Coleção pessoal de pensador

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Privacidade não é sobre ter algo a esconder. É sobre ter algo para proteger. E esse algo é quem você é. É algo em que você acredita. É quem você quer se tornar. Privacidade é o direito de si mesmo. É o que lhe permite compartilhar com o mundo quem você é nos seus próprios termos.

Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões.
Ignoro se um pássaro morto continua o seu voo
Se se recorda dos movimentos migratórios
E das estações.
Mas não me importo de adoecer no teu colo
De dormir ao relento entre as tuas mãos.

Às vezes, o escândalo não tem relação com a lei que foi quebrada, e sim com o que a lei permite.

Amo-te no intenso tráfego
Com toda a poluição no sangue.
Exponho-te a vontade
O lugar que só respira na tua boca
Ó verbo que amo como a pronúncia
Da mãe, do amigo, do poema
Em pensamento.
Com todas as ideias da minha cabeça ponho-me no silêncio
Dos teus lábios.
Molda-me a partir do céu da tua boca
Porque pressinto que posso ouvir-te
No firmamento.

Argumentar que você não se importa com o direito à privacidade porque não tem nada a esconder não é diferente de falar que você não se importa com a liberdade de expressão porque não tem nada a dizer.

Explicação da Ausência

Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer — fosse abertura —
E a saudade é tudo ser igual.

Meus ponteiros são de vidro
Vivo o medo de quebrar
Eu queria ser imensa
Pra poder te segurar

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
De quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
De quem já só por dentro se ilumina
E surpreende
E por fora é
Apenas peso de ser tarde. Como é
Amargo não poder guardar-te
Em chão mais próximo do coração.

Quis me calar, pensar pra dentro
Conhecer minhas perguntas
Te perder pra me encontrar

Quis te afastar do pensamento
E os minutos de coragem
Me fizeram desabar

Quis viajar de corpo inteiro
Conhecer cada segundo
Do que é ser no singular

Olhos atentos nas esquinas
E as feridas desse mundo
Me ensinaram a rezar

Dia triste na cidade
Você não veio, eu não fui, ficou assim
Só me diz que é verdade
Que eu tô em você e você tá em mim
Sem fim

Foi beijo no meio das fitas
Dos discos jogados no carro
Tem beijo que fica na gente
Tem beijo que é só temporário

Disse: Corre pra longe, onde ainda não chegam os medos!
Menina, o mundo é grande demais!
Borda os pensamentos profundos
Se solta
Vai, sem hora pra voltar
Vem, sem medo e pode ficar
Que a estrada se encarrega de levar

Fala que é de verdade, que a realidade
Poderia ser
Menos cruel
Comigo e com você

Em meu lar
Seu retrato na parede toda noite eu choro
Vou tirar
Sei que ela foi embora, mas ainda lhe adoro
Eu preciso reviver minha alegria
Só vou deixar seu retrato mais um dia

Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos
E quero cair em desuso
Fundir-me completamente.
Esperar o clarão da tua vinda, a estrela, o teu anjo
Os focos celestes que a candeia humana não iguala
Que os olhos da pessoa amada não fazem esquecer.
Amo tão grandemente a ideia do teu rosto que penso ver-te
Voltado para mim
Inclinado como a criança que quer voltar ao chão.

Quem sofre de amor neste mundo
O sofrimento é mais profundo
Eu também amei
Já sofri
Já chorei

Vejam vocês
O rapaz como padece
Esquecer não se esquece
Do amor que lhe traiu
Já dei conselhos
Ele não quis me ouvir
Refugiou-se na bebida
Não quer mais sorrir

Tudo que quiseres te darei, ó, flor,
Menos meu amor
Darei carinhos se tiveres a necessidade
E peço a Deus para te dar muita felicidade
Infelizmente só não posso ter-te para mim
Coisas da vida, é mesmo assim

Se o teu amor
Fosse um amor de verdade
Eu não queria e nem podia
Ter maior felicidade
Com os olhos rasos d’água, me chamou
Implorando o meu perdão, mas eu não dou
Pega esse lenço, vai enxugar teu pranto
Já enxuguei o meu, o nosso amor morreu