Coleção pessoal de pensador

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Não deve ser por acaso que nenhuma língua do planeta tenha criado a expressão “tão belo quanto um aeroporto”.

As coisas que não funcionam chamam nossa atenção. As que funcionam, nem tanto. Computadores chamam nossa atenção, mas não ligamos para moedas. E-books chamam nossa atenção; já livros, nem damos bola para eles.

Sempre chega um momento em que você começa a perder a paixão, seja por uma pessoa, uma ideia ou uma causa, mesmo que leve anos para reconhecer o que o levou a isso: uma bobagem qualquer, uma palavra errada, algo que lhe soou falso – e isso significa que, de certa forma, as coisas nunca mais serão as mesmas.

Viagem no tempo? Acredito que existam pessoas vindas do futuro e interferindo em nossas vidas diariamente. É só prestar atenção à nossa volta. Estou falando sobre como, todas as vezes que vamos acionar um seguro, acabamos descobrindo que, misteriosamente, justo aquilo de que precisamos desapareceu da apólice.

As opiniões não são todas iguais. Algumas são muito mais concretas, sofisticadas e bem-fundamentadas em termos lógicos e argumentativos do que outras.

Nós ficamos presos à tecnologia quando tudo o que queremos são coisas que funcionem.

Sabe o que é um aprendizado? Um aprendizado é uma daquelas coisas que dizem para você: “Sabe isso que você acabou de fazer? Não faça de novo.”

Para mim, a compreensão sempre vai ser muito mais digna de respeito do que a ignorância.

Não dispomos de pouco tempo, mas desperdiçamos muito. A vida é longa o bastante e nos foi generosamente concedida para a execução de ações as mais importantes, caso toda ela seja bem aplicada. Porém, quando se dilui no luxo e na preguiça, quando não é despendida em nada de bom, somente então, compelidos pela necessidade derradeira, aquela que não havíamos percebido passar, sentimos que já passou. É assim que acontece: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos; dela não somos carentes, mas pródigos. Tal como amplos e magníficos recursos, quando vêm para um mau detentor, são dissipados num instante, ao passo que, por mais modestos que sejam, se entregues a um bom guardião, crescem pelo uso que se faz deles, assim também a nossa existência é bastante extensa para quem dela bem dispõe.

Mesmo que vivesses 3 mil anos e tantas vezes quanto 10 mil anos, lembra, todavia, que ninguém perde uma vida distinta da vida presente, tampouco vive uma vida diferente desta que presentemente perde. Assim, a vida mais longa e a mais curta se tornam algo idêntico. Com efeito, o presente é igual para todos e, portanto, o que se perde também é igual; e aquilo que se perde, consequentemente, revela-se como sendo de curtíssima duração, como se fosse instantâneo. De fato, não se perde o que passou nem o futuro, pois como tirar de uma pessoa aquilo que ela não possui? Necessitas lembrar, portanto, estas duas coisas: uma é que tudo o que é egresso da eternidade é de espécie idêntica e tem caráter cíclico, não fazendo diferença nem importando, assim, se alguém permanece em contemplação das coisas apenas por um século ou dois ou por um tempo infinito; a outra coisa é que, quando morrem, a perda é igual para pessoas que viveram o máximo de tempo e para aquelas que viveram o mínimo. Com efeito, o presente é tudo de que se pode ser privado: afinal, tudo o que se tem é o presente, e a perda daquilo que não se possui não é possível.

Dificilmente se vê como algo que resulta em infelicidade não examinar o que se passa na alma alheia; contudo, aquele que não acompanha de perto os movimentos de sua alma é necessariamente infeliz.

É raro um homem que é bom como filho e obediente como jovem ter a inclinação de transgredir contra seus superiores; não se sabe de alguém que, não tendo tal tendência, tenha iniciado uma rebelião. O cavalheiro dedica seus esforços às raízes, pois, uma vez que as raízes estão estabelecidas, o Caminho daí brotará. Ser um filho bom e um jovem obediente é, talvez, a raiz do caráter de um homem.

Se um homem aplica o seu coração no caminho da benevolência, ele estará livre do mal.

Não há nada fixo na vida fugitiva: nem dor infinita, nem alegria eterna, nem impressão permanente, nem entusiasmo duradouro, nem resolução elevada que possa durar toda a vida! Tudo se dissolve na torrente dos anos. Os minutos, os inumeráveis átomos de pequenas coisas, fragmentos de cada uma das nossas ações, são os vermes roedores que devastam tudo o que é grande e ousado… Nada se toma a sério na vida humana; o pó não vale esse trabalho.

Enquanto a primeira metade da vida é apenas uma infatigável aspiração de felicidade, a segunda metade, pelo contrário, é dominada por um sentimento doloroso de receio, porque se acaba então por perceber, mais ou menos claramente, que toda felicidade não passa de quimera, que só o sofrimento é real. Por isso os espíritos sensatos visam menos aos prazeres do que a uma ausência de desgostos, a um estado de algum modo invulnerável.

A vida é uma tarefa que devemos desempenhar laboriosamente.

Trabalho, tormento, desgosto e miséria, tal é sem dúvida durante a vida inteira o quinhão de quase todos os homens. Mas se todos os desejos, apenas formados, fossem imediatamente realizados, com que se preencheria a vida humana, em que se empregaria o tempo?

Se a nossa existência não tem por fim imediato a dor, pode-se dizer que não tem razão alguma de ser no mundo.

A luz que brilha duas vezes mais se apaga na metade do tempo. E você brilhou muito, muito intensamente.

Se você pudesse ver o que vi com seus olhos…