Coleção pessoal de pensador
Ó, meu bem, não quero falar de amor
Romance que me machucou
E pra cicatrizar
Vai ter que esconder minha dor
Mas eu te peço: seja sincero
Mesmo que eu me machuque tô esperando, certo?
E só vem pro meu sossego, não tenha medo
É a luz que me ilumina logo cedo
Eu vim te contar que eu resisto por você
Que com o passar eu me apaixonei sem querer
Que é você o meu fogo que fez a chama acender
O gesto mais sincero que já vi
Por mais que nós dois temos que partir um dia
Vamos viver
Amor, tava andando na beira do mar
Contando as horas pra você voltar
Nem vi o tempo passar
Ó, meu guri, vamos sonhar
Você pra mim me faz pensar
Na noite em que você chegou
Pra me acompanhar
E fui vendo que meus amigos fui perdendo
Aquilo em mim foi doendo
Comecei a expressar minha dor
Assim aos poucos fui conhecendo
Aquela que hoje é a minha diretriz
Me levanta, me adianta
É o que me faz ser feliz
O jogo é duro e eu tenho que ser mais
Qual faculdade que eu faço pra aprender a ter paz?
De um jeito eficaz
Sou filha sem mãe nem pai
Sou cria da confusão
E seja lá como for
No lixão nasce a flor
Transformar em canção toda a dor
Pra realizar vale o risco da caneta pro papel
Esse é o meu paraíso, pois nem sei se existe o céu
Hoje eu tô suave e tô a pampa
Me aceito, te respeito e eu me gosto sem uma tampa
O mundo é grande, grande coisa!, o coração também é
E te garanto, foi tão lindo quanto o mundo já foi
E te garanto, tá tão podre quanto esse mundo tá
Coincidência, pois também foi o homem que estragou
Nem sei da onde eu tiro força pra me manter de pé
Ao mesmo tempo, eu sinto a força equivalente a mil bois
Não é das coisas que você faz com amor e com boas intenções que acabará lamentando-se. É com as coisas as quais você não fez que terá de lidar.
Será que um dia cheguei a sonhar com romance e com cavaleiros brancos? Ainda menina, será que imaginei que um dia um belo príncipe com o coração no olhar seguraria meu rosto nas mãos e me beijaria? Não conseguia me lembrar disso agora, mas desejei que pudesse, porque queria imaginar que aquela garotinha estava em algum lugar dentro de mim e que aquele momento era para nós duas, e por todos os sonhos que achei que estivessem perdidos. Perdidos para alguém como eu.
Eu lhe daria um arco-íris todos os dias, se pudesse, só para ver o sorriso que ela me deu naquela manhã, para ver a surpresa brilhando em seus olhos por mais do que apenas um minuto.
Eu abrira mão da esperança tempos atrás. Descobri muito cedo que esperança não era nada além de algo cruel e perigoso.
Ela me contou dos seus sofrimentos do passado, do seu coração partido, mas, principalmente, do seu processo de cura e como aprendera que a reparação é um lento processo.
A confiança que você tinha em mim era tudo de que eu precisava para dar uma chance a mim mesma. E então você me deu o presente mais abnegado de todos: tempo. Tempo para que eu pudesse me desfazer e depois me montar de novo.
Se ela precisasse de forças eu seria sua rocha; se precisasse de conforto, eu seria o lugar acolhedor para qual voltar. Eu seria qualquer coisa que ela precisasse que eu fosse.
Ele falou que eu não estava entendendo a oportunidade que se abria para mim. Ele falou que a sorte abre suas portas para todo mundo, pelo menos uma vez na vida, mas que, se essa oportunidade é desperdiçada, a sorte cerra suas portas.
Não consigo encontrar as palavras nas palavras. Só encontro minha voz, no que penso. Mas o que eu penso, ninguém ouve. O que eu penso é silêncio. Então eu me calo. O silêncio é minha voz.
O silêncio é a voz que eu calo.
O silêncio é a voz que eu guardo.
O silêncio, é lá onde eu moro.
O silêncio sou eu.
Eu acho que quando a gente lê um texto imaginamos a realidade, ou algo muito parecido com o que está descrito.
Dezembro.
Calor.
Miguel está ao volante. Sério. Suando.
São Paulo.
A mosca se debate contra o vidro.
A mosca parece não perceber o que a detém.
Persiste.
Zunido.
Não vejo mal nenhum nisso de ficarmos desmotivados. E eu não estou falando só de mim, acho que essa coisa de ficar sem vontade, desmotivado ou cansado, não tem nada a ver com depressão. Isso é uma coisa corriqueira. É o preço disso tudo, dessa estrutura que criamos e que acaba nos consumindo.
