Coleção pessoal de testeteste123
"Cuidado, rapaz", ela soprou, num aviso que era quase prece, "quem tenta curar bicho ferido acaba com a pele marcada."
Mas eu sorri, com aquela minha estupidez deliberada.
Pois entre a linha da vida e a linha do coração,
eu li o que ela não teve coragem de dizer em voz alta:
que o meu destino não era chegar a lugar nenhum,
mas ser o porto de quem desaprendeu a navegar.
Os tempos e os fatos, vão e voltam,
levados pelas almas que encontramos no caminho.
Algumas, não devemos ver nunca mais...(pesares)...
E outras.... mantê-las sempre por perto...
Estou num processo, tenho de conquistar-me por inteiro, caso contrário, serei conquistado pelo mundo.
Estás a me encantar
Como se fosses um mágico
De amor falas sem medo
Do fim que pode ser trágico.
- Pekenah
Podes ser até trágico,
Já estou despedaçado,
Teu toque perfura, e encontra
O que ninguém jamais alcançou.
Não temo sair ferido,
Nem o corte que possa sentir,
Pois talvez da amizade
Um amor possa enfim surgir.
Mesmo que o mundo nos negue,
E a distância nos dilacere em silêncio,
Ainda assim, meu peito insiste
Em buscar teu coração, imenso.
E se o tempo nos for cruel,
Se a dor nos marcar como tatuagem,
Que ao menos reste a chama
De um amor nascido da coragem.
Entre o medo e a intensidade: amar de novo assusta
Estou tendo crises de ansiedade por causa do amor. Não exatamente do amor em si, mas do que ele carrega: o medo de não ser recíproco, o medo de depositar tudo na pessoa errada outra vez. Já aconteceu antes. A leonina levou minhas energias como quem apaga uma luz sem aviso e deixou o coração em pedaços, tantos que reconstruí-lo pareceu um trabalho manual, lento, quase solitário. Voltar a acreditar foi um ato de coragem silenciosa.
Agora existe a dúvida. E a dúvida cansa. O que sinto é real ou apenas um eco da própria carência? Ainda mais quando a escorpiana, dona absoluta dos meus pensamentos, mora a 888 quilômetros de distância. A distância cria fantasmas, amplia sentimentos, confunde certezas. O que parece destino às vezes soa como invenção da mente. E, ainda assim, algo insiste, como se o universo tivesse empurrado os fios do acaso e colocado tudo exatamente nessa linha tênue onde tudo pode ser verdade ou não.
Há também o excesso. Deposito demais, sinto demais, calo demais. As palavras se acumulam até virarem peso, e falar parece sempre um risco. Existe o medo de não ser aceita, de parecer intensa demais, emocionada demais. Mas isso não é um desvio de caráter, é essência. Sou de Aquário, sim, mas feita de extremos. Oito ou oitenta. Ou tudo, ou nada.
Escreves
Tuas palavras me encantam
Tua leveza me atrai
Não sei como resistir
A força de mim se esvai...
Escreves como um sábio
Que do amor entende tão bem...
Da vida e tudo ao redor falas
Mas és das paixões refém..
Queria dar-te o que procuras
Mas temo não te-lo em mim
Queres o amor que cura,
E eu afasta-lo enfim...
No amor já não acredito
Da paixão já me desvencilhei...
Hoje eu cultivo amizades
São melhores do que pensei.
- Pekenah...
Tua voz é música que dança no vento, Teus gestos, poesia que
toca o coração.
Em teu ser moram sonhos e encantamento, Um amor que floresce sem explicação.
Sei que contigo o tempo se faz leve,
e cada instante é lar que se eterniza.
Pekenah, contigo a vida se escreve,
teu coração gigante é minha brisa.
Teu olhar guarda o infinito,
como céu sereno que acolhe a alma.
Cada sorriso teu acende meu espírito, teu abraço é refúgio, tua presença é calma.
A chuva cai e traz teu rastro no ar,
O cheiro da terra molhada me lembra teu olhar.
Cada gota que toca o chão é um segredo teu,
Que meu coração guarda, silencioso, fiel.
O vento sussurra teu nome entre folhas e flores,
Misturando o aroma da chuva aos nossos amores.
Fecho os olhos e respiro teu abraço distante,
Sentindo que estás aqui, mesmo que hesitante.
O perfume da terra desperta memórias antigas,
Como o primeiro toque, o primeiro sorriso, as brigas.
Tudo se mistura, chuva, saudade e desejo,
Transformando a distância em um doce ensejo.
E assim, sob o céu cinza e molhado,
Meu coração te procura, meu corpo fica encantado.
O cheiro da chuva é ponte entre nós dois,
E cada gota caindo me lembra o que sou a sós.
Fica comigo nesta chuva que é só nossa,
Onde cada gota molha a alma e nos abraça.
Que o cheiro da terra, da chuva e do teu ser
Sejam lembrança eterna do que é viver e amar.
Os óleos das plantas misturam-se ao nosso querer,
Como se o mundo conspirasse só pra nos ver.
Meu coração pulsa no ritmo da chuva e do teu perfume,
E tudo se transforma em paixão que consome
Chove lá fora, mas dentro de mim chove mais,
O aroma da terra desperta o que ninguém mais faz.
É teu corpo, teu cheiro, teu calor escondido,
Que vem junto da chuva, silencioso, contido
MATÉRIA ESCURA E A CURVATURA DO COSMOS.
UMA ANÁLISE CATEDRÁTICA À LUZ DA ASTRONOMIA CONTEMPORÂNEA.
A compreensão do universo, desde o advento da relatividade geral em 1915, encontra-se estruturada sobre um princípio axial formulado por Albert Einstein. A gravidade não é força no sentido clássico newtoniano, mas expressão geométrica da curvatura do espaço tempo produzida pela presença de massa e energia. Tal concepção reformulou a ontologia física do cosmos e inaugurou uma nova era na astronomia teórica e observacional.
No entanto, à medida que a instrumentação astronômica se sofisticou ao longo do século XX, emergiu uma incongruência empírica que abalaria a suficiência do modelo visível da matéria. Observações sistemáticas das curvas de rotação galáctica, conduzidas por Vera Rubin, revelaram que as estrelas nas regiões periféricas das galáxias orbitavam a velocidades incompatíveis com a massa luminosa detectável. Segundo a dinâmica gravitacional clássica, tais estrelas deveriam desacelerar com o aumento do raio orbital. Contudo, mantinham velocidades aproximadamente constantes.
Essa discrepância conduziu à formulação do conceito de matéria escura. Trata-se de uma componente não luminosa, não bariônica na maioria das hipóteses, que interage gravitacionalmente, mas não participa das interações eletromagnéticas. Sua presença é inferida indiretamente por meio de efeitos gravitacionais em escalas galácticas e cosmológicas.
O modelo cosmológico atualmente dominante, denominado Lambda CDM, integra a constante cosmológica e a chamada Cold Dark Matter. Nesse paradigma, a matéria escura é composta por partículas frias, isto é, de baixa velocidade térmica no período primordial, permitindo a formação hierárquica de estruturas. Simulações numéricas reproduzem com notável precisão a teia cósmica, constituída por filamentos e aglomerados galácticos, cuja morfologia foi corroborada por levantamentos de grande escala e por dados da radiação cósmica de fundo obtidos pela missão Planck.
Entretanto, a ciência progride pela análise crítica de suas próprias tensões internas. Em escalas sub galácticas, surgiram inconsistências conhecidas como problema do núcleo cúspide e problema dos satélites ausentes. Simulações baseadas na matéria escura fria preveem halos densos com perfis centrais acentuados. Observações, por sua vez, frequentemente indicam distribuições mais suaves.
É nesse cenário que se insere a hipótese da matéria escura difusa ou ultraleve, frequentemente associada ao modelo denominado Fuzzy Dark Matter. Nesse quadro, as partículas hipotéticas teriam massas extremamente pequenas, comportando-se de modo ondulatório em escalas astrofísicas. O efeito quântico coletivo produziria halos com perfis de densidade menos concentrados no centro, potencialmente mais compatíveis com determinadas observações de lentes gravitacionais.
As lentes gravitacionais constituem uma das mais elegantes confirmações da relatividade geral. Quando a luz de uma galáxia distante atravessa o campo gravitacional de um objeto massivo intermediário, sua trajetória é desviada. A análise dessas distorções permite reconstruir a distribuição de massa total, inclusive aquela invisível. Estudos recentes de múltiplos sistemas de lentes fortes sugerem que a distribuição da matéria escura pode não ser inteiramente descrita pelo modelo frio tradicional, embora tais resultados ainda demandem confirmação estatística ampliada.
Cumpre enfatizar que nenhuma dessas investigações invalida a robustez do paradigma cosmológico vigente. O Lambda CDM permanece extraordinariamente bem sucedido na descrição da estrutura em larga escala do universo. Contudo, a prudência epistemológica recomenda abertura às revisões conceituais quando os dados observacionais assim o exigem.
A astronomia contemporânea encontra-se, portanto, em uma fase de refinamento paradigmático. O mistério da matéria escura não representa fraqueza da ciência, mas expressão de sua vitalidade metodológica. Investigar o invisível é aprofundar a própria noção de realidade física. Ao sondar as regiões obscuras do cosmos, a humanidade amplia os contornos do conhecimento e reafirma que a busca pela verdade científica é um labor contínuo de rigor, humildade e elevação intelectual.
O ar fresco carrega segredos e promessas, eem cada sopro, sinto teu perfume ausente.
Mesmo longe, a chuva nos aproxima,
como se o mundo inteiro respirasse nosso amor.
