Coleção pessoal de pensador

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Livro bom, mesmo, é aquele de que às vezes interrompemos a leitura para seguir – até onde? – uma entrelinha... Leitura interrompida? Não. Esta é a verdadeira leitura continuada.

Às vezes, nos dias calmos, apenas se nota uma leve ondulação na relva: são os cavalos do vento que estão pastando.

O gato é preguiçoso como uma segunda-feira.

Teus silêncios são pausas musicais.

O dia passa, a vida continua. E os que pensam que a vida muda com o gosto devem pensar também que o corpo se transforma com as modas.

Mas felizes, felizes esses peixinhos de aquário: pensam que o seu universo é infinito.

Os sonhos têm luz própria, uma luz que não vem de nenhum sol, de nenhuma lua, de nenhum foco. Está em toda parte. Na próxima vez que sonhares, procura ver se o teu vulto projeta alguma sombra. E se a tua imagem se reflete nalgum espelho. Tolice minha! Nos salões do sonho nunca há espelhos...

E chegará um tempo em que os militares inventarão um projétil tão perfeito, mas tão perfeito mesmo, que dará volta ao mundo e os pegará por trás.

O único problema da solidão consiste em como preservá-la.

Ah, nem queiras saber... A vida é preciosa como um pão roubado!

Nós todos levamos o anel da morte e um dia temos de o trocar com ela.

Não se devia permitir nos relógios de parede esses ponteiros que marcam os segundos: eles nos envelhecem muito mais que o ponteiro das horas.

É preciso escrever um poema várias vezes para que dê a impressão de que foi escrito pela primeira vez.

Durante as belas noites de tempestade os relâmpagos tiram radiografias da paisagem.

O crítico é um camarada que contorna uma tapeçaria e vai olhá-la pelo lado avesso.

O fato é um aspecto secundário da realidade.

As lagartas não podem acreditar na lenda das borboletas – tão antiga entre o seu rastejante e esforçado povo... mas sua felicidade consiste em relembrar, às vezes, o absurdo e maravilha desse velho sonho: o de se transformarem, um dia, em borboletas.

Talvez a poesia não passe de um gênero de crônica, apenas: uma espécie de crônica da eternidade.

O mais difícil na morte é acomodar-se a gente aos novos hábitos.

Conhecer o mundo não adianta nada: as viagens apenas complicam a ignorância.