Coleção pessoal de testeteste123
No Olhar do Sábio
No olhar profundo de um sábio, calmo e raro,
Não há respostas, nem um simples amparo.
Há um silêncio que é prece e é perguntas,
Onde o Eterno e o humano levantam suas pontas.
De um lado, o Homem, feito de terra e temor,
Com o peso na alma e um quieto fervor.
Do outro, o Infinito, a voz sem qualquer som,
Que desenha mundos no mais fundo dom.
É neste abismo, nesta fronteira estreita,
Que a alma se perde e, perdida, se aceita.
O sábio não fala, apenas contempla a trilha
Onde a alma e a razão, enfim, se encontram.
Não é um debate, nem um duro questionário,
É o suspiro da terra buscando o seu sólio.
É a mão que se abre, vazia e serena,
Aguardando a resposta que acalma ou que envenena.
No olhar do sábio, a dualidade cessa:
D'us e o Homem na mesma quietude acesa.
E quem o encara, por um instante breve,
Vê a ponte impossível que o silêncio tece.
Cristina Santana
Conduza os ofensores à compreensão do perdão, para que alcancem a reconciliação, a paz interior e a felicidade tão almejada.
As pessoas estão cada vez mais apressadas e sem paciência, presas à correria do dia a dia, esquecendo-se de ouvir, compreender e até de sentir. A pressa rouba a calma, e a falta de paciência afasta uns dos outros.
Seu mar pode virar felicidade; mas, seu rio deve ser constância, fidelidade, perseverança e retidão.
Epigrama
Bom é ser árvore, vento:
sua grandeza inconsciente.
E não pensar, não temer.
Ser, apenas. Altamente.
Permanecer uno e sempre
só e alheio à própria sorte.
Com o mesmo rosto tranquilo
diante da vida ou da morte.
Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
O que admite seus próprios erros e suas próprias falhas merece uma segunda oportunidade para ser readmitido e confiado.
