Coleção pessoal de testeteste123
Há que se ponderar que ninguém é Odiado nem Amado por todos, como se tenta sustentar a Opinião Pública.
A opinião pública, quase sempre, é vendida como se fosse uma entidade sólida, homogênea, unânime — uma espécie de tribunal invisível que já teria chegado ao seu veredito final sobre pessoas, ideias e acontecimentos.
Mas basta um olhar menos apressado para perceber que essa suposta unanimidade costuma ser muito mais barulhenta do que verdadeira.
O que se chama de “todos” raramente é todos; na maior parte das vezes, é apenas o recorte mais estridente de uma parcela que conseguiu transformar sua voz em aparência de consenso.
Nenhum ser humano é simples o bastante para ser amado por todos, nem desprezível o bastante para ser odiado por todos.
A própria complexidade das relações humanas desautoriza esse tipo absurdo de sentença absoluta.
Quem hoje é exaltado por muitos, inevitavelmente será incompreendido, criticado ou rejeitado por outros.
E quem hoje é alvo de repulsa coletiva, ainda assim encontrará, em algum canto, quem enxergue nuances, contradições, contextos ou mesmo humanidade onde a multidão só quis despejar rótulos.
O problema é que a opinião pública contemporânea não se contenta com a discordância; ela tem fome de totalidade.
Ela não quer dizer que alguém é controverso, quer decretar que alguém é unanimemente admirável ou integralmente detestável.
Porque os extremos são mais fáceis de consumir.
Eles dispensam reflexão, economizam complexidade e oferecem ao público a ilusão confortável de pertencer ao lado certo da história sem o incômodo de pensar demais.
Só que a realidade não se curva tão facilmente à teatralidade dos julgamentos coletivos.
As pessoas carregam Grandezas e Misérias ao mesmo tempo.
Podem ser sinceramente admiradas por algumas virtudes e legitimamente criticadas por falhas graves.
Podem despertar amor em certos corações e repulsa em outros, sem que isso constitua contradição alguma.
Contraditório, na verdade, é imaginar que a experiência humana possa ser reduzida a uma votação emocional universal.
Talvez uma das maiores fraudes do nosso tempo seja justamente essa fabricação de unanimidades artificiais.
Não para revelar o que as pessoas de fato pensam, mas para constranger quem pensa diferente.
Quando se repete que “todos amam” ou “todos odeiam”, o que se tenta impor não é uma constatação, mas uma pressão.
É a tentativa de transformar percepção em obediência, sentimento em manada, juízo em reflexo condicionado.
Pensar com honestidade exige romper esse feitiço medonho.
Exige entender que a aclamação coletiva pode ser só euforia passageira, assim como a rejeição coletiva pode ser apenas a febre moral de um tempo doente por certezas fáceis.
Exige, sobretudo, maturidade para reconhecer que a humanidade não cabe nessas molduras brutais de amor ou ódio absoluto.
No fundo, talvez o que mais distorce a opinião pública não seja a existência de divergências, mas o esforço constante para apagá-las em nome de narrativas convenientes.
E é justamente aí que mora o perigo: quando a pluralidade real dos afetos humanos é sacrificada para sustentar a ficção de que todos sentem o mesmo.
Porque sempre que tentam nos convencer de que alguém é amado ou odiado por todos, talvez estejam menos descrevendo o mundo e mais tentando domesticá-lo.
A desenfreada indústria de consumo, ora de produtos de marcas famosas que geralmente custam fortunas e acompanhando de toda acelerada e avassaladora, dos produtos de uso tecnológicos, e como meio compressor a avalanche de propagandas pela internet, sem medida e sem uma legislação limite, entorpece de forma grave, a mente dos usuários mais novos. Em contrapartida, cada vez menos oportunidades de trabalhos, com ganhos satisfatórios para participar deste mercado ilusório de altos consumidores e falsos poderosos. Dentro deste paradigma inatingível, a submissão independente do gênero, convidativa, passa a ser a curto prazo, a única saída. A submissão para crescer e com isto, se corromper e poder usufruir mesmo que de forma indireta, de um pequeno pedaço do bolo.
Raízes do Fogo
Eles nasceram no mesmo sopro,
mas em margens que o destino rasgou.
Dois nomes escritos na mesma chama,
condenados ao nunca que o tempo selou.
Ela carregava o sol nos olhos,
um incêndio manso na pele a arder.
Ele era noite em silêncio profundo,
um abismo bonito de se perder.
Toda vida, o mundo os refazia,
em outros corpos, em outros lugares,
mas sempre havia algo entre eles ..
Um fio invisível… e mil altares.
Se cruzavam por um segundo apenas,
num toque que quase chegou a existir,
e o universo, cruel e preciso,
tratava logo de os dividir.
Era amor antes do nome,
antes da carne, antes da dor,
uma raiz cravada no tempo
que nem a morte arrancou.
Mas havia a maldição... Sempre ela...
Como um sussurro preso no ar:
“Vocês podem nascer mil vezes…
mas nunca vão se encontrar.”
E ainda assim, em cada vida,
algo neles insistia em lembrar:
um calor no peito, um vazio estranho,
um quase… que não sabia explicar.
Porque o amor deles não era escolha,
era destino em combustão —
um fogo que arde sem nunca tocar,
raízes presas na mesma escuridão.
E se um dia o erro do mundo falhar,
se o tempo esquecer de separar,
talvez o fogo encontre o próprio caminho…
e finalmente aprenda a queimar.
Livro: @luccisantz by wattapd
Quatro Rotas
Não foi falta de caminho.
Foi excesso de mim em lugares que não sabiam ficar.
Eu fui mar aberto
pra quem só sabia ser raso.
Fui estrada longa
pra quem cansava na primeira curva.
Fui casa
pra quem nunca soube morar.
E ainda assim… Eu fui.
Quatro rotas.
Quatro versões de partida.
Nenhuma delas me levou de volta.
Porque dessa vez
eu não me perdi...
Eu me encontrei no exato ponto
onde decidi não voltar.
Levei comigo o que doía,
deixei pra trás o que pesava.
E segui.
Sem mapa,
sem promessa,
sem você.
Eu senti sua falta o dia todo.
E todo o dia penso em você..
É uma agonia silenciosa a me devorar,
Um colapso do tempo onde apenas a tua imagem ousa reinar.
Tudo ao redor se reduz a pó, a uma nulidade contínua,
Enquanto minha mente naufraga, num salto cego, para te alcançar.
O cotidiano tornou-se um mero ruído de fundo, um rascunho sem cor. Entorpecido pela tua ausência, percebo que não possuo mais o domínio sobre mim mesmo; meus pensamentos foram tomados pela ideia magnífica da tua essência. Há uma insônia crônica na minha alma, uma vigília constante por alguém que está além do meu alcance físico.
A ciência poderia chamar isso de obsessão, a filosofia talvez classificasse como loucura, mas para mim é o único estado de espírito digno de quem encontrou o verdadeiro sentido de amar.
Descobri que a pior das distâncias não é a geografia implacável que nos separa, mas o espaço tortuoso entre o meu desejo de te pertencer e a impossibilidade do teu toque.
Ainda assim, tentar fugir desse pensamento seria um sacrilégio à minha própria essência. A saudade, que para a maioria dos homens é um mero castigo, para mim ergue-se como a prova irrefutável de que, enfim, despertei. Pois a dor cortante de não te ter agora é infinitamente mais sublime do que a paz inerte e cinzenta de jamais ter cruzado com a tua existência.
E assim me deito, entregue ao desamparo,
Esperando que os sonhos ousem transpor
Esse abismo terreno, cruel e avaro,
Para enfim te encontrar, meu imaculado amor.
"Aos olhos de Deus, somos feitos de barro. A mão do Altíssimo nos molda como vasos, segundo a Sua vontade; mas isso também depende das escolhas e do estilo de vida que decidimos levar com Cristo Jesus. Enquanto semeamos nossas ações como agricultores, Deus age como o oleiro que nos molda através da fé. Aquele que crê sem ver alcançará a graça divina, lembrando sempre que é o amor ao próximo que nos sustenta."
