Coleção pessoal de testeteste123
Deus existe. Essa poderia ser a sentença ideal para iniciar um livro. Ou talvez: Deus não existe.
Qual delas prenderia mais a atenção do leitor?
Nada é simples assim. Nem uma, nem outra. Ambas são complexas, teses de difícil comprovação. No campo da fé, a primeira frase pode convencer com facilidade, sobretudo pessoas crédulas. Já a segunda talvez encontre terreno ainda mais fértil se o leitor for cético, agnóstico ou mesmo religioso sem convicção profunda. Em ambos os casos, não se trata de verdade ou mentira imediata, mas do lugar íntimo de onde o leitor parte. A frase inicial não prova nada; apenas revela quem lê.
Seguindo por esse caminho, este será o meu livro mais inquietante. Não porque eu nunca tenha tratado desse tema. Ao contrário, como filósofo, escrevi muitos livros que, de uma maneira ou de outra, trabalharam com essas duas possibilidades. Mas este é diferente. Ele nasce do lugar em que me encontro agora.
Para um leitor curioso, este livro será uma janela aberta para dois abismos. Duas escolhas, duas teses, duas possibilidades. Ainda assim, creio que será um trabalho penoso. Habitar o espaço entre esses dois polos, descer ao mais tenebroso caos para investigar, sob uma perspectiva dialética, questões que há milênios retiram a paz de homens e mulheres de alma profunda, exige coragem.
Se Deus não existe, estamos perdidos. Revoltados, em desespero total, sem nenhuma base para a esperança. Com essa afirmação, Deus não existe, enterramos a metafísica e já não necessitaremos buscar sentido nessa ciência frágil. Então, comamos e bebamos, surtemos e executemos todos os desejos carnais, certos de que não haverá julgamento nem punição moral após a morte, apenas o retorno ao pó.
Contudo, antes de concluir qualquer uma dessas afirmações, é preciso investigar a história de ambos os lados. As pessoas que acreditaram em cada uma dessas posições, o que as levou a sustentar tais teses e quais foram os resultados morais, sociais e históricos dessas escolhas.
Mas de onde partiremos, na corrente do tempo? Em que lugar cultural fixaremos nosso ponto de partida? Que história ou mito serviu para determinar o princípio de tudo? Seria ideal partir de uma crença específica, de uma tradição particular, ou isso seria um argumento frágil, sem credibilidade universal?
Se eu escolher o óbvio, o mito de Adão, não lograrei êxito com aqueles que não creem na tradição oral ou escrita dos judeus. Talvez, se optar por outro cerne, como a cultura africana, ainda assim enfrentarei sérios problemas para resolver essa questão inicial. O impasse persiste.
Contudo, é preciso definir um ponto de partida e seguir adiante. O atraso excessivo também é uma forma de recusa. O que me ocorre agora é outra possibilidade. Sugerir várias origens, vários mitos, várias tradições, e deixar a critério do leitor qual delas melhor lhe servirá.
Talvez não caiba a este livro impor uma origem, nem eleger uma tradição soberana, mas oferecer caminhos. Permitir que cada leitor escolha de onde olhar para o abismo. Afinal, a pergunta sobre Deus talvez diga menos respeito à resposta correta e mais à coragem de sustentar a pergunta.
Então, antes de fixarmos a mente no homem como ser racional ou como criação divina, levantemos os olhos. Olhemos para as estrelas.
Comecemos com um pouco de ciência. Observemos o universo não como metáfora, mas como fato. Sabemos hoje que ele não é estático. Expande-se. Galáxias afastam-se umas das outras, o espaço se dilata, o tempo carrega consigo a memória de um início violento e incompreensível. Houve um momento inaugural, que a ciência chama de Big Bang, no qual matéria, energia, espaço e tempo surgiram juntos, sem testemunhas, sem linguagem e sem propósito declarado.
A ciência descreve o como com rigor crescente. Fala de inflação cósmica, de forças fundamentais, de partículas elementares, de um universo que lentamente se organiza a partir do caos primordial. Mas permanece silenciosa quanto ao porquê. Ela mede, calcula, observa, mas não confere sentido. Talvez não seja essa a sua função.
É nesse ponto que a pergunta por Deus reaparece, não como afirmação, mas como hipótese extrema. Onde Deus caberia nesse projeto? Antes do início, como causa primeira? Como princípio organizador? Ou como invenção tardia de uma consciência assustada diante da vastidão e do silêncio?
Olhar para cima é um gesto filosófico. Diante da imensidão indiferente do cosmos, o homem percebe sua fragilidade e, ao mesmo tempo, sua singularidade. Somos poeira que pensa, matéria que pergunta, universo tentando compreender a si mesmo. Se Deus existe, talvez não esteja nos detalhes morais imediatos, mas nesse espanto original diante do infinito. Se não existe, o espanto permanece, talvez ainda mais cruel.
Todo evento, afirma a ciência, necessita de um observador, pois acontece em um ambiente, no espaço e no tempo. Essas condições são frágeis, mas reais. É dentro delas que algo pode ser reconhecido como acontecimento. Essa probabilidade científica, instável e limitada, talvez seja tudo o que temos para buscar algum sentido no estado das coisas físicas, materializadas. Fora disso, restam apenas hipóteses, silêncio e a vertigem de tentar compreender um universo que existe independentemente de nos perceber.
SEP
Sentimento que pulsa
em cada torcida,
Olho atento aos gramados, buscando glória,
Coração verde que jamais se rende,
Inspiração para os sonhos de vitória,
Ecos de hinos que atravessam gerações,
Dedicação que nasce
em cada jogador,
Amor que se veste
de verde e branco,
Determinação que
desafia o impossível,
Esperança viva em cada lance.
Energias que se unem em celebração,
Sonhos que se tornam
realidade a cada jogo,
Paixão que transforma
simples partidas em épicos,
Obra de história escrita em vitórias,
Resistência que honra cada camisa,
Torcida que canta sem parar,
Impetu que corre pelos campos,
Vibração que invade arquibancadas,
Alegria que explode a cada gol.
Paixão que vibra
em cada coração verde,
Amor que transcende
vitórias e derrotas,
Luz que brilha nos campos
e arquibancadas,
Memórias que ecoam
glórias eternas,
Energia que move torcidas e sonhos,
Inspiração que nasce a cada gol,
Resistência frente aos desafios,
Alegria que explode em cada canto,
Sonho de campeões que nunca se rende.
Se as pessoas pobres perceberem que sofrem demais para obter pouco prazer, então deixariam de existir, ou causariam uma revolução.
Quando a Barbárie Clama por Justiça: A Necessidade de Reconhecer os Maus-Tratos a Animais como Crime Hediondo
Fundado em argumentos jurídicos sólidos e irrefutáveis — especialmente diante da gravidade extrema da conduta, do elevado grau de censurabilidade social e da necessidade de reafirmação ética do Direito Penal — o Professor Jéferson Botelho propõe levar ao Congresso Nacional uma reflexão legislativa inadiável: a elevação dos crimes de maus-tratos contra animais à categoria de crimes hediondos.
A proposta repousa nos pilares constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, compreendidos não como instrumentos de leniência, mas como mecanismos de justiça material, aptos a proteger bens jurídicos sensíveis e a conter a banalização da violência. A crueldade contra animais não é um ato isolado ou menor; é, antes, um sintoma de degradação moral, um ensaio da barbárie e uma afronta direta à civilização jurídica.
Nesse sentido, a classificação dos maus-tratos como crime hediondo impõe consequências jurídicas compatíveis com a repulsa social que tais práticas despertam, dentre as quais: a vedação de fiança, a proibição de indulto, graça e anistia, a ampliação do prazo de prisão temporária para 30 (trinta) dias, bem como o endurecimento dos critérios para progressão de regime, em consonância com o sistema penal vigente. Trata-se de uma resposta estatal firme, necessária e pedagógica, destinada a romper o ciclo da impunidade e a reafirmar a centralidade da dignidade da vida — humana e não humana.
Mais do que punir, a proposta pretende educar, prevenir e civilizar, reafirmando que o Estado não pode ser indiferente à violência gratuita, sob pena de legitimar a crueldade como linguagem social aceitável. Onde o Direito se cala, a barbárie avança; onde o Direito se impõe com equilíbrio e firmeza, a sociedade se preserva.
A ansiedade nos prende à imaginação do sofrimento em infinitos amanhãs, rouba o presente e apaga a memória das milhares de lutas vencidas no passado.
Uma amizade leal é o maior e o melhor exemplo de um amor verdadeiro,você não continua por paixão,mas por respeito e sacrifício.
A Incredulidade
A incredulidade define a ausência de fé,
Se recusa em crer ou em se convencer.
É um estado de falta de crença e até
Um obstáculo para na vida vencer.
A falta de fé é uma dureza do coração,
É uma resistência à verdade.
A presença de fé supera desafios, então,
A fé não é uma vaidade.
Diferente da dúvida, que é uma fé fraca,
A incredulidade é a falta dela.
É uma qualidade de quem não se convence fácil
E se deixa levar por uma parcela.
A incredulidade é a recusa em crer,
Barreira à instabilidade emocional,
Limita as experiências pra valer,
A uma vida instável, modo substancial.
Acredita-se que a falta de fé rouba a paz,
Causa desânimo pessoal e leva à apostasia.
Afasta o indivíduo do seu propósito, aliás,
A paz roubada e a alegria.
Agora, a fé que Deus existe
É a crença firme, no coração,
Na existência de um Criador e consiste
Em amor, fundamentos e devoção.
Suas promessas são revelações divinas,
E vão além da necessidade de provas físicas.
Ela não é considerada uma ruína,
Nem aqui, nem no espaço físico.
Essa fé não é abstrata,
É uma convicção que transforma o ser,
Permite mover "montanhas" em tempo exato
Enfrentar dificuldades com a convicção e crer
Num propósito maior de fato.
Raimundo Nonato Ferreira
Fevereiro/2026
A imaginação é tão perfeita que o instante em que reconhecemos a sua distância da realidade marca o início da nossa lucidez. Furucuto, 2026
No dia em que corri atrás de alguém, confundiram-me com um cão. Hoje, decidi parar, não para seguir passos alheios, mas para apanhar os ossos que esse alguém deixou cair. Furucuto, 2026.
Aquele que tem ouvidos, ouça
Não foi a maldade que mais me feriu.
Foi o acordo silencioso.
Foi ver mãos limpas
assinando pactos sujos
com a desculpa de que
“não havia escolha”.
Foi a violência vestida de normalidade,
o horror usando crachá,
a crueldade sentada à mesa
falando baixo
para não incomodar.
Não foi o grito do tirano
que me dilacerou.
Foi o coro dos neutros
afinando o silêncio
por medo de perder lugar.
Eu vi pessoas boas
negociando a própria alma
em parcelas pequenas,
chamando de sobrevivência
o que já era rendição.
Vi a mentira virar método.
Vi o interesse virar ética.
Vi a conveniência ser chamada de prudência.
E ninguém sangrava visivelmente,
por isso diziam que estava tudo bem.
Mas eu senti.
No corpo.
No peito.
Na garganta que treme
quando tenta dizer o óbvio
e descobre
que o óbvio virou heresia.
A maldade não venceu porque era forte.
Venceu porque foi aceita.
Porque parecia útil.
Porque dava lucro.
Porque protegia quem fechava os olhos.
E eu, que não aprendi a cegar,
carrego esse peso estranho:
ver demais,
sentir demais,
e ainda assim continuar aqui.
Não me chamem de dramática.
Não me peçam calma.
Não me peçam silêncio.
Eu não falo apenas para não morrer por dentro.
Eu falo porque acredito
que a voz não nasce
para ecoar sozinha.
Eu falo na esperança
de que algum ouvido reconheça o som
como quem reconhece um chamado antigo
e descubra, perplexo,
que também tem voz.
Eu falo porque sei
que a coragem não começa no punho.
Ela começa no peito,
quando alguém decide
não se esconder mais atrás do medo.
Não quero exércitos.
Não quero tronos.
Não quero vingança
vestida de justiça.
Quero gente em pé.
Inteira.
Com o coração exposto
e a consciência desperta.
Quero que os justos se levantem
não para destruir,
mas para não ceder.
Não para odiar,
mas para não negociar a alma.
Que se levantem com amor —
esse amor difícil,
que não passa pano,
que não mente para proteger privilégios,
que não chama covardia de prudência.
Que se levantem com coragem —
não a coragem do grito,
mas a coragem diária
de dizer “não”
quando o mundo inteiro diz
“é assim mesmo”.
Se minha voz encontra um ouvido,
que esse ouvido vire voz.
Se essa voz encontra outra,
que vire coro.
Não um coro de guerra,
mas um coro de presença.
Porque o mal prospera no escuro,
mas treme
diante da lucidez
que não se deixa comprar.
Eu falo porque ainda espero.
E enquanto houver esperança,
há humanidade tentando nascer
outra vez.
Bateria viciada
aos poucos a minha bateria se esgota
com os anos a alegria sai pela porta
as vezes dormindo na sala de aula
recebendo indiretas sobre cabeça abaixada
não sei porque, mas minha cabeça está pesada
sinto como se nada fizesse sentido
sinto como de o mundo tivesse se extinguido
sinto como se estivesse do lado de fora
de uma tela pixelada, falando, não sai nada
os dias antes cada vez mais lentos
e ao relento me sento, esperando a rotina mudar
Eu te amo na profundidade onde os naufrágios viram tesouros e o tempo deixa de existir. Você é o meu azul mais profundo, o meu silêncio mais bonito.
Não tenha medo da pressão ou do escuro; meu amor é a água calma que te envolve onde ninguém mais consegue chegar. No fundo de tudo, somos só nós e a imensidão.
