Coleção pessoal de testeteste123
Silencie o ruído do mundo e desça com calma — dentro de você não há pressa, só profundidade… e ali, encontrará todas as respostas.
Ouça músicas antigas — nelas, o tempo desacelera, a alma se reconhece, e você descobre que algumas partes de você nunca envelhecem.
A hipocrisia atinge seu ápice quando a pseudo-solidariedade vira espetáculo, e a miséria alheia é usada como ferramenta de autopromoção
Entre dois mundos
Não sou do tipo “normal”.
Mas eu sempre tive histórias
que não cabem no comum.
Logo depois da adolescência,
vivi algo que nunca esqueci.
Acordei…
ou achei que acordei.
Levantei da cama
e caminhei até a porta do quarto.
Tentei abrir.
Uma vez.
Duas.
Várias…
Nada.
Foi então que, sem entender,
olhei para trás —
e me vi.
Deitada.
Dormindo.
Havia duas de mim no mesmo espaço:
uma presa no corpo,
outra presa no quarto.
Me aproximei devagar…
como quem teme atravessar um espelho.
Tentei me acordar —
toquei, chamei…
mas era como tentar alcançar o vento.
Voltei até a porta.
Insisti mais uma vez.
Nada.
Então desisti.
Voltei para a cama.
Sentei ao meu lado
e, meio irritada, meio rendida, falei:
— Já que não consigo sair…
vou ficar aqui,
esperando você acordar.
E esperei.
Sem saber o que havia lá fora,
sem saber se alguém poderia me ver,
sem saber, sequer,
onde eu realmente estava.
Depois…
acordei.
Como se nada tivesse acontecido.
Mas, aos poucos,
as lembranças foram voltando —
como ecos de um lugar
onde ainda existo.
Nunca entendi
por que fiquei presa naquele dia.
Mas entendi outra coisa:
eu vou.
Vou a lugares,
tempos,
dimensões…
E, às vezes,
nem preciso estar dormindo.
Sempre vivi
entre dois mundos.
E, por muito tempo,
tentei negar isso.
Fingir.
Me encaixar.
Ser outra.
Hoje, não.
Outro dia, disse
a uma das minhas Pessoas Favoritas:
— Eu sou assim.
Ou me aceita…
ou não.
Ela ficou.
E, desde então,
não questiona mais —
admira.
Talvez porque, no fundo,
todo mistério só assuste
até encontrar
quem não tenha medo de olhar.
E eu aprendi:
não existe calmaria
sem a coragem da verdade.🌙
Recomeçar exige intenção. Exige baixar as defesas, deixar o orgulho de lado… e escolher cuidar outra vez.
Ainda existe caminho quando alguém decide, de verdade, ouvir.
Ouvir não só palavras… mas o que ficou guardado nelas.
Busquei na sombra
sob o Sol sem conta
andar nos labirintos
da atenção sentimental,
Nos muros coloridos
encontrei e desencontrei,
Porque na verdade a cor
que preciso está no olhar
mais lindo jamais visto,
e por ele o coração está
completamente rendido.
É essencial desenvolver sensibilidade para perceber o que não está sendo dito.
Nem todo silêncio é paz. Às vezes, ele é um pedido não ouvido.
O bem deve ser lembrado com carinho.
O mal deve ser lembrado com sabedoria.
Assim a pessoa caminha pela vida sem ingratidão… e também sem ingenuidade.
Pequena reflexão no conhecimento de um velho cigano:
“Meu filho, na estrada da vida a gente não esquece quem nos deu água quando tínhamos sede. Mas também não esquece o buraco que quase fez a roda da carroça quebrar. Gratidão para os bons… e prudência para os demais.”
O existir pressupõe o não existir. Tudo o que existe já não existiu e tudo o que não existe já
existiu.
A fé não apaga a dor, mas transforma o caminho.
É a mão de Deus segurando a nossa, enquanto a alma aprende, devagar, a respirar de novo.
Deus conhece cada lágrima que cai no seu travesseiro… e Ele não tem pressa de te ver sorrindo. Ele só fica ali, com você, até que o seu coração, bem devagar, encontre um novo jeito de seguir.
O luto, no fundo, é o amor que continua existindo... só que agora de um jeito que a gente ainda está aprendendo a lidar.
Tem gente que acha que o problema é o lugar, as pessoas, o ambiente. Mas nem sempre é isso... Às vezes, você muda tudo ao redor… e mesmo assim continua se sentindo preso. Porque não adianta trocar de cenário se por dentro nada mudou. Você até tenta recomeçar, mas acaba vivendo as mesmas coisas de novo. O que precisa mudar não é onde você está, é quem você está sendo. Quando isso muda, tudo começa a mudar junto.
