Coleção pessoal de testeteste123
Um cego não vê as cores do arco-íris. Quem nunca teve filhos não compreende que, nesse jogo, o maior prêmio é poder participar.
Atitudes
Na busca por sinais, encontrei atitudes.
No silêncio do seu olhar, descobri a verdade.
Tão profundo é esse olhar,
que nele encontro a certeza: é real.
ele esqueceu seu óculos
no parapeito da minha janela
agora eu tento olhar pelas suas lentes
me encaro na frente do espelho
o que ele viu de tão especial?
o que era tão mágico?
não importa, estou sozinho
tento focar mais meus olhos
ele estava totalmente louco?
era o que disse saindo de casa
fui um erro na vida dele?
eu só tentei ser especial
tentei marcar de alguma forma
mesmo sabendo que acabaria sozinho
"Quando a aurora rompe o silêncio da noite, Deus devolve ao meu peito o fôlego da vida. O sol que nasce não ilumina apenas o mundo, mas também os sonhos, a esperança e a certeza de que ainda há um propósito para cumprir. Por isso, recebo cada manhã como um presente divino, vivendo com gratidão, fé e a vontade de deixar, em cada passo, o melhor de mim."
"Quantas vezes ainda vou amanhecer? Não sei. Já vi o sol nascer milhares de vezes sem contar nenhuma delas. Hoje penso que talvez o tempo não passe; talvez ele fique parado, silencioso, esperando que nós passemos por ele. E enquanto passamos, colecionamos amanheceres que um dia se tornam lembranças."
De costas para o mundo neguei
Neguei meus erros,
meus acertos,
meus medos,
meus fragmentos.
Negava tudo e todos:
meus amores, desamores,
as purezas e os lodos,
os alívios e as dores.
Negava porque era fácil,
fácil cuspir ao mar,
naufragar sem resistência,
não pensar, não remar.
Era uma nau de negação,
um léxico de repulsa,
astrônomo da exclusão,
cartógrafo da recusa.
Mas a vida, em sua confusão,
devolveu-me o resultado:
quem nega toda direção
também termina negado.
Sem saída, sem subida,
entre sombras que tracei,
aprendi, tarde na vida,
o inferno que criei.
Não sejas tu a causa da dor.
Dor que afugenta e que um dia passa,
mas a da alma permanece, não se apaga.
Pai
Sempre amando, educando,
apoiando e disciplinando.
Exemplo a ser aplaudido
e jamais esquecido.
Notas não servem,
adjetivos seriam pequenos.
O que falar da grandeza do homem
franzino.
Nas noites, meu colo
Meu provedor, meu protetor.
Assumiu o que poucos assumem,
coragem que muitos não tem.
Essa grandeza apenas ele tem.
Dos de fora, meu pai.
Para mim vai além, o amigo.
Na imensidão do te amo,
fico na certeza que ainda é pouco.
Sentimento maior e mais puro que
não encontro adjetivos.
Para meu pai: Julio César Lourenço
Entrega
Entregar-me é obrigação;
pela metade, seria falta de convicção.
E, nas notas intensas de um solo,
derreto-me como aço vencido pelo fogo.
"Boas festas a todos. E aqui vai meu deleite da semana: imagine ser forçado a passar pela casa da Luxúria, pelo cassino da Ganância, pelo bar da Gula e pela casa da Vida e da Morte várias vezes. Quem não seria reprovado se a loucura transformasse a própria mente em uma prisão? Fica o conselho. 🎧🕕"
As Cinzas do Que Julgávamos Eterno.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Às vezes eu supunha que bastava acreditar.
Acreditar com a devoção dos que contemplam o horizonte e o confundem com a eternidade.
Então julgávamos possuir o mundo inteiro. E talvez algo além dele.
Pensávamos que dos ermos faríamos florestas. Que da aridez brotariam jardins. Que os fragmentos de vidro abandonados pelas estradas converter-se-iam em diamantes sob a luz dos nossos sonhos.
Mas o tempo possui uma linguagem que não pede licença.
Agora percebo.
Teu sorriso regressa diferente. Há nele uma melancolia silenciosa. Como se cada curva de seus lábios carregasse o peso de uma ferida invisível. Como se sorrir fosse uma forma delicada de sangrar.
Não desejava ver-te assim.
Ansiava reencontrar aquela força antiga. A mesma que atravessava tempestades sem curvar-se ao vento. A mesma que transformava os invernos da alma em estações suportáveis.
Contudo, há dores que pertencem apenas ao seu proprietário. Sombras que nenhum abraço dissipa. Abismos diante dos quais toda fuga é inútil.
E então resta apenas sentir.
Sentir o frio. Sentir a ausência. Sentir o lento desmoronar das certezas.
Houve um tempo em que parecia suficiente improvisar. Como se a existência fosse um livro aberto. Como se cada página aguardasse obedientemente a escrita dos nossos desejos.
Até o dia em que quisemos mais do que nos cabia.
Foi quando começamos a vender por migalhas aquilo que não possuía preço. Foi quando trocamos tesouros invisíveis por promessas efêmeras. E o sentido, pouco a pouco, dissolveu-se entre os dedos.
Hoje compreendo o valor raro de uma presença.
Alguém para ouvir sem transformar confidências em armas. Alguém para permanecer quando as palavras se tornam frágeis. Alguém para dividir o silêncio sem exigir explicações.
Quanto a mim.
Nada mais parece capaz de ferir-me como antes.
Não por coragem. Mas porque me habituei aos escombros da estrada equivocada que escolhi. Aprendi a caminhar entre ruínas. Aprendi a reconhecer minha própria lei nas cicatrizes que carrego.
Guardo apenas o que restou.
Pequenas relíquias de um passado que já não retorna. Vestígios de luz escondidos entre as cinzas.
E ainda assim considero-me afortunado.
Porque apesar de tudo. Apesar das perdas. Apesar da tristeza que se acumula nas margens da memória.
Ainda possuo o que ficou.
E creio que tu também.
"Há ausências que não morrem. Apenas aprendem a habitar os corredores silenciosos da alma."
Viva como um pássaro que, a cada amanhecer, vai atrás do seu alimento sem se preocupar com o amanhã.
Sua liberdade é uma das coisas mais importante que você possui. Não a troque por nada e nem deixe que lhe tomem
Chegue devagar
Não adianta se estressar.
Dizer que vai fazer acontecer;
Não adianta correr, chegue devagar.
No fim de tudo, Deus está!
Mary Jun
O que realmente possuímos?
Hoje descobri a verdade
Eu não tenho
Casa
Não tenho
Abrigo
Não tenho nada
Não possuo nada
Não tenho família
Não tenho mãe
Não tenho esposa
Não tenho filhos
Nem amigos
Nem tenho animal
De estimação
Não tenho nem
Inimigos
Não tenho roupas
Não possuo roupas
Não tenho dinheiro
Não tenho comida
Eu não tenho nada
Não possuo nada
Nada esta no meu controle
Nem este fôlego de vida
é meu
O que me resta agora?
Na verdade somos
só um mordomo da Existência.
