Coleção pessoal de testeteste123

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A luz que transforma o tempo em vida

Muitas vezes confundimos o tempo que se mede com o tempo que verdadeiramente se vive, e nesse engano perdemos o que torna cada instante precioso. O relógio diz que o dia começa em certa hora, mas isso é apenas uma convenção criada pelo ser humano. O verdadeiro início acontece quando abrimos passagem para que a luz penetre também em nós. Cruza a janela, toca os olhos e, enfim, chega ao coração.

Nesse momento compreendemos que não nos adaptamos apenas às horas marcadas. São os nossos olhos atentos que dão sentido e realidade ao que acontece. A luz entra e permanece, mas só cumpre todo o seu brilho se nos lembrarmos de recebê‑la com o olhar. Sem essa atenção, tudo fica como um cenário distante. Estamos dentro, mas fechados àquilo que faz cada manhã única: a possibilidade de ver com clareza, de compreender com calma e de viver com toda a profundidade que a vida nos oferece.

O que o Tempo Não Leva

Muitas coisas o tempo leva embora: aparências, riquezas, reconhecimentos passageiros. Mas o que ninguém consegue apagar é a essência com que vivemos. É a forma como olhamos para o outro, com atenção e compaixão; a gentileza que estende a mão mesmo quando ninguém vê; a transparência que não esconde intenções, nem se oculta por medo; a verdade que permanece firme, mesmo quando é mais difícil de pronunciar. É a energia que renova, o coração que perdoa, a bondade que semeia a paz. O inesquecível não é algo que se conquista de uma vez: é algo que se constrói dia a dia, na profundidade do próprio ser, e se torna parte da história de todos que tiveram a sorte de conviver conosco.

Marcas que contam a trajetória

Muitas vezes, olhamos para trás e só vemos o peso do que sofremos, mas esquecemos de notar que continuamos de pé. Ao invés de lamentar‑se, permita‑se sentir orgulho da sua trajetória: de quem você era quando começou e de quem se tornou ao longo do caminho. Você atravessou desertos em que faltava direção, contornou montanhas de dificuldades que pareciam bloquear todo o horizonte e percorreu estradas que ninguém mais escolheria trilhar. Essas marcas não são defeitos; são mapas que mostram até onde a sua coragem foi capaz de chegar. A sua história não é definida apenas pelo que aconteceu com você, mas por como reagiu a tudo isso.

FELIZ ANIVERSÁRIO TRICOLINDA


No gramado da vida, você é a maior fortuna,Parabéns pelo seu dia, linda Symone Bruna!O coração bate forte, soberano e sem igual,Celebrando a beleza da torcedora mais especial. Minha "Tricolinda" de alma guerreira e reluzente,Que o seu novo ciclo seja um gol de placa no presente.Com as três cores no peito e muita luz no caminhar, e que nosso eterno DEUS venha plenamente te abençoar, Feliz aniversário! Hoje o estádio da vida vai vibrar! ❤️🤍🖤🇾🇪

Entre o Silêncio e a Luz

Há retratos que não revelam um rosto,
mas desvendam uma alma.

Na quietude de um quarto envolto em sombras suaves,
alguém ergue a câmera, não para capturar o mundo,
mas para encontrar aquilo que o mundo não vê.

O instante parece comum:
uma manhã qualquer,
um tecido repousando sobre os ombros,
a luz atravessando a janela sem fazer alarde.

Mas a beleza verdadeira nunca chega fazendo ruído;
ela se acomoda devagar nos detalhes.

Há cansaços escondidos sob a delicadeza,
histórias guardadas entre os fios dos dias,
lembranças que aprenderam a permanecer em silêncio
para não interromper o curso do tempo.

E, ainda assim, existe uma força:
uma força que não grita,
não disputa espaço,
não precisa provar nada.

Ela habita os corações que continuam a acreditar,
mesmo depois das despedidas,
mesmo após os sonhos adiados,
mesmo quando a vida exige coragem
para recomeçar sem garantias.

A lente aponta para fora,
mas acaba revelando o interior.

Porque toda mulher que aprende a sobreviver às próprias tempestades
carrega no olhar uma espécie rara de luz:
aquela que não vem do céu nem do sol,
mas das cicatrizes transformadas em sabedoria.

Talvez seja isso que torna certos momentos eternos:
não a perfeição da imagem,
mas a verdade escondida nela,
a capacidade de permanecer inteira
num mundo que tantas vezes tenta fragmentá‑la.

E enquanto o tempo segue seu caminho inevitável,
ela permanece ali, entre o silêncio e a luz:
colecionando instantes,
costurando esperanças,
transformando ausências em poesia.

Porque algumas pessoas não atravessam a vida apenas vivendo,
elas atravessam‑na iluminando.
E, sem perceber, tornam‑se a mais bela fotografia
que o próprio destino foi capaz de revelar.

Entre Algoritmos e Silêncios Humanos


A modernidade chegou sem bater na porta.


Entrou, se acomodou e começou a reorganizar tudo como se sempre tivesse sido a dona da casa.


Agora ela atende pelo nome de inteligência artificial.


Pensa rápido.


Responde mais rápido ainda.


Escreve, calcula, cria, sugere, corrige, aconselha e, em muitos casos, até parece entender aquilo que o próprio ser humano já não sabe mais explicar.


E o homem, curioso como sempre, ficou olhando esse espelho novo.


Primeiro com desconfiança.


Depois com encantamento.


E agora com uma mistura perigosa de dependência e admiração.


Mas no meio dessa era acelerada, algo estranho começou a acontecer.


Quanto mais as máquinas falam, mais algumas pessoas se calam.


Não porque não tenham o que dizer.


Mas porque começaram a escolher cuidadosamente onde ainda podem ser humanas sem serem julgadas.


Existe hoje uma espécie de cidadão invisível.


Ele trabalha.


Ele pensa.


Ele sente.


Ele observa.


Mas fala pouco.


Muito pouco.


Não porque seja vazio, mas porque aprendeu que cada palavra pode virar sentença.


No mundo digital, tudo é opinião imediata.


Tudo é análise instantânea.


Tudo é julgamento em tempo real.


E a verdade, quando aparece sem filtro, costuma incomodar mais do que esclarecer.


Por isso muitos preferem o silêncio.


Outros preferem a máscara.


E há aqueles que vivem divididos entre o que são e o que precisam parecer ser.


Enquanto isso, a inteligência artificial avança.


Organiza o caos.


Simplifica o complexo.


Responde o que ninguém quer pensar com profundidade.


E, de certa forma, começa a ocupar o espaço que antes era reservado às conversas demoradas, aos debates de esquina, às reflexões imperfeitas, mas profundamente humanas.


O mundo moderno virou uma grande vitrine.


Todo mundo se mostra.


Poucos se revelam.


As redes sociais transformaram a vida em palco.


E o palco exige personagem.


Por trás das câmeras, porém, existe um ser humano cansado de interpretar.


Um pai que não sabe mais como educar sem ser questionado.


Uma mãe que tenta equilibrar tudo enquanto o mundo exige perfeição.


Um professor que ensina sob pressão de sistemas que mudam mais rápido do que a compreensão humana.


Um jovem que busca identidade em meio a diagnósticos, tendências e rótulos que aparecem e desaparecem com a mesma velocidade de uma notificação.


E todos, de alguma forma, dialogam com máquinas que parecem entender mais do que pessoas.


Mas será mesmo entendimento?


Ou apenas processamento eficiente de palavras?


Enquanto a tecnologia avança, cresce também um fenômeno silencioso.


O medo de ser julgado.


O medo de ser mal interpretado.


O medo de não se encaixar.


O medo de não parecer atualizado.


O medo de não estar “correto” segundo padrões que mudam o tempo todo.


E assim, muitos vão se recolhendo.


Se escondem em conversas curtas.


Em respostas neutras.


Em opiniões diluídas.


Em versões editadas de si mesmos.


A moralidade, que antes era vivida no cotidiano, agora muitas vezes é performada.


Há quem fale de valores com perfeição nas redes, mas não consiga praticá-los na vida real.


Há quem defenda respeito, mas não escute ninguém.


Há quem pregue empatia, mas não pare para olhar o outro na calçada.


O mundo ficou sofisticado na fala, mas às vezes pobre na prática.


E nesse cenário, a inteligência artificial surge como companhia confortável.


Não julga.


Não se ofende.


Não se cansa.


Não abandona.


Mas também não sente.


E é aí que mora a grande contradição.


Porque, ao mesmo tempo em que buscamos respostas perfeitas, sentimos falta das imperfeições humanas.


Da conversa sem filtro.


Da discordância sincera.


Do erro que ensina.


Do silêncio que acolhe.


Do olhar que entende sem necessidade de palavras.


As pessoas reais ainda existem.


Elas estão aí.


Nas casas simples.


Nos corredores das escolas.


Nos ônibus lotados.


Nas filas longas.


Nos trabalhos exaustivos.


Nas noites silenciosas em que ninguém vê.


Mas muitas delas estão escondidas.


Não por ausência.


Mas por proteção.


Proteção contra o julgamento.


Contra a exposição.


Contra a exigência de parecer sempre bem resolvido.


Contra um mundo que cobra presença constante, mas oferece pouca escuta verdadeira.


E assim seguimos.


Conectados com tudo.


Desconectados de muitos.


A inteligência artificial aprende com dados.


O ser humano aprende com dores.


A máquina responde em segundos.


O humano amadurece em anos.


A máquina não erra por emoção.


O humano, muitas vezes, só aprende porque errou sentindo.


Talvez o futuro não seja uma disputa entre homem e tecnologia.


Talvez seja um convite à reconciliação.


Um lembrete de que nenhuma máquina, por mais avançada que seja, substitui o valor de uma conversa genuína entre pessoas que ainda se permitem ser imperfeitas.


Talvez o verdadeiro desafio da modernidade não seja criar sistemas mais inteligentes.


Mas resgatar seres humanos menos escondidos.


Menos julgados.


Mais presentes.


Mais reais.


E quem sabe, no meio de tanta conexão digital, ainda sobre espaço para algo antigo e insubstituível:


A simples coragem de ser humano.


Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

Teimosia ou Sabedoria?
Só o tempo tem a resposta

Teimosia ou Sabedoria?
A linha que as separa é muito tênue

Cultura que contradiz a Bíblia não é herança. É Heresia.

"Mude-se antes de mudar-se."

A Sala de Aula do Mundo Moderno


Outro dia me peguei pensando em como a escola mudou.


Não falo apenas das lousas digitais, dos computadores, dos aplicativos ou dos celulares que hoje parecem extensão das mãos dos alunos.


Falo das pessoas.


Dos comportamentos.


Das responsabilidades.


E, principalmente, da forma como passamos a enxergar educação.


Pertencente a uma geração que aprendeu que nem sempre a vida diria "sim", confesso que às vezes me sinto um turista perdido visitando o admirável mundo novo.


Hoje tudo parece delicado.


Tudo parece urgente.


Tudo parece motivo para preocupação.


Uma palavra mal colocada vira trauma.


Uma crítica vira perseguição.


Uma cobrança vira opressão.


Um conselho vira ofensa.


E o simples ato de contrariar alguém pode ser interpretado como um atentado contra a felicidade universal.


Não estou dizendo que os problemas emocionais não existam.


Eles existem.


E merecem atenção, respeito e tratamento sério.


Mas também me pergunto se, em alguns casos, não estamos transformando dificuldades normais da vida em diagnósticos automáticos.


A tristeza virou doença.


A frustração virou síndrome.


A ansiedade virou identidade.


E a responsabilidade, curiosamente, parece ter desaparecido da conversa.


Muitos pais, sobrecarregados pelas próprias rotinas, acabam transferindo para a escola funções que antes pertenciam à família.


Esperam que a escola eduque.


Ensine limites.


Corrija comportamentos.


Resolva conflitos.


Forme caráter.


Desenvolva valores.


Enquanto isso, o professor recebe mais uma missão para sua coleção já bastante extensa.


Porque o professor moderno não é apenas professor.


Ele é educador.


Mediador.


Conselheiro.


Psicólogo informal.


Assistente social improvisado.


Pacificador de conflitos.


Especialista em tecnologia.


Preenchedor de relatórios.


Participante de reuniões.


Executor de projetos.


E, quando sobra algum tempo, tenta ensinar a matéria.


A escola de antigamente tinha seus defeitos.


Muitos.


Mas existia uma compreensão mais clara sobre papéis e responsabilidades.


Hoje, frequentemente, o professor precisa justificar uma nota, uma advertência, uma cobrança e até mesmo uma orientação pedagógica.


A autoridade tornou-se suspeita.


A disciplina tornou-se questionável.


E a exigência acadêmica muitas vezes parece competir com uma cultura que valoriza resultados rápidos sem esforço proporcional.


O mais curioso é que aqueles que raramente entram numa sala de aula costumam ter opiniões muito firmes sobre o trabalho de quem está lá todos os dias.


— Professor reclama demais.


— Tem muitas férias.


— Trabalha poucas horas.


Quem diz isso normalmente vê apenas o horário da aula.


Não vê as correções.


Não vê os planejamentos.


Não vê os relatórios.


Não vê os cursos.


Não vê as formações.


Não vê as noites preparando atividades.


Não vê os finais de semana organizando conteúdos.


Não vê a exaustão silenciosa acumulada ao longo dos anos.


E, principalmente, não vê o desgaste emocional.


Porque ensinar nunca foi apenas transmitir conhecimento.


Ensinar é lidar diariamente com expectativas, conflitos, desafios e realidades completamente diferentes.


Há professores que chegam em casa carregando problemas que não cabem nos livros didáticos.


Problemas de alunos.


Problemas de famílias.


Problemas do próprio sistema.


Falando em sistema, este merece um capítulo especial.


A cada ano surgem novas plataformas.


Novos formulários.


Novos procedimentos.


Novas exigências.


Novas metas.


Novas estatísticas.


Novos indicadores.


Parece que tudo muda.


Exceto aquilo que realmente deveria melhorar.


E assim o professor segue.


Preenchendo documentos.


Participando de reuniões.


Atualizando sistemas.


Respondendo questionários.


Enquanto tenta encontrar espaço para aquilo que deveria ser o centro de tudo: ensinar.


O resultado é um profissional cada vez mais cansado.


Mais pressionado.


Mais responsabilizado.


E, muitas vezes, menos valorizado.


Ainda assim, algo impressionante acontece.


Apesar de todas as dificuldades, milhares de professores continuam entrando em sala de aula todos os dias.


Continuam acreditando.


Continuam tentando.


Continuam explicando pela décima vez o mesmo conteúdo.


Continuam incentivando quem quer aprender.


Continuam estendendo a mão para quem precisa.


Continuam lutando contra a maré.


Talvez porque saibam de uma verdade simples.


Sem professores não existem médicos.


Não existem engenheiros.


Não existem advogados.


Não existem cientistas.


Não existem administradores.


Não existem governantes.


Não existe profissão alguma.


Todas passam primeiro pela carteira de uma sala de aula.


Por isso, quando alguém pergunta se ainda existe solução para a educação, respondo que sim.


Mas ela não nascerá de um único decreto, de uma nova plataforma ou de mais um discurso otimista.


Ela surgirá quando família, escola, sociedade e governo compreenderem que educar é uma responsabilidade compartilhada.


Até lá, o professor continuará fazendo o que sempre fez.


Entrará em sala.


Respirará fundo.


Abrirá o diário.


Preparará a aula.


E seguirá tentando iluminar caminhos.


Mesmo quando o próprio caminho parecer cada vez mais escuro.


Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

A Beleza da Inocência

Ali, onde o verde abraça o chão macio,
e o branco dos dentes‑de‑leão flutua leve,
vive o tempo que não conhece o receio:
a infância, pura, inteira e sem reservas.

Olhos que brilham como manhã sem nuvem,
mãos pequenas que tocam sem medo nem mal;
ao lado de penas amarelas e suaves,
nasce uma amizade de coração natural.

Não há segredos, nem muros, nem desconfiança,
apenas o sorriso que brota sem esforço:
é a inocência, a flor mais bela e verdadeira,
o primeiro tesouro que o mundo recebeu.

Nesse encontro entre criança e natureza,
vemos a vida como ela deve ser:
simples, serena, repleta de doçura
e livre para, apenas, saber viver.

''A vida acabou e veio outra.''

O País do Amanhã Que Nunca Chega




O brasileiro é uma criatura fascinante.


Possui sonhos grandiosos, planos extraordinários e uma habilidade impressionante de adiar ambos para a próxima segunda-feira.


Quer a casa própria.


Quer o carro novo.


Quer viajar.


Quer empreender.


Quer mudar de vida.


Quer aprender outro idioma.


Quer emagrecer.


Quer economizar.


Quer investir.


Quer tudo.


Só não quer, às vezes, o compromisso diário que transforma desejo em conquista.


Existe uma diferença enorme entre querer possuir algo e querer construí-lo.


Muitos desejam a colheita.


Poucos se apaixonam pelo plantio.


E assim seguimos vivendo no país do "depois eu vejo", do "semana que vem eu resolvo" e do famoso "deixa comigo", que normalmente significa exatamente o contrário.


A enrolação tornou-se quase um patrimônio cultural.


Há quem passe mais tempo explicando por que não fez do que realmente fazendo.


E o curioso é que essa mania não prejudica apenas a pessoa.


Ela atinge a família, o trabalho, o sistema e, de certa forma, a própria nação.


Afinal, um país não é feito apenas por governos.


É feito também pelos hábitos de quem o habita.


Mas talvez a parte mais engraçada seja o discurso moral.


O brasileiro adora falar de honestidade.


Principalmente quando o assunto é a honestidade dos outros.


Critica a corrupção em Brasília enquanto procura um jeito de não emitir nota fiscal.


Indigna-se com os desvios milionários enquanto assiste televisão por uma ligação clandestina.


Condena os políticos por esconderem patrimônio enquanto mantém um dinheiro reservado que nem a esposa conhece.


Fala sobre transparência, mas possui segredos suficientes para preencher um arquivo inteiro.


Alguns levam uma vida matrimonial.


Outros levam uma vida paralela.


E há aqueles que conseguem administrar duas ou três versões de si mesmos ao mesmo tempo.


Uma verdadeira empresa de personalidade limitada.


O mais curioso é que todos conhecem a solução para os problemas do país.


Pergunte em qualquer esquina.


O especialista surgirá imediatamente.


Resolverá economia, educação, segurança, saúde e relações internacionais em menos de quinze minutos.


Mas quando chega a hora de organizar o próprio guarda-roupa, a consultoria encerra suas atividades por tempo indeterminado.


Existe também uma paixão nacional por observar a vida alheia.


O gramado do vizinho é sempre assunto.


A pintura da casa ao lado.


O carro novo da rua.


A promoção do colega.


O casamento dos outros.


Tudo desperta interesse.


Enquanto isso, o próprio quintal continua esperando uma limpeza prometida desde o verão passado.


E reclamar...


Ah, reclamar talvez seja o esporte mais praticado do país.


Se faz calor, o sol exagerou.


Se chove, a chuva não dá trégua.


Se esfria, o inverno passou dos limites.


Se melhora, certamente há algo suspeito acontecendo.


Nada parece suficientemente bom.


Ao mesmo tempo, pouco é feito para melhorar aquilo que está ao alcance das próprias mãos.


E quando finalmente realiza algo positivo, por menor que seja, inicia-se outra tradição nacional.


A divulgação.


O anúncio.


A cerimônia.


A autopromoção.


O cidadão troca uma lâmpada e quase espera receber uma medalha por serviços prestados à humanidade.


— Viu o que eu fiz?


— Percebeu minha contribuição?


— Notou meu esforço?


E assim, aquilo que deveria ser um gesto simples transforma-se em um documentário de longa duração.


Os anos passam.


As promessas envelhecem.


Os planos acumulam poeira.


As desculpas ganham experiência.


A esposa se cansa de ouvir que tudo mudará no próximo mês.


Os filhos crescem escutando projetos que nunca saem do papel.


Às vezes o casamento termina.


Às vezes a paciência termina antes.


Mas certas manias permanecem firmes e fortes.


O discurso continua.


As justificativas continuam.


As reclamações continuam.


As promessas continuam.


E o amanhã segue lotado de intenções que jamais chegam ao presente.


Talvez por isso o brasileiro seja, ao mesmo tempo, motivo de preocupação e de admiração.


Preocupação pelas oportunidades desperdiçadas.


Admiração pela capacidade de continuar acreditando que tudo pode melhorar.


Mesmo quando insiste em repetir exatamente os mesmos hábitos.


No fundo, somos um povo que sonha grande, trabalha muito, reclama bastante, improvisa demais e muda menos do que promete.


Talvez a verdadeira transformação comece no dia em que passarmos menos tempo observando os erros do mundo e mais tempo corrigindo os nossos.


Porque nenhum país se torna melhor apenas apontando defeitos.


Mas pode começar a melhorar quando cada cidadão resolve limpar o próprio quintal antes de fiscalizar o jardim do vizinho.


Até lá, seguiremos fazendo planos para segunda-feira.


Mesmo sabendo que hoje já é quinta.


Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

O sucesso do seu CNPJ é o CPF forte.
CPF forte = CNPJ crescendo.

1972 📜 "Recebi carta pelo Correio, o que não acontecia (comigo) há mais de 40 anos . Carta manuscrita, iniciando com 'Espero que as mal traçadas linhas dessa Missiva possam encontrá-lo pleno de saúde...' Misericórdia! Quem ainda escreve assim? Pensei na Leonor! Imaginei a Denise! Apostei na Lívia. No passado, essas me escreviam... Qual delas está agora com isso? Vou descobrir!"

Nem todos terão acesso ao que Deus está construindo em mim,
e eu aprendi que isso também faz parte do Seu agir. miriamleal

Crônica


O Grande Teatro das Aparências


Vivemos tempos curiosos.


Nunca se falou tanto sobre verdade, e talvez nunca ela tenha sido tão evitada.


As pessoas dizem que querem sinceridade, mas apenas enquanto ela concordar com suas opiniões. Basta uma palavra contrariar seus desejos para que a verdade se transforme em ofensa, preconceito, intolerância ou qualquer outro rótulo conveniente.


O mundo moderno parece ter desenvolvido alergia ao contraditório.


Todos querem liberdade de expressão, desde que a expressão seja exatamente igual à sua.


As falsas promessas continuam circulando com excelente saúde. Mudam os rostos, mudam os discursos, mudam as embalagens, mas o conteúdo permanece praticamente o mesmo.


Prometem prosperidade.


Prometem justiça.


Prometem igualdade.


Prometem felicidade.


E o povo continua esperando a entrega de uma encomenda que parece extraviada há décadas.


As amizades também entraram na era da aparência.


Há quem possua milhares de seguidores e não encontre uma única pessoa para carregar suas dores quando a vida pesa.


São amizades de fotografia.


Companheiros de curtidas.


Irmãos de ocasião.


Presenças digitais e ausências reais.


Basta a tempestade chegar para que muitos desapareçam com a velocidade de um sinal de internet mal conectado.


E o que dizer dos costumes?


Houve um tempo em que honestidade era motivo de orgulho.


Respeitar os pais era virtude.


Cumprir a palavra era questão de honra.


Ser educado era demonstração de caráter.


Hoje, por vezes, quem procura andar corretamente parece carregar uma estranha culpa social.


A esperteza recebe aplausos.


A vulgaridade ganha visibilidade.


A superficialidade conquista admiradores.


E a integridade, muitas vezes, é tratada como ingenuidade.


Mas talvez uma das maiores contradições esteja justamente no campo da fé.


Não falo da fé sincera, que transforma vidas silenciosamente.


Falo do espetáculo religioso.


Da religião que se veste para ser vista.


Do discurso que emociona, mas não pratica.


Do irmão que abraça dentro do templo e ignora o necessitado na calçada.


Do fiel que conhece versículos inteiros, mas esqueceu o significado da compaixão.


Há quem vá à igreja não para ouvir aquilo que precisa escutar, mas apenas aquilo que deseja ouvir.


Não quer correção.


Não quer reflexão.


Não quer mudança.


Quer conforto.


Quer aprovação.


Quer sair convencido de que já está tudo certo.


Enquanto isso, o andarilho continua sentado na esquina.


O idoso continua abandonado.


A viúva continua esquecida.


E o órfão continua esperando alguém colocar em prática aquilo que foi tão bem pregado no domingo.


Chega-se ao culto com roupas impecáveis.


Sapatos brilhando.


Perfume importado.


Palavras cuidadosamente escolhidas.


Tudo muito limpo.


Tudo muito elegante.


Tudo muito correto.


Mas ao retornar para casa e retirar a roupa social, permanece uma pergunta silenciosa diante do espelho:


Quem limpa a alma?


Porque o banho remove a poeira do corpo.


Mas não lava a vaidade.


Não remove a hipocrisia.


Não elimina a indiferença.


Não apaga a falta de amor.


Do lado de fora, a televisão continua fabricando celebridades.


Nas redes sociais, surgem influenciadores que muitas vezes não influenciam sequer a própria existência.


Filmam o café.


Filmam o almoço.


Filmam a academia.


Filmam a viagem.


Filmam a própria filmagem.


E assim seguem registrando a vida sem necessariamente vivê-la.


Parece que o valor das pessoas já não está naquilo que são, mas naquilo que conseguem exibir.


A aparência tornou-se currículo.


A exposição virou moeda.


A vaidade recebeu status de virtude.


E a consciência foi sendo colocada discretamente em segundo plano.


Nesse cenário, a família perde espaço.


Os pais perdem voz.


Os costumes perdem significado.


Os princípios perdem valor.


E o silêncio da consciência vai sendo abafado pelo barulho constante de um mundo que nunca desliga.


Às vezes me pergunto para onde estamos indo.


Talvez a pergunta mais importante seja outra:


O que estaremos deixando para aqueles que virão depois de nós?


Mais seguidores?


Mais imagens?


Mais distrações?


Ou algum legado que realmente valha a pena?


Enquanto não encontramos a resposta, seguimos caminhando entre promessas e aparências, tentando distinguir o verdadeiro do falso, o essencial do supérfluo, a fé da encenação, a amizade do interesse e a consciência da conveniência.


Que Deus tenha misericórdia de nós.


E, mais do que isso, que nos conceda discernimento para não confundirmos brilho com luz, fama com valor, aparência com caráter e religião com amor ao próximo.


Porque, no final das contas, não será a fotografia perfeita que contará nossa história.


Será aquilo que fizemos quando ninguém estava olhando.


Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

Quem tá certo o tempo todo: tem mais chances de estar totalmente errado em tudo o tempo todo.

Cada um oferece o que tem em si mesmo..."