Coleção pessoal de pensador

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Como a maioria dos problemas é criada por nossa imaginação e, portanto, imaginária, tudo o que precisamos são soluções imaginárias.

Quer saber a forma mais fácil de se apaixonar? Basta associar-se a todas as suas experiências agradáveis de alguém e desassociar-se de todas as desagradáveis.

Com a respiração, nós podemos nos aproximar do mistério da vida. Nossa vida se mantém através deste sopro. Este sopro é o fio que nos interliga à fonte. O sopro é uma maneira muito simples de estar atento, de estar presente.

É preciso transformar a violência que está em nós. Antes de fazer grandes discursos contra a violência, é necessário aprender a transformá-la em si mesmo. Muitas vezes, são os nossos pensamentos que são violentos, nossos julgamentos. E é um longo caminho aprender a doçura.

Quanto mais nós procuramos o prazer, mais ele nos foge. Quanto mais a gente foge da dor, mais ela consegue nos alcançar. A morte faz parte da vida. Tentar negar a morte não impede que ela chegue. Isso faz com que a morte seja dolorosa.

Minha vida está em ruínas, não há obstáculo à visão daquilo que é.

Um homem bem estruturado é um homem que reencontrou o seu centro, e, em torno deste centro, seus pensamentos, seus afetos, encontram sua ordem e sua estrutura.

Tudo o que não fazemos por amor é tempo perdido. Tudo o que fazemos por amor é a eternidade reencontrada. A única coisa que não nos podem tirar, a única coisa que a morte não pode nos tirar, é aquilo que doamos. O que tivermos dado, nada nem ninguém pode nos tirar. É essa doação que fica de nós mesmos.

venha
me livrar
dessa vidinha à toa,

enquanto
eu fernando,
você outra pessoa:

rapte-me da cama,
leoa!

pirando-me

é,
este
poema
não nasceu
para ser escrito
este poema nasceu
para ser como um grito
poema fadado ao infinito
a própria pirâmide do egito

no primeiro jardim
da via láctea

fica assim combinado
o nosso piquenique

eu vou de bike
com meu tênis da nike

e não vejo a hora
de avistar o teu

sputnik

de repente
não mais que de repente
eu você
você e eu
nós dois assim
frente a frente
não mais que de repente
nós dois a fim
bem rente
olho no olho
dente no dente
de repente nós dois

pra sempre

nós dois
dois nós

um dia sem você
não tem remédio
é tudo tédio
não tem poesia
um dia sem você
é meio dia

Lembro, em primeiro plano,
tua estatura de planta
e recomeço a esculpir-te
em miolo de pão, pétala a pétala.

Mas não envelhecemos sempre esperançados
na juventude eterna que não deixa marcas
Estamos marcados desde que nascemos,
transviados por onde não há estradas:

somente caminhadas sem sair de becos,
miragens de desertos nos confins das ilhas
Passam por nós os anos e só fica
um sulco que se fecha na memória em ferida

Por dentro era o som dum violino
por fora havia um vago marulhar
menos que nunca penso no destino
e bebo a tua sombra devagar.

OFERENDA

É preciso ser gratuito,
dar-se de graça
e agradecer por nada receber em troca:
santificar a poesia.

Escrevi milhares de versos
para esquecer. Amei algumas mulheres
para lembrar. Agora já posso dizer
o som em carne viva.

Felizmente.
Somos todos diferentes. Temos todos
o nosso espaço próprio de coisinhas
próprias, como narizes e manias,
bocas, sonhos, olhos que vêem céus
em daltonismos próprios. Felizmente.
Se não o mundo era uma bola enorme
de sabão e nós todos lá dentro
a borbulhar, todos iguais em sopro:
pequenas explosões de crateras iguais.