Coleção pessoal de pedro_bezerra_1
Depois de muito martirizar, percebi que não a amo, o que gosto tanto é a possibilidade inexistente de sentir posse sobre ela. Queria estar morto para não ver minha posse imaginaria se perder.
O ser humano é tão doente que consegue amar intensamente alguém que não lhe retribui um terço do que lhe é dado.
Os momentos onde mais entendi de mesmo foram os de profunda tristeza, sorte a minha serem a maioria da minha vida.
O que sempre me trouxe um estranho conforto em todos os fins de dias tristes era saber que quando parasse eu mergulharia em um mar morno, cinza e espesso de melancolia. A vida sempre foi triste, mesmo que nem sempre dependesse de mim.
Talvez eu nunca seja feliz, mas esta noite estou contente. Nada além de uma casa vazia, o morno e vago cansaço após um dia ao sol plantando estolhos de morango, um doce copo de leite frio e um prato raso de mirtilos cobertos com creme. Agora sei como as pessoas conseguem viver sem livros, sem faculdade. Quando a gente chega ao final do dia tão cansada precisa dormir, e ao amanhecer haverá mais morangos para plantar, e vai-se vivendo em contato com a terra. Em momentos assim me consideraria uma tola se pedisse mais...
Pressiono minhas feridas intensamente com a fútil esperança de que a dor acabe ou a dor de uma esconda as demais.
Você ficaria surpreso com o tanto que uma pessoa pode se tornar imbecil apenas para defender uma ideia.
O amor é sempre, e somente sempre, irracional, nunca uma ovelha exporia seu pescoço para o primeiro que visse, pois enquanto possuir dentes pode estripá-la.
A mesma coisa que me faz alcançar o auge da felicidade é a que me rebaixa ao auge da melancolia. Tenho a impressão de que isso não é saudável.
O problema é que amo cada pedacinho dela e queria me desprender de todos que me fazem mal: o seu todo.
Estou em uma profunda dúvida se transformo toda essa dor em texto ou somente bebo uma generosa dose de gin.
"Você é minha lua!", não, sou tua lua, que brilha e que ilumina o teu lado escuro, controla teu mar e nunca deixa mostrar o lado no qual não brilho por ti. Liberto poder-me-ia ser? Sem tua gravidade vagaria sem rumo até colidir em outro corpo infame. Isso não é amor, é doença.
