Coleção pessoal de testeteste123
Fique com o que enargeia,
inunda, delicia e incendeia.
Escute o meu doce canto
amoroso de flor de Babaçu
em companhia do vento.
Entregue faça Sol ou Chuva
o que tanto pleno deseja
em meio a Mata dos Cocais,
entre nós o que festeja.
Minha bonita manhã solar
que ilumina e com doçura
tem invadido provando --
que para amar não é tarde,
e me acendeu a sensualidade.
Na Mata de Araucária
o meu coração é Pinha,
E tu és Gralha-Azul
alimentada espalhando
Pinhão na terra fértil
e austral do coração,
Não permitindo nada
nos pôr em inquietação.
Semeando o paraíso
com sedução refinada
para deixar faltar nada,
Mantendo empolgada,
para não deixar a desejar
[o que faz inequívoca]
e enlevada a iniciativa
d'alma toda extasiada.
Não é de ontem que
tenho dado com clareza
e gala inúmeras pistas
de natureza feminina,
Da sua parte o que falta
mesmo é só a iniciativa,
Não posso o que não sou,
se não vieres, jamais vou.
Lá no fundo eu já sabia
Lá no fundo eu já sabia
que teu silêncio falava mais alto que promessas.
Havia um aviso discreto no teu olhar,
como nuvem fina antes da chuva cair.
Lá no fundo eu já sabia
que teu toque vinha com prazo escondido, feito flor bonita que nasce apressada e já carrega o cansaço da despedida.
Mesmo assim, fiquei.
Plantei esperança onde o chão era raso, fingi não ouvir o estalo do coração rachando devagar por dentro.
Lá no fundo eu já sabia,
mas amar também é isso:
escolher sentir, mesmo atento ao fim, e chamar de verdade aquilo que doeu.
Na metade da vida, a gente descobre que o tempo não corre mais para a frente: ele começa a se despedir.
Em algum ponto da vida, percebi que cheguei longe demais para não saber exatamente como cheguei até aqui.
A família é o primeiro alicerce do ser humano. Quando esse alicerce falha, os filhos são forçados a se construir sobre um terreno instável.
Mais acredito em quem tem fé em Deus do que em quem se arvora em Deus.
Boaventura Bonfim
(Esta máxima foi publicada, como Bon Mot, na Coluna Lúcio Brasileiro, Jornal O POVO, Fortaleza-CE, quinta-feira 21 de julho de 2016, p. 18)
Não gaste energia para destruir o mal, pois a própria energia negativa do mal cuidará disso.
Boaventura Bonfim
(Esta máxima foi publicada, como Bon Mot, na Coluna Lúcio Brasileiro - Jornal O POVO, Fortaleza-CE, quarta-feira 27 de janeiro de 2016, p.6)
SOBRE O AMANHECER.
O amanhecer, essa transição solene entre o véu da noite e o advento da luz, ergue-se como um rito silencioso que convoca a alma à meditação. Quando o primeiro fulgor solar fende o horizonte, o mundo parece libertar-se de um longo torpor, e com ele despertam o ser interior e os pensamentos adormecidos. Nesse limiar quase sagrado, somos conduzidos à compreensão íntima do recomeço, não apenas na paisagem que se revela, mas no âmago das emoções que nos habitam.
Basta imaginar-se em um campo aberto, onde as sombras noturnas se retraem lentamente diante da claridade nascente. O ar, ainda fresco, carrega consigo uma promessa antiga, a de que todo início é possível. O amanhecer, então, deixa de ser mero fenômeno físico para tornar-se símbolo existencial. Assim como a manhã sucede a noite, o espírito humano também se vê muitas vezes oprimido por temores, frustrações e anseios acumulados nas horas sombrias da vida. Contudo, quando a luz se insinua, mesmo que tímida, revela-se a possibilidade de retomada e de reconstrução. O amanhecer convida à introspecção e exige uma revisão honesta do próprio caminho.
Há nele uma pedagogia discreta e profunda. Cada aurora recorda o valor dos instantes simples, frequentemente negligenciados, e questiona nossas prioridades, vínculos e aspirações. Tal como o sol que retorna diariamente sem alarde, também o ser humano guarda em si a capacidade de renascer, de enfrentar suas sombras internas e de dirigir o olhar a novos horizontes.
Esse renascimento não se apresenta isento de ambiguidade. Misturam-se a alegria do possível e a dor das memórias, as cicatrizes deixadas por dias antigos e a esperança que insiste em permanecer. O amanhecer nos lembra que cada dia traz desafios inevitáveis, mas também oportunidades silenciosas de amadurecimento. Sua beleza reside justamente na transitoriedade, nessa fragilidade que confere densidade e sentido à existência.
Na quietude da primeira luz, a introspecção torna-se inevitável. O amanhecer questiona sem palavras. O que verdadeiramente valorizamos. Quais sonhos ainda repousam no fundo do coração, abafados pela rotina ou pela ausência de coragem. Ele age como um conselheiro mudo, conduzindo-nos à busca de um significado mais profundo e encorajando-nos a acolher as incertezas do porvir com dignidade e firmeza interior.
Contemplar o amanhecer é permitir-se sentir a solenidade do instante. É reconhecer que antigos fardos podem ser deixados para trás e que novas esperanças podem germinar. À medida que cada raio de sol toca a terra, toca também a interioridade humana, reafirmando a possibilidade permanente de escolher a luz em vez da sombra. Assim, o amanhecer converte-se em emblema de renovação pessoal, oferecendo a cada dia a chance de viver com inteireza, amar com profundidade e buscar a autenticidade com coragem serena.
Nesse delicado jogo entre luz e escuridão, somos lembrados da beleza austera da condição humana e do poder silencioso que cada consciência possui de criar sentido em meio à complexidade da vida. O amanhecer deixa de ser apenas um evento natural e passa a espelhar a jornada interior de todo ser que pensa e sente. E a cada dia que nasce, renova-se também a oportunidade de reconectar-se consigo mesmo, de abraçar a existência com lucidez e de escrever, com sobriedade e esperança, mais um capítulo digno na longa narrativa do espírito.
Entrega Escrita
Com palavras corriqueiras, eternizo-me no teu agora.
Não faço sentido se não estiver escrito.
Lê-me, relê-me.
Lembra de mim quando pegares no papel.
Sou tua folha e tua tinta.
“Existe beleza em não conhecer as cercas religiosas, pois elas são cultura do cárcere.
Existe beleza na falta de crença: Deus não é crença, ele é.
Existe beleza no erro humano, não como falha, mas como autenticidade.
Existe beleza no feio que pintaram sobre ser feliz — escolher o que se deseja é admirável.
Existe horror em se negar.”
Não é o nome da universidade que gera conhecimento nos estudantes. Cada um deve compreender que, para ser um bom estudante, é necessária dedicação, e não a expectativa de que o prestígio institucional opere uma espécie de magia capaz de atribuir saber sem esforço. Em suma, não existe uma “melhor” universidade, no fim, tudo exige entrega e compromisso.
Furucuto, 2026
“A minha paz é o espaço onde eu existo por inteira; não permito que ninguém a roube, porque nada externo tem o direito de comandar a quietude que sustenta a minha vida.”
O maior problema dos que alugam o próprio juízo é seguir acreditando que ainda pensam com as próprias cabeças.
Há um silêncio curioso na mente de quem terceiriza o próprio juízo: o da ilusão de autonomia.
Acreditam pensar por conta própria, quando apenas repetem ideias decoradas, opiniões emprestadas, certezas embaladas para consumo rápido.
Alugar o juízo não exige contrato nem assinatura — basta abrir mão da dúvida, do desconforto de refletir e da coragem de discordar sem desrespeitar.
Em troca, recebe-se o conforto de pertencer, a sensação enganosa de clareza e um discurso pronto para qualquer ocasião.
O maior problema, porém, não é a dependência intelectual em si, mas a convicção de independência.
Pois, quem reconhece que não pensa, ainda pode reaprender.
Mas quem se julga livre enquanto ecoa vozes alheias, já não percebe as correntes que carrega.
Pensar de verdade cansa, isola e, às vezes, até dói.
Talvez por isso tantos prefiram alugar a própria cabeça — desde que possam continuar acreditando que ela ainda lhes pertence.
um desiludido, se trata do indivíduo que saiu da ilusão.
um desenganado, se trata do indivíduo que saiu do engano.
um disfarçado, se trata do indivíduo que saiu da farsa.
Pão com manteiga e café bem quente. vc sente a manteiga derrentendo com o café quentinho que realça o sabor do pão e tudo junto! Ter sensibilidade sensorial as vzs é bom.
