Coleção pessoal de professor_elmo_alves_torres
A gratidão, embora inteiramente isenta de custos, permanece paradoxalmente entre as virtudes menos cultivadas pela sociedade.
Quando o medo se converte em sorriso, o alívio revela silenciosamente que a paz voltou a reinar no espírito.
As coisas da vida podem ser mensuradas a partir da paciência, da persistência e do tempo investido para serem conquistadas.
O mal que assola a sociedade contemporânea raramente é intencional; muitas vezes emerge do emaranhado informacional e das próprias mazelas da modernidade.
A Dialética da Hipocrisia
Tem gente que sonha e não busca seu espaço.
Tem gente que briga, mas é um eterno covarde.
Tem gente que adoece e jamais procura a cura.
Tem gente que planeja e nunca se organizou.
Tem gente que se diz discreta, mas adora fazer alarde.
Tem gente que é lenta para o dever, mas veloz para o interesse.
Tem gente que é tagarela, mas não quer ouvir.
Tem gente que grita e não se cala na hora certa.
Tem gente que chora e não suporta ver ninguém chorando.
Tem gente que crê em Deus, mas vive chamando pelo demônio.
Tem gente que canta e não deixa ninguém assobiar.
Tem gente que reclama e nunca reivindicou coisa alguma.
É quase uma regra: quando estamos na pior, somos mais humanos; logo que melhoramos, o egocentrismo emana.
As Cores do Sertão do Apodi
O azul das águas de nossa lagoa realça o cinza da caatinga;
O verde de nossa vegetação contrasta com a epiderme dos povos originários;
O chumbo de nosso lajedo suplanta a cal branca de sua degradação;
O amarelo de nossas riquezas enaltece a fartura de nossa região;
A terracota de nossa argila enrijece a luta de nosso povo;
O colorido de nossa fauna sarapinta a miscigenação de nossa gente;
O vermelho do poente incendeia o horizonte de nossa chapada;
O laranja do entardecer aquece os sonhos que resistem ao tempo;
O dourado do sol castiga e, ainda assim, fecunda a resistência;
Nossa água mineral sacia a sede, sustenta nosso lugar e renova as cores vivas de nossa terra.
Na lógica do mundo, o ser humano vale menos por sua essência e mais pela utilidade que aparenta aos olhos alheios.
Muitas vezes, as palavras não exprimem o que queremos dizer; portanto, é necessário um olhar ou um simples gesto para completar o nosso pensamento.
Quando a própria companhia lhe traz paz, não a evite nem hesite; apenas não abdique do esforço de socializar.
Algumas pessoas brilhantes permanecem invisíveis não por demérito, mas pela ausência de um palco adequado.
O “não” dos outros converte-se em impulso, não como negação de sua essência, mas como expressão do prisma equivocado deles.
