Coleção pessoal de pensador

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A gente tá sob (o efeito de) um poderoso psicotrópico, e você vai morrer.

Você quer viver ou morrer?

– A gente é do sul do Brasil. Uma região muito rica, com colônias alemãs e italianas. Somos mais como vocês. (...)
– Eles não são brancos, são? Como podem ser como a gente? Nós somos brancos. Vocês não são brancos.

A gente não mata amigos no Brasil.

– Quem nasce em Bacurau é o quê?
– É gente.

– Dor de cabeça, enjoo, vontade de morrer.
– Tu tá de ressaca.

Se for, vá na paz.

Resta este caminho; viver, ser o mais feliz dos mortais.
Mas a condição de minha felicidade, como tudo o que é humano, é instável.

Às vezes a memória deixada por um livro é mais importante do que o próprio livro.

Acho que parte do meu amor pela vida se deve ao meu amor pelos livros.

Por aquele corpo interminável, por aquelas pernas longas demais, por aquela tola sensualidade, eu arriscava a calma, o Universo, as lembranças, a ansiedade tão vívida, a riqueza de conhecer os hábitos das marés e mais de uma raiz inofensiva.

Creio que perdemos a imortalidade porque a resistência à morte não evoluiu; seus aperfeiçoamentos insistem na primeira ideia, rudimentar: manter vivo o corpo inteiro. Só se deveria buscar a conservação daquilo que interessa à consciência.

Nossos hábitos pressupõem uma maneira de as coisas acontecerem, uma vaga coerência do mundo.

A língua nunca foi e nunca é, em tempo algum, um terreno apolítico, pois ela não pode ser separada daquilo que uma pessoa faz com a outra. Ela sempre vive no caso específico, cada vez é preciso estar à espreita para arrancar-lhe o seu intento. Nessa indissociabilidade da ação ela se torna legítima ou inaceitável, bonita ou feia, também se pode dizer: boa ou má. Em cada língua, isto é, em cada modo de falar estão fincados outros olhos.

O veneno é eu acreditar que meu cérebro escorrega para a frente, sobre a cara. É humilhante, não há outra palavra, sentir-se descalça no corpo inteiro. Só que, quando a melhor palavra ainda não é suficiente, não se pode dizer muita coisa com palavras.

Sempre nos encontramos despreparados diante das coisas. Sempre elas se inventam, enquanto fazemos algo.

Levo comigo uma bagagem silenciosa. Fechei-me tão profundamente e por tanto tempo no silêncio que nunca consigo abrir-me através das palavras. Apenas me fecho de outras formas quando falo.

Cada frase só tem sua vez quando a anterior se foi. No calar tudo vem de uma vez só, tudo se acumula ali, o que por muito tempo não é dito e até mesmo o que nunca é dito.

Bom seria se em nossa cabeça houvesse coisas para serem trocadas, em lugar dos pensamentos que a gente rumina sem cessar.

Acho necessário que a literatura seja poética. Pela formulação poética tento fazer com que o texto seja menos artificial, reflita a vida. Tento fazer com que as frases contenham mais do que as palavras que estão ali. É o que me motiva a escrever. O que quero contar sei de imediato. A questão é como contar.