Coleção pessoal de testeteste123
A vida e como dois ônibus, cada um tem um destino diferente, seja sábio nas suas escolhas e inteligente nas decisões.
E sempre lembre-se você é responsável pelas consequências!
Minha voz-mulher
Minha voz traz o peso do dia
o suor do trabalho
os livros abertos na madrugada
o colo dado aos filhos
mesmo quando
o corpo e a mente pedem descanso.
Sou mulher-profissional
-esposa
-mãe
-filha
sou tantas
mas nunca menos.
Minha voz
pede escola viva
uma educação
que não se conforme
que desperte
meninas e meninos
para um amanhã mais justo.
Minha voz
pede pão
dignidade
igualdade
pede que o mundo
seja para cada pessoa.
Mas tantas vezes
ela não chega.
E, quantas vezes
chega distorcida.
Fica presa
em paredes de silêncio
esbarrando em ouvidos fechados
em corações instransponíveis
e indisponíveis
Minha voz
é cortada, ferida
maltratada,
assassinada todos os dias
em tantas outras mulheres
que sou eu também.
Ainda assim,
eu insisto.
Minha voz resiste.
Porque quando uma mulher fala
fala por todas.
E mesmo que não alcance o infinito
ela encontra ecos
nos corações
de quem não desistiu da vida.
Minha voz é luta.
é ancestral
é fogo
é presente
é presença
é futuro.
Compromisso pela leitura
Na escola a missão é clara
Formar leitores de verdade
Não é tarefa isolada
Precisa de coletividade
Não se pode ser omisso
Cada um tem compromisso
Pra semear felicidade.
Docente lança a semente
Família ajuda a regar
A gestão cuida do solo
O leitor pode brotar
A verdadeira união
Que faz fértil todo chão
Para a vida transformar.
Ler é direito sagrado
Ponte pra transformação
Dar voz a quem se cala
É luz contra a opressão
Livro aberto é liberdade
Faz florir a equidade
E dá força à educação.
Corresponsável se entende
Que andar só não há futuro
E que formar bons leitores
Exige um pacto seguro
Fazendo a vida renascer
Com cidadão sabendo
Derrubamos qualquer muro.
Assim como a lua, a mulher é bela e cheia de fases.
Já o homem é como o Sol, é estável, não demonstrando nada, e guardando tudo pra si.
Da liberdade de amar
No meu peito carrego
A verdade que me guia
Sou mulher livre e inteira
Expresso em minha poesia
Não mendigo aceitação
Peço mesmo sua atenção
Exijo respeito a cada dia.
A orientação sexual
Não deve escandalizar
Amar alguém do mesmo sexo
Não é motivo para odiar
Pessoa como outra qualquer
Seja homem ou mulher
Deseja só viver e amar.
Ninguém precisa de aval
Nem da régua de outrem
Pra ser feliz como se é
Para amar e querer bem
Normal é se sentir leve
Ter alguém que se eleve
Não fingir o que convém.
Busquemos paz na convivência
Sem rancor, sem julgamento
Respeitar todas as formas
De amar e de sentimento
Se sua história é respeitada
Junto com a pessoa amada
Cresce junto o entendimento.
Todo dia é de orgulho
Não só quando manda a data
Ser humano é ter direitos
De forma firme e grata
O amor é parte da vida
Disso ninguém duvida
Seja uma pessoa sensata.
Sou gente como toda gente
De paz, coragem e de valor
Trabalho, luto e amo muito
Mesmo levando alguma dor
Não sou diferente em nada
Quando trata de ser amada
E viva o orgulho de ter amor.
Quem quer ir rápido vai sozinho.
Mas quem quer ir longe precisa escolher bem com quem caminha, nem toda companhia sustenta a travessia.
Liberdade vigiada
Minha voz não nasceu para o silêncio
Mas tentam calá-la
Com leis que servem ao poder
Com dogmas que não aceitam perguntas
Com costumes que se erguem
Como muros
Entre o direito de existir e eu.
Dizem
Não fale
Não questione
Não ouse
Não seja atrevida!
O medo é a corrente mais afiada
A prisão mais invisível
Usam-no como chicote
Fazendo de cada gesto de coragem
Um risco de punição.
Mas a palavra não se apaga.
Ela encontra frestas
Escapa pelas brechas do tempo
Grita em olhares
Se escreve nas ruas
Se levanta na boca de quem resiste.
Liberdade de expressão
Não é concessão de governantes
Nem favor de religião
Nem migalha de convenção social.
É direito de ser humano
De pensar
De discordar
De criar
De recriar
De questionar
De expandir
De viver sem algemas no pensamento.
Revoltante é saber que
A história repete seus cárceres
Vozes queimadas em fogueiras
Enterradas em ditaduras
Tantas hoje esmagadas
Em nome de ordem
De fé
De mercado.
Mas eu insisto em dizer
A liberdade é chama que não morre
Quanto mais tentam sufocá-la
Mais se espalha no ar
Mais vontade tem de se soltar
Mais cria coragem
Para chegar a outras mentes
Que criarão a mesma coragem
E gritarão.
E quem hoje se julga dono da verdade
Há de perceber
Cedo ou tarde
Que nenhuma força
Cala para sempre
A voz da humanidade.
No santuário do silêncio, o barulho quase sempre fica por conta das lágrimas — contidas ou derramadas.
Lá não há necessidade de palavras bem escolhidas nem de explicações convincentes.
Ali, o que fala é o que transborda — ou o que dói ainda mais para não transbordar.
O barulho fica por conta das lágrimas, contidas ou derramadas.
Porque até o silêncio tem um idioma próprio, e ele quase sempre é aprendido na dor.
Há lágrimas que escorrem sem pedir licença, e há outras que permanecem presas, não por falta de sentimento, mas por excesso dele.
Ambas fazem ruído suficiente para quem sabe escutar com a alma.
Não é fraqueza chorar em silêncio; é coragem permitir-se sentir sem a plateia, sem o espetáculo, sem a pressa de parecer forte.
No santuário do silêncio, Deus não se assusta com o som ensurdecedor das lágrimas.
Ele entende o que a boca não consegue formular e recolhe cada soluço invisível como oração.
Porque, quando tudo se cala ao derredor, o coração encontra espaço para falar — e o céu, para escutar e até responder.
Felizes os que choram, porque serão consolados!
Primeiro domingo do ano
Um dia para descansar
Viver bem com a família
Momentos pra se alegrar
Pior que passa tão ligeiro
Amanhã dia útil primeiro
Que voltarei a trabalhar
Não era compra
Eu não sei que gesto virou crime
nem em que ponto ajudar ganhou preço.
Só sei que estendi a mão
e alguém chamou isso de troca.
Não era ouro.
Não era dívida.
Não era laço invisível puxando retorno.
Era cuidado cru,
do tipo que nasce quando a gente ama
e vê o outro afundando
sem saber nadar por ele.
Não se compra afeto.
Não se negocia carinho.
Amor não aceita recibo
nem vem com prazo de validade.
Se dei, foi porque tinha.
Se ajudei, foi porque doía ver faltar.
Quem confunde presença com posse
nunca soube o peso de ficar.
Eu não quis ter.
Eu quis amparar.
E se isso virou suspeita,
que fique claro:
Pior que ser mal-entendida
é desistir de ser quem se é.
Te vejo em cada canto,
mesmo você estando em outro ambiente.
Me confundo: é real ou alucinação da minha mente?
Fecho meus olhos,
vejo os teus olhos brilhando.
Ouço a tua voz,
sinto-me ao teu tocar.
Teu perfume flutua no ar,
teu riso ecoa entre minhas lembranças.
E mesmo que não estejas aqui,
cada instante contigo parece viver em mim.
Eu sempre sorrio
quando sinto que vou chorar
Pergunto sempre o motivo,
mas perdido em encontrar
Acho que tem pergunta
que nem nasce,
para não ter
de se explicar
Um dia a dor se assentou
sem poesia e nem pudor falou:
gente não é tão bonita
quando tira o dom do amor
Esses telefones malditos
roubaram o olhar da mesa
todo mundo cheio de fala
e vazio de presença
Então já não vivo pra caber
no que esperam de mim
podem dizer que eu enlouqueci
mas foi lá fora que eu vi o fim
Chame do nome que quiser
dê o sentido que achar
cada um chama de verdade
aquilo que pode aguentar
E outra coisa ei de falar...
Se nem mesmo a sombra que me segue
anda igual à de ontem,
por que insistem em me ver igual?
Já cheguei ao meu trigésimo janeiro
sem troféu, nem carnaval
não sei se isso é conquista
ou só se é um ritual
Eu sei que nós já fomos melhores
ou só menos distraídos
tem tristeza que incendeia
e ainda mantém a gente vivo
E rico mesmo é quem tem tempo
o resto é ilusão
o mundo vende pressa
e cobra o coração
E como dizia nosso Kierkegaard
para todos que quisessem escutar,
Não é preciso dar a volta ao mundo
pra se encontrar no fim:
quem anda tempo suficiente
descobre casa dentro de si.
Nada a reclamar! Somente a agradecer! O ano que passou fechou com chave de ouro. Que neste ano os nossos planos virem diamante e que brilhem em nossos passos.
