe os dias felizes,
não sustenta o amor que quer viver agora.
Eu escolho seguir inteiro,
com o coração aberto e a dignidade de quem aprendeu.
Se for para amar, que seja livre,
sem correntes antigas, sem culpas herdadas.
Porque o amor verdadeiro não mora no ontem,
ele nasce no presente
e caminha firme para o amanhã.
O sol está quente, assolando meu inverno.
Sem você aqui, moça bonita, tudo é castigo.
O frio morde, e eu não sei fugir
dos pensamentos que insistem em ti.
Eles devastam meu mundo engessado,
preso, atado, sem saída.
Então resmungo em silêncio aflito,
grito alto teu nome — joia do Nilo —
para que ninguém perceba
a nudez da minha aflição.
Será castigo do céu me assolar assim?
Caio de cara na terra, esmurrando o chão,
até que toda força se acabe em mim.
Só então clamo aos céus, linda mulher.
Por quê? Por que me sinto desbravado,
preso numa liberdade vazia,
longe da mulher que me deste?
Quem sabe o céu conforte
essa angústia medonha.
Confesso tudo, até na prece mais fervorosa,
e chamo teu nome —
minha rainha.
Os casais que têm o suficiente para serem felizes, mas não são.
Têm casa, um carro simples, trabalho, filhos e uma vida construída.
Ainda assim, permitem que coisas pequenas os decapitem:
o orgulho que não cede,
a vaidade que fere,
a ambição que afasta,
as aparências que mentem.
Esses males corroem silenciosamente o amor,
cegam os olhos, endurecem o coração
e fazem pessoas viverem perdidas,
resmungando dentro do próprio casamento.
A vida oferece caminhos verdadeiros
a quem realmente deseja viver a felicidade.
Ela se revela no agora, no simples, no essencial.
Aproveite o momento.
Valorize o que é real.
Você é importante para Deus.
Não queira aparecer — faz isso não.
O brilho forçado cansa, a vaidade denuncia.
Deixa que o teu melhor trabalhe por ti, em silêncio, com firmeza.
Porque o que é verdadeiro não grita, sustenta.
O teu carisma fala antes das palavras,
o teu caráter ecoa onde teus pés passam.
São tuas escolhas, ações e atitudes de bondade
que te representam quando ninguém está olhando.
Quem vive de aparecer vive no risco do tropeço,
pois constrói a própria imagem sobre aparências frágeis.
E toda aparência exagerada um dia cai,
revelando o vazio que tentou esconder.
A essência não precisa de palco.
Ela permanece. Ela prova. Ela vence.
Na felicidade, te abraçarei forte com toda a força que há em mim,
para que jamais se afaste de mim,
nunca mais se desprenda de mim.
E se o mundo tentar nos calar,
erguerei minha voz como trovão,
porque a verdade é chama que não se apaga,
é raiz que resiste ao tempo e à ilusão.
Não há correntes que possam prender,
nem muralhas que possam deter,
quando o coração pulsa em verdade,
ele rompe o silêncio, ele faz renascer.
Eu sou a força que não se curva,
sou o grito que não se cala,
sou a verdade que atravessa a noite,
sou a luz que nunca se apaga.
Linda, maravilhosa mulher,
rainha do meu caos e da minha lucidez.
Onde escondeste aquele sarcasmo feminino
capaz de sorrir enquanto devasta certezas?
Tua ambição é chama fanática,
ardor que não pede permissão.
Em ti, o pecado vira filme antigo,
proibido, belo, perigoso —
não de sangue, mas de desejo vivo.
Tua cama não é lugar:
é palco.
E no espetáculo da luxúria,
cada gesto teu é arte que me desarma.
Eu te desejo sem pudor de palavras,
melindrosa e bruta, doce e sacana,
porque foste moldada para a sedução
e eu, para me perder nela.
Cleópatra moderna,
tu és parte de mim — mais e mais,
império que cresce dentro do peito
onde razão nenhuma governa.
Eleva teu poder, mística sedutora,
vem profanar meus medos,
blasfemar contra o silêncio.
Tua boca no meu corpo
é feitiço, é reza,
é bruxa doce chamada felicidade.
Conta pra mim por que esse olhar tão triste,
se a vida ainda insiste em te querer de pé.
Essa paisagem não enfeita o retrato,
há sombras demais onde já houve fé.
Até a moldura perdeu o brilho antigo,
o tempo riscou o que era luz e cor.
Mas neste retrato eu quero o teu melhor trabalho:
pinta-te inteiro, sem medo da dor.
Não assines a obra com desalento,
nem deixes o cansaço escolher o final.
És mais que o rascunho de um mau momento,
és arte viva, original.
Refaz o traço, levanta o olhar,
quebra o silêncio que insiste em doer.
Se o mundo falhou ao te valorizar,
mostra ao mundo quem tu és ao refazer.
Neste retrato não cabe desistência,
nem a saudade do que não voltou.
Quero verdade, coragem e presença:
teu melhor trabalho… é quem tu te tornou.
No livro do tempo
está escrito: eu te amo
há muito tempo.
Antes do primeiro sopro,
antes do mundo aprender a girar.
Desde antes de nascermos,
eu já te amava —
joia rara do Nilo,
ouro moldado pela eternidade.
Teu nome atravessou séculos,
sobreviveu às guerras,
às areias e aos silêncios,
e veio repousar no meu peito.
Não foi escolha,
foi destino antigo.
Não foi encontro,
foi reconhecimento.
Se o tempo tem memória,
ele sabe:
meu amor por ti
nasceu antes de nós.
Teu corpo é poesia
escrita no silêncio dos gestos,
onde cada curva guarda um verso
e cada pausa revela sentido.
É poema que não se lê com pressa,
mas se sente —
na leve inclinação do sorriso,
na cadência do teu respirar,
no mistério que a pele sugere
sem jamais se entregar por inteiro.
Teu corpo fala uma língua antiga,
feita de harmonia e instinto,
onde o belo não pede explicação
e o desejo nasce da contemplação.
Há em ti uma métrica viva,
um ritmo que desacelera o mundo
e ensina que o amor,
antes de tocar,
aprende a admirar.
Teu corpo é poesia.
Verso 1
A beleza não veste máscaras,
não precisa de aplausos vazios.
O exibicionista grita alto,
mas sem plateia é só silêncio frio.
Refrão
Força é essência, não aparência,
verdade que arde sem vaidade.
Quem vive de reflexo se perde,
quem é raiz não teme a tempestade.
Despedida é vento leve,
que sopra sem se prender.
Você quer respostas breves,
mas sem perguntas não há porquê.
O silêncio guarda segredos,
o coração tenta entender.
Não há verdade nos enredos,
se não se escuta pra valer.
Adeus que não é ausência,
é só pausa pra refletir.
Na pergunta há a essência,
na resposta, o repartir.
