Coleção pessoal de PensamentosRS

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⁠A duração e a consistência de uma coletividade coincidem com a duração e a consistência de seus preconceitos.

⁠Quem, lúcido, se compreenda, se explique, se justifique e domine seus atos, jamais fará um gesto memorável.

⁠O homem não nasceu para o trabalho. Quem trabalha não é livre.

⁠Nós nos transformamos em zumbis saudáveis e fitness, zumbis do desempenho e do botox.

⁠Cada um deveria estar ocupado em sua solidão, mas cada um vigia a dos outros.

⁠O importante é mandar: a isso aspira a quase totalidade dos homens.

⁠Guardemos no mais profundo de nós mesmos uma certeza superior a todas as outras: a vida não tem sentido, não pode tê-lo.

⁠É porque somos todos impostores que nos suportamos uns aos outros.

⁠Para que mostrar nossa ruína se podemos fingir a prosperidade?

⁠Interessamos aos outros pela desgraça que semeamos à nossa volta.

⁠A humanidade só adorou os que a fizeram perecer.

⁠Nenhuma pessoa sensata foi objeto de culto, deixou um nome, marcou com seu sinal um só acontecimento.

⁠Nada fascina mais do que a arquibancada de um estádio lotado. Há ali um estremecimento contagiante de alegria e tristeza, de amor infinito e ódio momentâneo. Ali se morre sem morrer.

⁠Há muito tempo eu não sei o que é dizer “eu não estou bem” e uma pessoa não remunerada realmente se preocupar com isso.

⁠A perda moderna da fé, que não diz respeito apenas a Deus e ao além, mas à própria realidade, torna a vida humana radicalmente transitória.

⁠A depressão é o adoecimento de uma sociedade que sofre sob o excesso de positividade.

⁠O orgulho de um conquistador empalidece comparado à ostentação do devoto que dirige-se ao Criador.

⁠O efeito que um livro exerce sobre nós só é real se experimentamos o desejo de imitar sua intriga, de matar se o herói mata, de estar ciumento se está ciumento, de estar doente ou moribundo se ele sofre ou se morre.

⁠A inteligência só floresce nas épocas em que as crenças fenecem, em que seus dogmas e seus preceitos se relaxam, em que suas regras tornam-se mais flexíveis.

⁠Em rigor, não amamos pessoas; amamos ideias de pessoas e não toleramos que a realidade não esteja ao nível dos nossos delírios.