Coleção pessoal de pensadorpsicologia_1127319
Quando o bicho pega, para onde eu corro?
Quando o bicho pega
e o peito aperta,
quando a tristeza chega
e a esperança fica incerta,
para onde eu corro?
Será que eu vou fugir?
Ou paro um pouquinho,
respiro… e tento me ouvir?
Posso correr para o abraço,
para alguém que sabe escutar,
para um amigo, um familiar,
para quem comigo pode caminhar.
Posso chegar no CAPS,
bater na porta e dizer:
“Hoje não estou dando conta,
preciso de ajuda para viver.”
Não preciso enfrentar sozinho
o que parece um furacão.
Dividir o peso da vida
também é uma forma de proteção.
E quando o bicho aparece,
fazendo barulho e confusão,
eu lembro: tenho caminhos,
tenho gente, tenho mão.
Uma vida boa
Disseram-me que a vida boa
era feita de sorrisos.
Mas encontrei pessoas
com saudades nos olhos
que ainda sabiam amar.
Vi mãos cansadas
que continuavam cuidando.
Vi quem chorava em silêncio
e, ainda assim, seguia.
Então entendi:
a felicidade é visita.
Chega sem avisar,
permanece um instante
e vai embora.
E como seria bonito
se, ao dizer "estou cansado",
ninguém tentasse me consertar.
Apenas permanecesse.
Em silêncio.
Ao meu lado.
Porque há dias
em que a gente não precisa
dar conta de tudo.
Precisa apenas
que alguém escute
sem transformar nossa dor
em um problema a ser resolvido
