Coleção pessoal de pensador
Nesse processo de virar adulta, percebi que estou longe de ser perfeita. E, ao mesmo tempo, cansei de sentir medo por não ser.
Adultos acham que precisam ser fortes e seguros de si para serem adultos, mas essa é a parte mais infantil de ser adulto.
Sempre fico com medo depois que publico alguma coisa, seja uma frase nas redes sociais, seja um livro. Porque sei que algumas pessoas vão gostar dele e outras não. E eu me importo muito com o que pensam a meu respeito.
Que fazer se, por toda a parte, recebemos uma saraivada de idiotas? Não há opção à vista. Cada um tem de se tornar idiota para sobreviver.
Os idiotas perderam a modéstia, a humildade de vários milênios. Eles estão por toda parte. São os que mais berram.
Somos mais idiotas do que nunca. Ninguém tem vida própria, ninguém constrói um mínimo de solidão. O sujeito morre e mata por ideias, sentimentos, ódios que lhe foram injetados. Pensam por nós, sentem por nós, gesticulam por nós.
Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
Assim como o chocolate se mistura com a pimenta para fazer o mole, a alma dela se misturou com a dele na eternidade daquele instante.
Ela nasceu chorando. Talvez porque percebesse que sua mãe não a amava… Talvez por ser mulher em um mundo dominado por homens… Ou talvez por sentir que seu destino já estava decidido e que, para alcançar a felicidade, sua vida se tornaria uma dura e longa batalha…
Aprendi há muito tempo que as histórias não são totalmente verdadeiras ou falsas porque são alimentadas por meias-verdades, por mentiras bem contadas ou lembranças distorcidas.
