Coleção pessoal de testeteste123

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Hoje, bem cedo,
um trio de evangélicos
bateu ao meu portão
oferecendo salvação
em forma de convite.


Respondi com educação:
— Irei, com prazer.


O sorriso acendeu nos olhos deles
como promessa cumprida.


Completei:
— Mas só depois
de visitarem o terreiro de Umbanda
que eu frequento.


O brilho apagou.
Os olhos, antes luz,
encheram-se de indignação
como quem vê o proibido.


Afastaram-se do meu portão
com a pressa dos vampiros
diante do sol e do alho.
✍©️@MiriamDaCosta

"Tenho muito o que aprender nessa vida, notadamente quando falam em sobrevoo perto de mim. Afinal, existe algum voo que não seja sobre? Oxente!"
Texto Meu No.1061, Criado em 2022


USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

"Meu Vizinho veio aqui dizer isso: 'Depois que me tornei Idoso, faço tudo na cama, menos dormir'. Eu chamo e trato Meu Vizinho por Jubileu. Como no desenho, 'Ele está Esquisito. Eu tenho Medo!' "
Texto Meu No.1060, Criado em 2022

USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

Quem somos nós? A imagem que sustentamos diante dos outros, construída com cuidado, coerência e esforço, ou aquilo que irrompe quando o controle falha, com um gesto, um pensamento, uma reação que rapidamente tentamos esconder? Talvez essa divisão já revele o conflito central: viver entre o que mostramos e o que tememos revelar. Onde há essa cisão, há tensão contínua, e essa tensão consome energia que poderia ser usada para simplesmente perceber.



Em público, ajustamos a voz, o discurso, o comportamento. Em silêncio, observamos outra coisa se mover. Às vezes contraditória, às vezes desconfortável. Não brigamos contra isso porque seja errado, mas porque ameaça a imagem que aprendemos a proteger. O problema não é a imperfeição do que surge, mas o medo de ser visto sem a armadura. Assim, passamos a vida defendendo uma ideia de nós mesmos.



Então surge a pergunta moral: é melhor ser justo e parecer injusto, ou ser injusto e parecer justo? Enquanto essa escolha existir, já estamos presos à aparência. A justiça verdadeira não precisa de plateia, assim como a injustiça não deixa de existir porque foi bem disfarçada. Quando a preocupação principal é como algo será percebido, o ato deixa de ser claro. Ele passa a ser estratégico.



Buscar equilíbrio entre essas posições talvez seja outra armadilha. O equilíbrio pensado, calculado, escolhido, ainda pertence ao campo do esforço. E esforço implica conflito. O que acontece quando não tentamos parecer nada? Quando não há intenção de sustentar uma imagem nem de combatê-la? Talvez reste apenas o fato nu do que somos naquele instante.



E se a pergunta “quem sou eu?” não exigir resposta, mas observação? Não a observação do personagem público, nem a condenação do impulso oculto, mas a percepção direta do movimento inteiro… sem escolha. Nesse ver sem defesa, sem justificativa, pode não surgir uma definição. Mas talvez surja algo mais simples: o fim da necessidade de parecer.

Quando a vi pela primeira vez, pensei: "é ela".

"Que possamos caminhar dentro daquilo que realmente buscamos, sem nos desviarmos pelo caminho que não sonhamos".

Não vivo uma boa fase da vida.
E talvez esse seja o maior problema:
já não sei mais quando foi a última vez
em que a vida realmente me habitou.
Os dias passam,
mas não deixam marcas boas.
Só acumulam cansaço.
Um cansaço antigo, profundo,
que não some com descanso
porque não vem do corpo —
vem da alma.
Estou brigado com quase toda a minha família.
Não por ódio,
mas por desgaste.
Por palavras ditas tarde demais
e silêncios longos demais.
O presente cobra explicações,
o passado cobra perdão,
e eu não tenho forças para pagar nenhum dos dois.
Perdi o trabalho.
E junto com ele,
perdi a sensação de utilidade,
de pertencimento,
de dignidade.
Quando não se tem mais um lugar claro no mundo,
qualquer lugar vira fuga.
Passei a sair de casa como quem foge de um incêndio invisível.
Coloco a mochila nas costas
— às vezes vazia, às vezes pesada —
e pego um ônibus qualquer.
Não importa o número,
não importa o destino.
O movimento engana a dor por alguns minutos.
Enquanto o ônibus anda,
parece que a vida também anda.
Mas quando desço,
tudo continua exatamente igual.
Tento me enganar.
Tento enganar os outros.
Finjo que estou resolvendo coisas,
que estou sendo útil,
que estou indo atrás de algo.
Mas, no fundo,
só estou tentando adiar o momento
de encarar o que me dói.
As pessoas dizem que eu sou louco.
Talvez porque eu suma.
Talvez porque eu não saiba explicar
o que acontece dentro de mim.
Às vezes, eu mesmo começo a duvidar da minha sanidade.
Porque não é normal se sentir tão deslocado
mesmo estando rodeado de gente.
Não é normal carregar tanta tristeza
sem saber exatamente onde ela começou.
Eu não quero morrer.
Mas também não sei mais como viver assim.
Existe um espaço estranho entre essas duas coisas
— um lugar onde a pessoa apenas aguenta.
E é lá que eu moro hoje.
O que eu queria
não era luxo,
nem reconhecimento,
nem vitória.
Eu só queria um lugar tranquilo.
Um lugar onde eu pudesse descansar em paz
sem precisar fugir,
sem precisar provar,
sem precisar ser forte.
Queria um lugar
onde o passado não gritasse,
onde o presente não cobrasse,
onde o futuro não assustasse.
Queria silêncio.
Queria pausa.
Queria alívio.
Porque viver assim,
carregando tudo sozinho,
se sentindo errado,
cansado,
perdido…
isso também machuca.
Só não deixa cicatriz visível.

"Se há algo que jamais tive dúvida é que Eu Me Amo! Vocês também?"
Texto Meu No.1059, Criado em 2022

USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
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thudocomh.blogspot.com

"Disseram que os Maias previram o Fim do Mundo para 21 de Dezembro. Oxente, quantos 21 de Dezembro já ocorreram e nada! Oxente e Uai!"
Texto Meu No.1058, Criado em 2022


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thudocomh.blogspot.com

Calendário Galáctico Unificado, 21/12/2031:


A Era Galáctica não começa quando chegamos às estrelas.
Ela começa quando entendemos que nunca mais estaremos sozinhos no planeta que nos
criou.

Para não traumatizar quem não teve progresso, transforma-se em problema quem obteve sucesso.

Se um dia você decidir que não dá mais, por favor, me fala. Vai ser um dos piores dias da minha vida, mas, por favor, me fala.
Eu prometo tentar te esquecer, mas não prometo conseguir, porque não se esquece quem amamos, assim, do nada.
Como dizia William Shakespeare: “O amor é muito jovem para saber o que é consciência.”

Num futuro muito próximo,
viveremos das memórias de um passado
em que as pessoas lutavam por aquilo
em que acreditavam, criavam
e acreditavam naquilo que criavam
e pelo que lutavam.


No presente,
a banalização, a futilidade
e a emulação reinam.
A escassez de conhecimento
e de consciência histórica,
de talento, sacrifício, estudo,
leitura construtiva, criatividade,
originalidade e idealismo
faz com que essas palavras
já pertençam ao passado.
✍©️@MiriamDaCosta

Ninguém tira sua própria vida porque o inverno chegou ou porque escureceu o céu. São acontecimentos externos. Assim,também, são externos e passageiros os elogios e as críticas, os fracassos e os sucessos. Alguém pode te elogiar de manhã e te criticar à noite e tanto o sucesso como o fracasso são viajantes do tempo.(Walter Sasso)

“O brasileiro tem complexo de vira-lata. Acha tudo do estrangeiro muito bom, e despreza as qualidades de seu próprio povo.”

"São muitos chatos, esses eu do passado e esse eu do futuro, vivem incomodando e atrapalhando, o eu do presente."

“Nem toda calmaria chega porque o mar mudou.
Às vezes, é o coração que aprendeu a atravessar a tempestade.”

Passei por um longo ano de silêncio e introspecção. Hoje percebi que fui calada por tantos anos, a ponto de, nos últimos tempos, ter estado apagada. Mas a reflexão explosiva que reside em mim voltou; talvez ela seja eu. E isso é bom. A potência, a verdade e a inquietude circulam em meus vasos para que eu floresça onde a vida me plantar, pois, por dentro, sou perfume no bailado livre do meu próprio respirar. Pulso entre o barulho da metrópole e o canto dos passarinhos, nas árvores guerreiras que sobrevivem, muitas vezes solitárias (e invisíveis), enquanto tantos correm de um lado para o outro, robotizados pela automatização da selva de pedra. Agradeço por ver as árvores, ouvir os passarinhos e, por vezes, parar em frente ao espelho, respirar fundo e olhar para mim.

No silêncio descobri que nem tudo que é verdadeiro precisa ser anunciado.

Deve-se viver uma vida mais saboreada e plenamente vivida, com propósito e significado, com mais arte e mais presença, talvez seja essa a única forma de não sucumbir ao caos.