Coleção pessoal de pensador

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Tudo o que eu sei é uma porta para dentro da escuridão.

Mesmo que as esperanças que você criou sejam frustradas, a esperança precisa ser mantida.

Qualquer pessoa com bom senso e uma mente afiada medirá duas coisas: o que foi dito e o que foi feito.

Não consigo pensar em um caso em que os poemas tenham mudado o mundo, mas o que eles fazem é mudar a compreensão das pessoas em relação ao que está acontecendo no mundo.

O comportamento que é admirado é o caminho para o poder entre as pessoas de todos os lugares.

Muitas pessoas não creem naquilo em que colocam seu foco – estão ali fazendo o que precisa ser feito, sem a certeza inabalável de que pode dar certo. Mas, quando acreditamos em todas as ondas, conseguimos surfar nas oportunidades e fazer a diferença, obtendo resultados extraordinários e conquistas inéditas. É preciso simplesmente crer com convicção que mesmo aquela em que ninguém “bota fé” pode ser a onda que vai levar você ao pódio.

Se você não fracassa porque tem medo de perder ou porque sente receio de que algo pior aconteça, mude já essa mentalidade, quebre esse paradigma que se formou quando você estava na escola. O fracasso pode abrir portas, fazer com que você conheça novas pessoas.

Se estiver na dúvida entre fazer pouco e não fazer nada, saiba que a sua pequena parte somada à de cada um pode ser decisiva para a sobrevivência do planeta. Ou pelo menos para a sua sobrevivência.

Desafie a si mesmo. Para enxergar alguma mudança em sua vida é preciso dar o primeiro passo. A vida é imprevisível, e mergulhar de cabeça nessa imprevisibilidade faz com que a gente descubra que pode muito mais.

Pode ser que você não se ache capaz de fazer determinada coisa, mas quer saber? Todos somos, se nos desafiarmos e dermos o primeiro passo.

Se hoje consegui me desprender do bando, voar meu próprio voo, me tornando um líder que consegue conectar pessoas e inspirar nelas o desejo de voar mais alto, é porque um dia estive preso ao chão, sentindo o peso das asas que não conseguiam bater por conta própria.

Havia uma certa magia em ser diferente, em querer fazer as coisas de um jeito próprio.

Vejo-te um pouco como se já não houvesse
uma casa para nós. As grandes perguntas estão aí
por todo o lado, onde quer que se respire, dentro
dos próprios frutos. É o começo da noite
e os cinzeiros já estão cheios de meias palavras:
porque escolhemos tão pouco
aquilo que nos pertence?

Vejo-te de olhos fechados enquanto me confiavas
a tua história – à mesa da cozinha, quase um espelho,
quase uma razão. As minhas canções preferidas
pareciam convergir para ti a certa altura, dir-se-ia
que te vestias com elas. E no entanto
como se apressaram as grandes florestas a invadir
as gavetas, como misturaram as raízes
no eco que fazia o teu desejo contra mim.

Que mais podemos fazer?
Este amor é um país cansado

que não nos deixa mudar.
O medo cerca as fronteiras

e a capital é Nenhures,
cidade de perdulários

e pequenas ruas tortas
onde vem morrer a noite –

aqui estamos ambos sós,
desunidos, extraviados,

não há táxis na praceta
nem cinzeiros nos cafés

e perdemos os amigos
entre as curvas de um enredo

que deixámos de seguir.
Mas não era nada disto

o que tinha na cabeça
ao começar a escrever:

os versos chamam o escuro,
abrem os portões ao frio

e eu quero estar nas colinas
do outro lado do rio.

Depois de tudo, no vazio
da manhã inabitável,

ajuda-me a negar
este remorso:

eu só queria uma canção
que não morresse

e a hipótese de um poema
que não fosse

o lugar onde me encontro
uma vez mais,

sem desculpa, sem remédio,
diante de mim mesmo.

Ao fim da noite, no frio do táxi, pousas
a cabeça no meu ombro – e assim entramos
duma vez e inteiramente na nossa vida.
Lá fora, pelo contrário, tudo perde realidade;

há em toda a parte um sossego abstracto,
as ruas parecem pintadas – betão entre
as árvores – numa tela baça. Vamos por lugares
que não reconheço, a minha geografia é vaga

e omissa como a dos velhos cartógrafos
que desenhavam um mundo cheio de espaços
em branco. É onde estamos agora, num
intervalo do mapa rente à primeira manhã –

que será a nossa e também a última.

Devo dizer que sempre preferi
os versos feridos pela prosa
da vida, os versos turvos
que tornam mais transparentes
os negros palcos do tempo, a dor
de sermos filhos das estações
e de andarmos por aí, hora após
hora, entre tudo o que declina
e piora. Em suma, os versos
que gritam: Temos as noites
contadas. E também
os que replicam:
Valha-nos isso.

Mudamos esta noite

E como tu
eu penso no fogão a lenha
e nos colchões

onde levar as plantas

e como disfarçar os móveis velhos

Mudamos esta noite
e não sabíamos que os mortos ainda aqui viviam

e que os filhos dormem sempre
nos quartos onde nascem

Vai descendo tu

Eu só quero ouvir os meus passos
nas salas vazias

Depois das 7
as montras são mais íntimas

A vergonha de não comprar
não existe
e a tristeza de não ter
é só nossa

E a luz torna mais belo
e mais útil
cada objecto

Não durmo ainda

Só na cama
o tempo
ainda é meu

como a palavra

Discretamente
me agito
no colchão

Não penso em Deus
na morte

Imprimo
Aqueço-me
Escuto

conservo a posição