Coleção pessoal de testeteste123
Cada decisão é um salto no invisível, uma escolha que ecoa além do que os olhos conseguem prever. Não são as regras externas que definem um homem, mas a fidelidade silenciosa aos princípios que ele sustenta quando ninguém observa. Há uma justiça que não se escreve em códigos, mas no íntimo de quem escolhe o certo mesmo quando custa. Ser inteiro é assumir esse lugar, como quem entende que cada escolha carrega o peso de algo eterno.
- Tiago Scheimann
O termo 'contribuinte' é o eufemismo que o Estado utiliza para apaziguar os ânimos de quem ele enxerga como um escravo a ser expropriado.
A arte perdida de seguir em frente sem explicações.
Apenas siga e deixe que as pessoas presumam o que quiserem.
O resto é interpretação alheia.
Não o mundo (pessoas) está contra mim, mas o universo mesmo. Tudo está conspirando contra minha pessoa, e quanto mais eu me esforço pra ser melhor, mesmo o meu intelecto JÁ sendo superior a de todos a minha volta, mais o universo conspira contra mim.
Bailarino Exemplar
As lágrimas já secaram.
O sangue já parou de jorrar.
Não havia mais a dor.
Sentir era algo tão distante
que já não se lembrava mais
como era chorar,
como era sangrar,
como era se doer,
não se lembrava como era sentir.
Mesmo assim
continuava a rodopiar na ponta dos pés —
pés?
Se quer havia pés?
E não sabia,
apenas dançava.
Dançava com vaidade,
aquela vaidade
que não respeita a vida,
muito menos a consequência da morte.
Era oco.
Muito oco.
Tão oco que não sabia o porquê dançava.
Bailarino Exemplar,
suas sapatilhas já gastas
de tanto arrastarem no chão,
todos seus 20 dedos já machucados.
Bailarino Exemplar,
sua carne já se apodreceu,
seus sentimentos,
suas angústias,
suas memórias —
tudo que é doce
Bailarino Exemplar tinha
foi enterrado junto a sua alma.
Mesmo assim dança,
e como dança!
Rodopie mais, Bailarino!
Já que foi a única coisa que lhe restou.
Doce e terna
vaidade das vaidades.
O amor que deixei ir era a minha liberdade, mas eu estava ocupada demais tentando curar quem não queria ser curado.
Franquia não é sobre comprar uma marca, é sobre assumir a responsabilidade de fazer um modelo funcionar.
A solidão não é ausência, é encontro. É o território onde todas as máscaras caem e a alma se vê obrigada a se reconhecer sem disfarces. No deserto da própria presença, algo começa a nascer em silêncio, como uma voz antiga que sempre esteve ali, aguardando ser ouvida. Não fuja desse lugar, há um tipo de luz que só se revela a quem permanece. O vazio, quando abraçado com coragem, deixa de ser abismo e se torna solo fértil para aquilo que transcende o próprio entendimento.
- Tiago Scheimann
No Centro do Caos, Nós
Pensando aqui… aqueles que estão no poder não têm poder; são apenas figuras meramente ilustrativas. De um lado, humanos agindo como demônios; do outro, demônios tentando ser humanos — e, no centro, estamos nós.
Nosso mundo está infestado de máscaras. Há, assim, muitos “mortos” se deliciando no mundo dos vivos, tentando corroer a decência humana. E eu, aqui, sigo no meu próprio ritmo, mesmo que, muitas vezes, precise enxugar o choro ao presenciar tantas injustiças.
E como não falar das vezes em que, escondida nas entranhas do universo, está lá a senhora mentira, representando os desejos não realizados de muitos? A nossa luta é tão intensa que, de repente, nos vemos como sombras escondidas na luz. O cansaço domina, e então paramos — não porque nos faltem armas, mas por falta de esperança, por duvidarmos se ainda vale a pena.
E, com isso, a vida de cada um vai passando lentamente por entre nós, provando que, mesmo assim, em sua perfeição imperfeita, a vida é linda… e vale, sim, vale muito a pena.
O poeta contra o tempo
Diante da frieza do tempo, que passa sem remorso —
a angústia da finitude.
O poema é estático;
mas o tempo, carrasco, segue em fluxo.
E nessa discrepância entre obra e vida,
tudo escorre pelas linhas do tempo —
e o poeta, impotente, apenas escreve.
Um poema que carrega o próprio cansaço não esbraveja contra o tempo; apenas observa — com a lucidez amarga do seu dissabor.
... a contragosto
e sem qualquer alarde, um
peculiar incitamento à mudança
teimosamente nos assedia,
desassossega — não fosse assim,
o marasmo, inevitavelmente
nos consumiria!
E se o depois da vida for apenas a continuação do que já sentimos aqui, mas sem pressa, sem medo e sem despedidas? Talvez o amor ao próximo seja a única coisa que atravessa tudo — como uma força invisível que nos conecta, mesmo quando não entendemos o porquê.
Há quem diga que o “cupido” nos une como uma magia silenciosa, aproximando caminhos que nunca se cruzariam. Mas, como toda magia, às vezes ela se desfaz… e o que sobra não é vazio, mas aprendizado.
Talvez, na eternidade, o amor deixe de ser paixão e se transforme em algo mais puro — uma amizade leve, sem expectativas, sem perdas. E se tudo isso for uma grande ilusão bonita? Um roteiro invisível que nos guia, colocando pessoas certas em momentos certos.
Nem todas permanecem. Mas nenhuma vem por acaso. Cada encontro deixa uma marca silenciosa que, de alguma forma, nos transforma para sempre.
Destino
Distância do encontro
Sentir tuas amarras
Intensidade do nosso navegar
Onde busco maresias que levam ao Porto.
A lucidez é um fardo austero, daqueles que poucos conseguem sustentar até o último suspiro sem vacilar, e, ao mesmo tempo, é a lâmina silenciosa que dilacera os véus delicados das ilusões onde tantas almas distraídas repousam, acreditando estar seguras. Ver sem ornamentos, sem os filtros reconfortantes da fantasia, exige uma coragem rara, quase litúrgica, pois desmonta com igual rigor tanto a esperança ingênua quanto o cinismo cômodo que nos protege da vertigem do real. Há, nesse estado de clareza, uma solidão peculiar, quem enxerga demais já não pode retornar ao abrigo das mentiras suaves. Ainda assim, é nesse olhar despojado que a existência adquire densidade, como se cada verdade, por menor que seja, carregasse em si o peso de algo eterno e irrevogável. E então, aquele que recusa o brilho fácil das aparências passa a habitar o mundo com uma dignidade silenciosa, a dignidade de quem compreende que o essencial quase nunca se oferece aos olhos, mas insiste em existir, firme, nas regiões invisíveis do ser.
- Tiago Scheimann
