Coleção pessoal de testeteste123
Nossa rede de relacionamentos expõe claramente nossa identidade. Portanto, antes de nos deixarmos levar pela irritação diante de julgamentos precipitados, é importante reconhecer que, ao optarmos por roupas “verdes”, os outros perceberão que temos uma preferência pela cor “verde”!
Vazios de Alma
É lamentável que, por momentos de luxúria, breves ocasiões de prazer , se possa causar a destruição de uma vida.
Há quem, vazio de alma, não tenha percepção, muito menos empatia pelo próximo.
Talvez a justiça se reinventasse, se conseguíssemos eliminar o maior sustentáculo dos criminosos e corruptos: o jeitinho brasileiro.
Não aquele “jeitinho” romantizado das pequenas adaptações do cotidiano, mas a cultura silenciosa que normaliza atalhos, flexibiliza princípios e transforma conveniência em regra.
É muito curioso como muitos dos que clamam por punições mais severas — redução da maioridade, prisão perpétua e até pena de morte — convivem, sem incômodo, com práticas que alimentam exatamente o sistema que dizem condenar.
Vivemos uma contradição descaradamente confortável.
Indignamo-nos com a corrupção nos grandes palcos, mas toleramos — e por vezes praticamos — pequenas corrupções privadas: furar filas, subornar regras, justificar vantagens indevidas, fechar os olhos quando nos convém.
Criamos, assim, um terreno fértil onde a ética deixa de ser um valor e passa a ser uma escolha situacional.
O problema é que o crime muito raramente nasce grande.
Ele se constrói na permissividade, cresce na conivência e se fortalece na impunidade cotidiana.
O medonho “jeitinho brasileiro” não é apenas um traço cultural inofensivo; em sua face mais nociva, é o elo invisível entre o cidadão comum e as estruturas que sustentam a desigualdade e a injustiça.
Enquanto exigimos rigor do sistema, seguimos flexíveis conosco.
Queremos leis duras, desde que não nos endureçam.
Desejamos justiça exemplar, desde que não nos alcance.
Mas Justiça não se sustenta apenas em códigos penais — ela se constrói, sobretudo, em consciência coletiva.
Talvez o verdadeiro ponto de ruptura não esteja em penas mais severas, mas em uma mudança mais desconfortável: abandonar privilégios disfarçados de esperteza, recusar facilidades ilícitas, assumir responsabilidade pelas pequenas escolhas diárias.
Porque cada “jeitinho” aceito hoje é uma engrenagem a mais funcionando no mecanismo que amanhã iremos condenar.
No fim, a justiça que tanto reivindicamos começa no território mais negligenciado de todos: nós mesmos.
Tens ouvido, Senhor, o desejo dos humildes; tu lhes fortalecerás o coração e lhes acudirás.
sfj,reflexões bíblicas.
POEMA PARA TI
AVELINO FERNANDO DO COUTO RIBEIRO
(ou quando a morte fardada de roupagens negras se transforma em cristais de lágrimas puras que nem o sol consegue secar. © Carlos De Castro)
Há poucas horas te via
Na madrugada passar,
À minha porta.
Ias cedo, para o pão ganhar
Cedo ou tarde não importa
Quando o coração tem vida
Na noite que vai parir o dia.
E sou eu nesta elegia,
Neste paradoxo sem fim
Que afirmo com precisão
Que a morte é tão cobarde,
Se não,
Era fogo que não arde
E levava-me só a mim.
Assim, fico sem tino
Sem vontade de seguir
Esta vida, Avelino.
Pode ser que ao Divino,
Já no Reino do Eterno,
Possas rogar meu menino
Para que eu amado primo,
Jamais desça ao tal inferno.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Trista Por Escrever, em 06-04-2026)
POESIA EM MEMÓRIA ÚLTIMA
(para ti, Avelino Fernando do Couto Ribeiro)
Rezaram-te a missa,
O solista cantou,
O órgão tocou,
Em premissa.
Eu assisti e rezei
Diferente, por razão
De fé ao Corpo
Do Homem morto
E Crucificado que eu sei.
Tanta gente caminhando
Em passo quase de tropa
Rumo ao campo sagrado
E eu atrás de todos pensando
Se a morte é vida ou pecado
Por ter a coragem de morrer
Antes do prazo aprazado.
Deus - que fria é a morte
Criada de nascente
A poente,
Sem norte.
Dois barrotes de madeira
Duas cordas na horizontal,
Uma cova funda na vertical,
Um caixão que desce anormal
De cabeça para baixo,
Abismal,
Um corpo quase vivo
Afinal,
Que se não fosse a terra
Que mais aterra e pesa
Na sua função de singeleza
Entre a definição da morte,
Quiçá, quando for da nossa sorte
Entremos de pés ao baixo
E de cabeça ao alto,
Sem sobressalto,
Ou suspiros,
Não vá, mesmo lá dentro
Do ataúde fatal,
Vomitarmos os diospiros
Ingeridos há tempo que tal.
(Carlos De Castro in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 06-04-2026)
Eu te amo, Izabelly
Eu quero te amar, mesmo que me custe o meu tudo
Bem, eu não tenho nada, mas me custaria esse nada
Talvez minha vontade de amar, meu amor por você
Mas acho impossível eu perder essa vontade de te amar, sabe?
Então eu não perderia nada, mas ficaria faltando algo
O seu amor, eu não posso perdê-lo
Talvez eu nem o tenha, bem...
Se for assim, eu sou um poeta morto
Um assasinado pelos próprios poemas
Corroído pelo próprio remédio
Um vázio onde reside o seu nome
O que é irônico, já que com seu amor, eu me sinto vivo
Amor que apenas existe em mim mesmo
Mas que mal tem? Eu vivo em amores platônicos
Eu me iludo fácil. Sou uma pessoa emocionada? É claro e com certeza!
Quebrarei muito a minha cara com o amor
Mas eu não me importo, se ele vier de você
Se for você, que seu amor me despedace, me quebre em mil pedaços
Com o coração quebrado, eu ainda te amarei
Eu falo tudo isso, mas no primeiro "não" que você me der
Eu não tentaria novamente, então
Não diga não para mim, dê desculpas
Minta para mim, diga que eu sou uma pessoa incrível, que o problema não sou eu, é você
E eu diria: "impossível, é impossível o problema ser você, meu amor"
Então deixarei de te amar, pelo seu bem
E pelo meu bem, eu morreria todo dia
Para que morto, eu não precise amar àquela a quem me faz viver
