Coleção pessoal de testeteste123
Na cisma maquinária da arrepsia
cada engrenagem é pergunta,
cada rotação, incerteza,
cada faísca, um novo abismo.
O véu da dúvida não se rasga,
apenas se multiplica em sombras,
e o pensamento, motor inquieto,
faz da vida um motor errante de interrogações.
Os que alugam a própria cabeça e continuam acreditando que pensam, são locatários intransigentes.
Habituaram-se tanto ao conforto das ideias prontas que já não percebem quando a chave da própria consciência mudou de mãos.
Pagam, todos os dias, o aluguel da convicção fácil: repetem palavras que não nasceram em si, defendem certezas que nunca examinaram e travam batalhas que não compreenderam.
Há uma estranha obstinação nisso.
Não é apenas ignorância — é apego.
Porque admitir que a própria cabeça foi sublocada a slogans, narrativas ou paixões coletivas exige um gesto raro: desalojar-se das próprias certezas.
E poucos suportam o incômodo de reformar o interior da própria mente.
Pensar de verdade é uma atividade tão árdua quanto cara.
Cobra silêncio, dúvida, solidão e, sobretudo, coragem para contrariar a mobília confortável das ideias fabricadas.
É mais fácil manter o contrato vigente com quem pensa por nós do que enfrentar o trabalho de habitar a própria consciência.
Por isso, os locatários costumam ser intransigentes: defendem o imóvel como se fosse propriedade.
Aderem gratuitamente à Guerra Palavrosa: gritam, atacam, desqualificam — tudo para não correr o risco de descobrir que nunca foram donos daquilo que juravam pensar.
No fim, a tragédia não está apenas em alugar a cabeça vazia.
Está em viver nela como se fosse casa própria, sem jamais suspeitar que o contrato sempre esteve noutras mãos.
CASTELO DE SONHOS
(O despertar do tempo)
A menina, até hoje,
brinca com sua boneca de pano.
Com seu sorriso indulgente,
desabrocha no jardim da vida
pétalas em flor...
Em seu castelo pueril,
observa agora, atentamente,
suas mãos enrugadas
e as marcas de expressão
no rosto que ficou...
Mas ela continua sonhando,
convicta, que o tempo não parou.
Lu Lena / 2026
Ao utilizarmos diferentes espécies animais em estudos laboratoriais para encontrar tratamentos para nossas enfermidades, nos tornaremos uma espécie progressivamente mais doente por merecimento.
"Embora o mundo acredite que somos tudo o que pensamos, eu acredito que somos tudo aquilo que fazemos; são as nossas práticas que nos caracterizam, e não os nossos pensamentos."
Há um inverno em mim,
triste como o silêncio das estrelas.
O calor amarga,
mas o frio é canto que consola.
Que estranha oposição,
como se o tempo fosse espelho quebrado.
Não é ausência de amor:
é apenas o pouco que resta,
esmola de eternidade.
Não tenho amigos mais importantes que outros; cada um carrega em si um exemplo de dignidade. São páginas vivas da minha história. Aprendo, estimo e preciso de todos eles.
Benê Morais
"Reflexão de vida"
"Ninguém inveja o fraco, o medíocre ou quem não produz nada. Afinal, árvore que não tem frutos não chama atenção."
@Suédnaa-Santos.
Lixão da Saudade:
Vossa tristeza chegou ao fim
Comprovou-se que o infinito tem fim
E que existe outro infinito que não existe fim
Mas existem tipos de tristezas que nos comprovaram diversos boatos da vida
Existe tristeza que se foi Existe tristeza que ainda não se foi
Mas a saudade, é ferida que arde a alma
E ela ainda tem seu reflexo num lixão
E quando ela volta
Ela contra-ataca com imensa vontade
Dessa vez, o infinito não vence
Mesmo com ajuda
Quando se envolve em meus braços
Podem ter infinitas lógicas
Mas quando se trata de saudade
Ela é nunca infinita
Se oferecerem para ela 5000 átomos
Ou um emprego na Via Láctea
A saudade ainda se recusa
Pois o infinito ainda permanece por lá
Ausente:
Tu não podes deitar em meu corpo
A minha mágoa me deixou ausente
Totalmente ausente
Tu não sentes mais a minha voz
Tu não sentes mais a minha presença
Mas é porque eu estou ausente
Apenas de você
A gota é normal
As lágrimas são comuns
Mas para você, a ausência foi aprovada
As vezes, tu podes sentir... nódoas de orvalho
Eu colhi todas as flores e as plantei em um outro jardim
Tu és proibido de ver minha face
A minha névoa já não é mais presente em vosso âmago
Fui embora de veleiro
Pois não aguento narcisismo
A traição me traz á reflexão
Das carnes podres até as carnificinas
Mas daqueles que nos fizeram de funcionário
O atendente denuncia de vez
Amor de Lareira:
Eu sei o que é amar
Eu sei o quão bom é amar
Amei muito mais do que um ser
Chovia
Senti que a angústia me transformava em ácaro
Mas quando senti o amor, tudo foi como lareira
Quando apareceu vossa pintura
O infinito se formou
A felicidade virou palavra-cruzada
Amor de lareira
Circulando dois cantos meus
Rondando mais dois cantos meus
E me cercando em dois elementos
Água e fogo
Na lareira e aquecedor, a relação de um casal
