Coleção pessoal de testeteste123
Salve, Moleque
Salve, moleque. E aí, como anda as coisas?
Parece que tudo vai dar errado, né?
Não se preocupa, isso não acontece só com você.
Acontece com todo mundo — até com os grandões que parecem inatingíveis.
Eles também têm medo.
E te garanto: o medo deles é bem maior que o nosso.
A gente não tem muito pra perder.
E o pouco que temos, se quisermos, ninguém tira.
Por termos pouco, não precisamos de muito.
A vida rola na boa se a gente não complicar.
Muitas vezes achamos que somos injustiçados.
E somos mesmo.
Faz parte da vida.
Mas olha: passar por injustiça é a melhor vacina contra a depressão.
Dá força.
Leva pra segurança.
Se a gente encara os problemas de frente, nada pode nos atingir.
Parece que vai dar tudo errado.
Boa parte das vezes, dá mesmo.
E daí?
dane-se tudo.
Mete o pé na jaca e segue em frente.
A vida não é só coisa ruim.
Tem coisa boa pra caramba.
E você é jovem.
Tem muito pela frente.
Sabe aquela namorada?
Aquela que parecia que você nunca ia ter?
Na hora que ela aparecer, vai ser sua melhor amiga.
Daquelas fodonas.
Vai estar sempre ao seu lado.
Vai sofrer todas as injustiças que essa longa estrada da vida vai te impor — junto contigo.
Levanta essa cabeça.
Engole o choro.
E vamos.
Você é forte demais pra ficar sentado aí com essa ramela no nariz.
Te garanto: vai ser foda.
Mas no final, tudo vai dar certo.
E se não der?
DANE-SE.
As vezes é preciso refletir sobre nossas raízes para podermos florir na estação de nossa própria alma. (Lorenzo Li)
Maturidade, quão linda tu és! Obrigada por me dar discernimento pra entender as mentes velhas de hoje.
Vitórias e derrotas por um fio
Tanto esforço me tornou mais frio
Ratos, bitches e ego
Prefiro ser o errado quе persiste
Que o cеrto que desistiu.
Ret.
Domador do Cerro Chato.
Pode largar o aporreado
Mais sestrozo da tropilha
Tô loco pra tirar cosca
Me vou de pronto as virilha
Que ronque, castique o cabresto
Palanque aguenta o retosso
Me vou de tento pro lombo
Mango se vai ao pescoço
Despensa o amadrinhador
Me vou solito pro céu
Pra ver o mundo rodando
Por cima do meu chapéu
Saca a venda dos olho
Deixa o diabo enchergar
Enfurquilhado um gaúcho
Que já nasceu pra domar
Assim se foi o maleva
Levando o vento por diante
O lombo inchado é bufando
Deixou pra trás o palanque
Grudei espora em puaço
Fiz o potro se ajoelha
Dei uma volta nas clina
Pros dedo se ageita
Grunindo se foi ao espaço
Lá maula, senti o calor
E foi aquele gritedo
Nos verso do narrador
Vi o chão embaralhado
O céu virado do avesso
Numa troca de pescoço
Se foi lá cria meu lenço
Por fim suou a campana
Soltei a perna ao costado
Sai a passo tranquilo
O potro se foi ao alembrado
Juntei meu lenço e voltei
Só pra escuta o alaredo
E a peonada de pé
Metendo aquele gritedo
Mirei a prenda mimosa
E dei pra ela meu lenço
Tirei o chapéu saudando
Aquele acontecimento
Depois voltei pro meu rancho
E a fama de bom domador
Levei a china comigo
Como regalo de amor...
Renato Jaguarão.
Olha só como o jogo virou ne!!
Um dia por vez — é assim que eu tento me concentrar,
colhendo pequenos segundos como quem junta cacos de vidro.
Sua ausência me assusta; sua falta, curiosamente, me cura.
Ando, e a cada passo desato um pranto de amor —
choro o que fomos e me reconstruo com as próprias mãos.
Você já me amou? Pergunto ao eco, porque duvido,
mas sei — havia pedaços seus que cabiam em amor.
Sinto seu cheiro no travesseiro, sua pele em lembrança quente,
mas não posso te tocar; não posso mais me enrolar em você.
Sinto falta do seu beijo — daquela risada que vinha depois,
do riso ao beijar sua barriga, daquela alegria desajeitada.
Às vezes sinto que tomei a decisão certa; outras, vacilo.
Nessas horas a solidão sussurra desejos que já não fazem sentido,
uma força antiga querendo voltar onde o fogo só consumia.
Mas sigo: um dia, um passo, uma respiração —
aprendendo que cuidar de mim é não apagar o brilho,
é deixar as brasas virarem memória e não prisão.
E se ainda chego a duvidar, permito ao menos esse perdão:
hoje me escolho, mesmo que doa, mesmo que trema.
Porque amar também é soltar, é aprender a costurar a própria alma —
e um dia por vez, reaprendo a ser inteira.
O problema às vezes nem sempre é a falta de dinheiro, ou a abundância dele, mais a falta de educação para com os seus semelhantes, que estraga o ser humano em si.
Ás vezes não é o Deus que servimos, ou a religião que adotamos para si, o problema, mais sim a nossa grande falta de educação com o próximo.
Eu quero conversar com zero quero entender em mim com Deus quero agradecer a ele porque ele é meu pai poderoso ele é meu pai um amor da minha vida é isso que eu quero agradecer ele primeiro a Deus e minha família meus amigos minhas amigas minhas professoras meus professores cada dia mais presente a Deus é isso
A vingança do inesperado
Para o que é falso: "é que nada é para sempre"
Quem dirá "o que foi forçado acontecer
Ser escolhido sem barganha"
Comparsa
De guri eu fui cancheiro
Nas comparsa de esquila
Me juntando com os pila
Nas estância da fronteira
Era lindo a barulheira
Da maquina bordoneando
A indiada esquilando
E eu botandolhe fixa
Ovelha não relincha
Mas dispara igual bagual
E o agarrador, por vez se vê mal
Maniando nas pata o tento
E entrega pro talento
De Quem na mão se defende
O Souza, João clemente,
o Cleber o alemão
Eu guri varrendo o chão
Curando com óleo gracha
Algum talho que se acha
O pente por vez é cruel
Depois enrolava o vel
Largava pro amarrador
Que lançava pro socador
Que a estopa lhe cobrava
E o cozinheiro avisava
Tem churrasco na cozinha
Pão café, farinha
Pra reforço do peão
Depois seguia a função
Naquele mordaço de novembro
Cada detalhe eu lembro
Até o cheiro do galpão
Ja carneado um Capão
Que nas brasa esperava
O meio dia parava
Pra uma boia de repeito
Massa, feijão preto
Antes umas cuia de mate
E o locutor da cidade
Dando no rádio os recado
Um aviso do polvoado
Telefone não havia
E a turma se intertia
Depois a sesta pegava
E a comparsa descansava
Pra aquele resto de dia
Ao fim de mais uma lida
Vinha o banho no açude
Parece até meio rude
O ofício Pra quem nao conhece
Mas é quando o dia anoitece
Os catre já arrumado
Que o galpão fica animado
Uns verso bem declamado
Alguns floreio do gildo
Reconheço que sou grosso
Baile do Chico torto
Resposta do relho trançado
E ali naquele aleredo
Os catre todo ermanado
Se vivia o presente
Especulava o futuro
E lembrava o passado
O que seria da tosa
Com a tal modernidade
Pra quem viveu desse ofício
Apartado da cidade
Se bombeava tanta mudança
Pra quem pouco sabia
Que tinha só a tosquia
Como changa e ganha pão
Era a tal evolução
Que se vinha em desparada
A lã ja valia nada
Mal pagava a comparsa
Mas tudo um dia passa
Hoje em dia o esquiador
Só é lembrado nos versos
E na saudade do payador
Mas ainda no setembro
Me bate aquela agunia
Pra embarcar numa comparsa
E voltar naqueles dia
Rever os meus amigos
Galpao, o velho catre
Aquele assado nas brasa
E os parceiros do mate
Renato Jaguarão.
