Coleção pessoal de pensador
Não sei como se mede o amor. O amor é inconsútil, não tem medida. Cada um vive o amor do seu jeito.
Não existe metro nem fita métrica, como usam as costureiras, para medir a felicidade. A felicidade é diferente para qualquer um.
De quem é esta pele
que cobre a minha mão
como uma luva?
Que vento é este
que sopra sem soprar
encrespando a sensível superfície?
Por fora a alheia casca
dentro a polpa
e a distância entre as duas
que me atropela.
Pensei entrar na velhice
por inteiro
como um barco
ou um cavalo.
Mas me surpreendo
jovem velha e madura
ao mesmo tempo.
E ainda aprendo a viver
enquanto avanço
na rota em cujo fim
a vida
colide com a morte.
Desconfie, portanto, dos liberados sem felicidade. Dos liberados agitados, tensos, nervosos, sempre em busca de novas afirmações libertatórias. A liberação verdadeira é equilíbrio, é serenidade, e transmite sua paz facilmente.
No diálogo de amor, o amor cresce junto com o medo, e no amor busca-se o amparo. A meta proposta é tão mais fascinante do que tudo, que tange e empurra e leva adiante. Propõe-se o encontro. O encontro de cada um consigo mesmo. E o encontro total entre duas pessoas, que só o conhecimento individual permite. A proposta desse encontro é tão grande, tão luminosa, que assusta. Mas, ainda que trêmula, ainda que assustada, é preciso colocar a mão sobre o primeiro botão e soltá-lo — é preciso procurar as palavras para começar o diálogo. Porque é falando da vida que espantamos a morte.
Esse é o principal ponto da tecnologia. Por um lado, ela cria um apetite por imortalidade e, por outro, ameaça extinção universal. Tecnologia é a luxúria removida da natureza.
Eu trabalho, cuido dos meus cães. Quando tenho sorte, eu surfo. Acordo e repito. Essa é a minha vida.
