Coleção pessoal de testeteste123
Quando nasci, recebi uma vírgula; hoje tenho uma biblioteca, mas ainda posso viver bem apenas com a vírgula.
Entre desejo e vício, a diferença muitas vezes está apenas na intensidade: um limita os passos; o outro aprisiona a alma.
Algumas milhares de vezes,
você volta pra casa sem nenhum centavo,
mas com uma certeza,
que no seu bolso não entrou nenhum real,
de modo vergonhoso e nessas vezes,
você vai deitar e dormir tranquilo!
Mais perfeito que uma tarde de chuva,
é uma noite, uma madrugada e um dia todo,
ouvindo a voz de DEUS nos ouvidos,
do coração!
A Gramática do Invisível
Há cidades que nos ensinam sem jamais assumir o gesto da lição. Elas não explicam: insinuam. Não se impõem: atravessam. Paris e Lisboa chegaram a mim desse modo — não como destinos, mas como experiências de deslocamento interior, como geografias capazes de reorganizar silenciosamente a maneira de ver, de sentir e, sobretudo, de compreender o que significa comunicar.
Durante muito tempo, a comunicação me pareceu associada ao domínio da linguagem explícita: a palavra precisa, a ideia bem articulada, o discurso capaz de nomear o mundo com clareza. Mas viver entre culturas distintas me fez perceber que o essencial quase nunca se apresenta de forma imediata. O que mais nos marca raramente é aquilo que se anuncia em voz alta. É, antes, o que vibra naquilo que não se explica por inteiro: o ritmo de uma rua ao entardecer, o rumor de uma conversa entre taças, a pausa respeitosa entre uma fala e outra, a beleza quase moral de um espaço pensado com delicadeza, a intimidade inesperada entre arte, cotidiano e presença.
Foi assim que compreendi que comunicar é também trabalhar com o invisível.
Em Paris, aprendi que a forma não é superfície: é pensamento incarnado. Há uma seriedade no trato com a beleza que transforma a estética em linguagem profunda, em ética do detalhe, em disciplina do olhar. Nada parece gratuito. Cada vitrine, cada café, cada livro aberto no metrô, cada refeição convertida em rito sugere que viver também pode ser um exercício de composição. A cidade parece lembrar, a todo instante, que o refinamento não é excesso, mas escuta; não é luxo vazio, mas uma forma de atenção. Em Paris, entendi que a sensibilidade não é adorno intelectual — é instrumento de leitura do mundo.
Lisboa, por sua vez, me ensinou outra espécie de sofisticação: a da pausa, da memória, da delicadeza sem ostentação. Há ali uma sabedoria do tempo que não se submete à pressa. Uma pedagogia do encontro. Como se a cidade soubesse que a verdadeira presença exige intervalo, respiro, contemplação. Lisboa não apenas acolhe: ela demora. E, ao demorar, revela. Foi nesse tempo mais largo que compreendi que há uma eloquência inteira no que não se acelera, e que ouvir com os olhos — perceber o que vibra no ambiente, nos gestos, nos silêncios — é uma das formas mais raras de inteligência relacional.
Nesse percurso, a gastronomia deixou de ocupar para mim um lugar acessório ou meramente sensorial. Ela se revelou linguagem plena. Um prato não é apenas alimento: é cultura tornada gesto, memória convertida em matéria, afeto organizado em forma, narrativa servida em camadas. Há um discurso inteiro na escolha dos ingredientes, no modo de servir, na cadência entre os tempos de uma refeição, naquilo que se oferece e naquilo que se preserva. Comer, em certos contextos, é participar de uma gramática afetiva e simbólica. É ler um povo pelo paladar, pela hospitalidade, pela relação que estabelece entre tradição e invenção, entre o que se herda e o que se recria.
Talvez por isso eu tenha entendido, de maneira mais funda, que a comunicação não acontece apenas no conteúdo das mensagens, mas na experiência que as sustenta. O que nos toca não é somente o que é dito, mas a atmosfera em que algo é dito. Não é apenas a informação, mas a densidade sensível que a envolve. Não é só a narrativa, mas o mundo de percepções, referências e presenças que a torna crível, viva, memorável.
Essa percepção atravessa profundamente a profissional que me tornei.
Como jornalista, aprendi a reconhecer que a verdade de um relato não reside apenas na exatidão do fato, mas também na qualidade do olhar que o enquadra. Como editora-chefe, compreendi que editar não é apenas selecionar ou organizar: é compor sentido, estabelecer ritmo, criar tensão e silêncio, permitir que a leitura respire. Como estrategista de comunicação, percebi que nenhuma construção narrativa alcança profundidade se não estiver enraizada em repertório, escuta e humanidade. Estratégia, quando dissociada da experiência sensível, torna-se fórmula. Sensibilidade, quando dissociada da estrutura, dissolve-se em impressão. O trabalho maduro nasce do encontro entre rigor e delicadeza, entre arquitetura e intuição, entre clareza e mistério.
Hoje, penso a comunicação como quem pensa uma mesa, uma edição, uma travessia estética. Comunicar é escolher o tom, mas também a temperatura. É decidir o que se mostra, mas sobretudo o que se sugere. É compreender que toda narrativa, para ser verdadeiramente potente, precisa mais do que eficiência: precisa de espessura humana. Precisa de mundo vivido. Precisa de repertório que não venha apenas dos livros — embora eles sejam indispensáveis —, mas também das cidades, dos encontros, dos deslocamentos, dos estranhamentos, daquilo que nos obriga a sair de nós para voltar a nós com maior consciência.
Talvez seja isso que os intercâmbios me deram de mais valioso: não apenas lembranças, referências ou experiências acumuladas, mas uma outra densidade de percepção. Uma nova relação com o tempo, com o espaço, com os signos do cotidiano. Um entendimento mais fino de que comunicar é, antes de tudo, saber perceber. E perceber exige presença. Exige cultivo interior. Exige repertório não como exibição, mas como profundidade.
No fim, não se trata apenas de informar, convencer ou projetar uma mensagem no mundo. Trata-se de criar condições para que algo permaneça. Para que o outro não apenas compreenda, mas sinta. Para que uma ideia não atravesse apenas o intelecto, mas encontre morada no imaginário. Porque a comunicação mais rara — e talvez a mais necessária — é aquela que toca sem invadir, que marca sem gritar, que permanece sem se impor.
É aquela que, como certas cidades, certos livros e certos sabores, continua a ressoar em nós muito depois de ter acontecido.
Hoje eu acordei pensando em Ti, Jesus, e percebi o quanto o Senhor é maravilhoso, sentir uma vontade de falar contigo e te dizer o quanto para mim és precioso.
A sua essência exala como o perfume das pétalas de rosa; e, junto à sua beleza e delicadeza, revelam-se também os espinhos guardiões da sua força, que a capacitam a enfrentar os desafios da vida com elegância e firmeza.
Na vida, perde-se e ganha-se o tempo todo; algumas perdas nos aliviam, e certos ganhos nos tornam pesados demais.
O mundo nada nos prometeu e nada nos deve; ainda assim, é em meio às suas turbulações que nos revelamos a nós mesmos. Viva.
Durante o meu caminhar pela trilha da vida,
cruzei com muitos rostos,
e nem todos tinham luz.
Encontrei a pessoa fofoqueira,
que teceu sombras sobre o meu nome.
A pessoa esperta,
que viu em mim uma oportunidade de vantagem.
A pessoa maldosa,
que fez do meu sentir um campo de ferida.
A pessoa arrogante,
que tentou me diminuir para se engrandecer.
A pessoa tola,
que colocou à prova a minha bondade e a minha paciência.
A pessoa raivosa,
que quis incendiar em mim o fogo que a consumia.
A pessoa prepotente,
que desafiou a minha razão.
E a pessoa invejosa,
que, na tentativa de me destruir,
revelou apenas a própria escassez.
Mas, em meio a todos esses encontros,
eu nunca estive só.
Havia sempre uma presença silenciosa
e firme, uma pessoa moderada,
que continha os meus impulsos
quando o mundo me empurrava
para o abismo da reação.
Uma pessoa de boa índole,
que transmutava a maldade recebida em aprendizado e força.
Uma pessoa sábia,
que me guiava com lucidez
nas encruzilhadas das decisões difíceis.
Essa pessoa me segurou
quando eu poderia ter me perdido.
Me ensinou
quando eu poderia ter endurecido.
Me elevou
quando tudo parecia querer me rebaixar.
E hoje, ao revisitar as páginas vivas
da minha própria história,
eu a reconheço com clareza e reverência,
essa presença constante,
essa guia silenciosa,
essa força que nunca me abandonou
sempre fui eu, simplesmente Eu.
✍©️@MiriamDaCosta
“Os óculos empoeirados mostram o mundo torto — lembrando que nem sempre vemos com clareza o que está diante de nós.”
Deus é espírito divino sem substância criada; o espírito humano tem substância, pois Deus o cria não de si mesmo, mas por sua palavra, que cria do nada a matéria.
“Na chama do fósforo, o escuro treme — e aprendemos que até a menor luz pode revelar medos que ignoramos.”
