Coleção pessoal de pensador

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Durante aqueles seis anos – quase sete já – em que estivera de volta a Hawkins, aprendera a aceitar o luto e o sofrimento, que aumentavam mais perto das datas comemorativas.

A água do mundo
É um olho triste por calar
A água do mundo é não lembrar

A dona do mundo faz
Do alcance o seu dizer
Ter água no corpo é merecer

A dor é você
Adorei você

Entre nós
A dor nacional
Há os brilhos
E há navios no cais
Há vestígios meus
Só não há você

Meu verbo é infinito mas é feio
Pra servir de epifania ou de portal
Meu verbo é o elemental
Minha casa é o seu varal
Onde os corações tomam ar

Bela, eu sou cachoeira
Pra que você tenha dó
Quando me visse sem eira
Você fizesse um alvoroço só

Eu sou errado e pra você eu não mereço, entendo
Por causa disso você acha que eu sou sem sentimento
Sou novo, mas eu tenho muita dor guardada aqui dentro
Por você eu tento mudar, mas você nunca tá vendo

Não tenho tempo a perder
Eu não preciso mentir
Aqui no morro tu sabe como que eu vivo
Então não brinca com o amor de um bandido

Nos meus olhos muita dor, sei que tu pode notar
Quando eu olho pro céu lembro dos que estão lá
Liberdade pros amigo, sei que já, já vai chegar
Ver a favela vencendo sempre vai incomodar

Juro, eu só tô tentando mudar de vida
Dar um pouco de orgulho pra minha família
Não esqueça, meu mano, o mundo gira

Todos os meus manos de roupa de grife
Todos os meus manos vieram da rua
Sei que eu sou um menor muito exibido
Mas não sei por que eles se preocupam comigo
Eu não sou famoso, mas olha como eu me visto
Cabelo roxo, eu posso' mano, porque eu tenho estilo

Quando sinto o seu cheiro o meu mundo gira
Me acalma, me eleva, melhora meu dia
Se não vem, eu faço corre, quero todo dia

Me sinto leve como seda
Então me aperta e me beija
Respira enquanto me incendeia

Você tem um sorriso bobo que me ganha
Às vezes eu tô triste e só faço manha
Esquece tudo isso e diz que me ama
Só assim

Eu sei que nem sempre tu me leva a sério
Minha vida é meio louca e cheia de mistério
Eu sei lidar comigo é um caso sério
Eu sou assim

Brasil, o teu nome é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
(São verde e rosa, as multidões)

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Sou Mulher, sou dona do meu corpo
E da minha vontade
Fui eu que descobri poder e liberdade
Sou tudo o que um dia eu sonhei pra mim

Eu não sei, porque eu tenho que ser a sua felicidade
Não sou a sua projeção, você é que se baste
Meu bem, amor assim eu quero é longe de mim