Coleção pessoal de testeteste123
Fala-se tanto sobre a luta contra o racismo, consciência de classe, orgulho étnico, patriotismo e nacionalismo; mas quando um país rico, influente e opressor é anunciado para sediar um grande evento do esporte ou da arte, as nações simplesmente ativam o Complexo de Vira-Lata, esquecendo-se de tudo isso.
Um país envolvido em várias guerras recebe a "maior copa da história", e ao invés de sofrer um boicote global, sendo deixado de lado pelas nações e pelo público, volta a ser o foco de toda a atenção no mundo, como era no passado.
Eu me pergunto: Que humanidade nojenta somos nós? Por que aceitamos a barbárie, o teatro de tesouras, o espetáculo da morte, o buffet de carne humana e o vinho tinto de sangue, quando deveríamos vomitar toda essa nojeira?
Não é à toa que anseio pelo fim da atual civilização humana e pelo retorno às eras glaciais, onde éramos meros caçadores-coletores e a nossa preocupação máxima era a sobrevivência no gelo, a caça de mamutes e outros animais com lanças feitas de ossos, e o cuidado das próximas gerações.
Foi um erro termos saído desse período, evoluindo para sociedades complexas, sedentárias, religiosas e burguesas.
Pessoas importantes são lembrados em dias importantes,
Pessoas necessárias, apenas nas necessidades diárias.
PARA QUE SERVE POESIA?
Dizem que poesia não enche a barriga.
E estão certos.
Também não troca o óleo do carro, não paga o aluguel atrasado nem impede que o mundo continue fabricando idiotas em série.
Mas experimente viver sem ela.
A vida vira uma fábrica. Um relógio. Uma fila. Você acorda, trabalha, sorri por obrigação, envelhece e morre sem nunca ter descoberto quem estava respirando dentro da sua própria pele.
A poesia é o que sobra quando todas as desculpas acabam.
Ela é o sujeito bêbado olhando a chuva pela janela e percebendo que ainda existe alguma coisa que dinheiro nenhum consegue comprar. É a mulher que ri no momento errado. É o velho cachorro esperando o dono voltar. É o silêncio entre dois amantes que já disseram tudo.
O mundo vive perguntando para que serve a poesia.
É a pergunta errada.
Ninguém pergunta para que serve um pôr do sol. Um beijo. Uma gargalhada. Um coração que insiste em bater depois de ter sido partido vinte vezes.
A poesia serve ao mesmo propósito de continuar vivo quando tudo ao redor parece empenhado em convencer você de que sobreviver já é suficiente.
E sobreviver...
Isso qualquer máquina faz.
Viver exige versos.
O silêncio do deserto sabe que as coroas de Makeda se transformam em poeira, mas os enigmas que deciframos no outro permanecem como a verdadeira Arca da Aliança: a única riqueza sagrada que o tempo não pode confiscar.
Reno Fioraso
A inteligência não se revela quando vence uma discussão, mas quando transforma uma discussão em aprendizado.
"Jogadores de futebol bilionários vêm comprando terrenos nas áreas mais nobres do céu. Deve ser a fé."
"Não ambicione o suborno e nem tema a ameaça, pois humana é a 'divindade', fantasiosos são os demônios e falsas são as 'escrituras sagradas'. Mantenha a sua honra!"
Não fui a única testemunha,
sob o sol e sob a chuva,
que vi os 50 gols do Vini JR.
Enquanto a vitória estava ali,
a um palmo, para se agarrar,
no primeiro tempo,
o pênalti foi espatifado no ar —
mas no final a honra foi salva
ao menos com um gol do Neymar.
As lições desejáveis que ficam
são que, além de aprender a remar,
é preciso aprender a domar
a atenção, para não se dispersar.
Quem persiste em se achar,
perderá, inevitavelmente na vida,
a oportunidade de golear.
"Quando o altar virou ostentação e o meio de campo, balcão de negócios, a fé e o futebol morreram. Vítimas do capitalismo selvagem."
CRÔNICA: Será inconformismo generalizado, ou corrupção sintomática?
Sempre foi assim, no que tange a torcida brasileira em copas do mundo! Vive- se um anacronismo existencial reverenciando sempre os jogadores do passado. O engraçado, é que mesmo nas campanhas vitoriosas, como em 1994, os jogadores das copas de 1982 e 1986, eram citados constantemente nas rodas de conversas e por comentaristas durante as partidas. A principal crítica da época era o pragmatismo da seleção brasileira. Futebol que priorizava a tática e a solidez defensiva, em detrimento do futebol arte visto doutrora. Especialmente sob a regência do rei Pelé, e com os craques da geração de 1982 e 1986.
Mesmo com toda a crítica exercida sobre a seleção brasileira de 1994, a mesma sagrou- se campeã. O povo comemorou, mas almejava- se para o futuro, uma seleção que jogasse com classe igual as do passado. Em 1998, a seleção brasileira empolgou mais do que na copa anterior. Porém não obteve êxito. Mas o anacronismo existencial reinava. Jogadores que estiveram na copa anterior, mas que não estavam presentes, eram rotineiramente reverenciados.
Aí veio 2002, seleção que fora pentacampeã, e empolgava com o seu trio de ouro. Ronaldo fenômeno, Rivaldo, e o bruxo Ronaldinho gaúcho. No entanto, era comumente contestada pela ausência do Romário. Como sempre, presos ao passado. Agora já são 24 anos sem comemorações, e na alma, aquele sentimento incrustado, pressentido, e a confirmação das decepções. Futebol é assim mesmo, não importa o número de competidores, só um ganhará a glória eterna. Logo, viva o presente. Desprender-se do passado, é um passo fundamental, rumo à aceitação, e a paz de espírito. Em suma, a busca constante pela felicidade.
050726
A solidão nunca chega fazendo barulho, ela espera, observa cada decepção arrancar um pedaço de quem eu sou, espera o último abraço partir, o último sorriso desaparecer, a última esperança se apagar, então entra sem pedir licença e faz do vazio a sua morada, passei a vida tentando ser o melhor para todos, tentando proteger quem eu amava, carregar dores que não eram minhas, impedir que as pessoas se machucassem, mesmo que, para isso, eu precisasse me despedaçar em silêncio, acreditei que suportar todo o peso sozinho era uma forma de amor, mas cada tentativa de salvar alguém me afundava um pouco mais, até que um dia percebi que havia me tornado exatamente aquilo que mais temia, aquilo que prometi nunca ser, um erro, um peso, uma cicatriz viva, uma lembrança amarga, uma ausência que machuca mais do que qualquer presença, os adeuses vieram um após o outro, e cada despedida levou consigo um pedaço da minha alma, restaram apenas o silêncio, a culpa e uma dor que o tempo nunca conseguiu apagar, descobri que a escuridão não é apenas a falta de luz, ela é um lugar onde meus arrependimentos respiram, onde minhas lembranças sangram e onde a minha culpa aprende a chamar o meu nome, quando a noite cai e o mundo inteiro se cala, eu sinto aquela presença voltar, o ar fica pesado, o frio atravessa a minha pele como se alcançasse a minha própria alma, então uma mão gelada toca o meu rosto com uma delicadeza cruel, como quem reencontra alguém que nunca deixou de esperar, não existe ódio naquele toque, não existe violência, apenas uma ternura inquietante, como se a própria escuridão estivesse me acolhendo em seus braços, ela se aproxima do meu ouvido e sussurra com uma calma que me assusta, eu sabia que você voltaria, você tentou fugir de mim, tentou salvar todos, menos a si mesmo, carregou culpas que não eram suas, destruiu a si mesmo tentando impedir que os outros sofressem, lutou para ser alguém melhor, mas acabou se tornando tudo aquilo que mais temia, agora pare de lutar, pare de fugir, ninguém mais vai carregar essa dor com você, ninguém mais vai voltar para buscá-lo, eu sou a única que permaneceu, eu nunca fui embora, apenas esperei você se cansar, eu voltei para você, e desta vez não vou abandoná-lo, porque, no fim de toda culpa, de toda dor, de toda despedida, quando todos se vão e até a esperança desiste de você, restamos apenas eu e a escuridão, caminhando lado a lado, como se sempre tivéssemos pertencido um ao outro
