Coleção pessoal de Paulamonteiro

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estou indo
pois o silêncio
também pode ser
nota plena
numa música
que já não nos cabe
mais escutar .
hoje
não mais a canção
da tua ausência .
hoje
não mais a insana
indiferença.

VEM ME A-MAR
Me viciei em ti
No teu jeito
ás vezes marulho tempestivo
ás vezes anjo menino
Nos teus cheiros vorazes e nos teus
silêncios repetitivos que tanto me dizem
para o horizonte seguir .
-
Me viciei nos teus acordes de sorrisos
e nos teus olhos cor de vento
a me seduzir sem sequer uma palavra
de girassol ofertar a mim.
-
Me viciei sem sentir
Nos teus encantos com brisa de mar
e em tuas conchas de estrelas
a me luzir .
-
Me viciei nos teus andares de ondas
em tuas asas de calmaria
em teus fascínios maduros
em teus desejos e fantasias
em teus rebentos de poesia
-
Ah, meu amor
Nem precisarias me dizer nada
Teu imenso azul já cintila paz por si
Mas por favor
Só não navega tão longe
Senão morro sem ti.
-
Sou travessia sem ponte
Sou alma sem horizonte
Sou rio vazio sem teu desaguar
Pois tu és minha fonte
Meu cálice de eternidade a me embriagar.
-
Ah ,meu amor
Tu és minha travessia a navegar
Não te demoras tanto
Vem logo me A-mar !

DESERTO
Te esperei por noites infindas
Desenhei uma longa história
de manhãs a dois
Me lancei num mar de fantasia
vestida de desejos
de juras
de amor
de poesia.
Por ti
me feri
me debati
me aprisionei
me vi num corredor sem fim.
Foram muitas luas e lágrimas
ofertadas somente a ti .
Os teus olhos e teu jeito sereno
eram tudo que eu tinha nos
sonhos e com encanto.
Mas me faziam uma refém do teu
enlace de total desprezo.
Por ti
tantas vezes fechei os olhos e
brinquei de eternidade
e com minha sensibilidade sedenta
só bebendo a fragrância do que nunca tive .
Me sugaste
de fissuras
de fascínios
de esperas
de saudades ...
Desejos de tê-lo ao meu lado pra sempre
presos numa gaiola dos teus silêncios
sem ter como se libertarem.
Por ti
tantas vezes abri mão das minhas
flores ,só para ser a única em teu jardim .
Nada restou
A não ser o deserto do teu silêncio
me latejando por dentro
e o vazio desse puro sentimento
que de ti só me afastou.

Tatear meus silêncios
e ler em braile flores no altar da minha solidão ...
São presas fáceis
diante às teias das minhas desilusões.
Só me pertenço mesmo no escuro.

Minha vida é um mar transbordando
desalinhos e desilusões
num grito mudo querendo
ser maresia ,
vento e poema .

Ando bebendo teus olhos na taça
dos meus silêncios
Mais uma vez
adormeço embrigada.

Nas manhãs ,geralmente , estou muito cansada!
Não que não queira abraçar já de cara o dia ,
mas venho de uma madrugada longa, cheia de pensamentos
intensos e de uma travessia in meus profundos silêncios .
Vivo na noite e sou filha dela .
Então quase todo dia acordo sem disposição para nada e
preciso de um certo tempo até me conectar totalmente
com o lá fora.
Muitos não entendem isso e não respeitam meu momento.
Me querem acordada ,lúcida e acesa logo de imediato !
E eu não funciono sob pressão e muito menos na marra .
Sou livre
E essa liberdade ninguém me rouba
e nem sufoca por dentro.

Ando optando pelo meu silêncio
e pela minha solidão
E não é desespero não...
É alento!
Prefiro navegar leve e serena
atravessando meus desertos
Indo de encontro ao vento
Do que navegar absorvendo
o que só me trás fúria e tormento.

Anoiteceu
Agora minha conversa
É entre a Lua e Eu.
Vai lá querida Lua
Diz a ele que estou aqui à sua espera
Que meu tempo é curto
E que eu o desejo muito.
Vai Lua! Anda depressa !
Não deixe que nenhuma outra abrace seus olhos,
toque em seus lábios
e beije o seu lindo sorriso.
Falta pouco pra eu enlouquecer sem o seu amor .
Corre Lua!
Diz a ele também
Que estou ansiosa pra vê-lo
Nem que seja pela última vez!
Só dessa vez!

Eu só funciono inteira
quando sentada nas asas da lua
e me debruço sozinha em meus silêncios.
Não tem jeito...
Sou filha da madrugada !

Angel
Trying not to love you
only makes me love you more.

Meu coração anda cansado
Ferido e amargado
com tantas feridas dessa vida.
Não anseia e nem delira
Não passeia e nem grita
Fechou a porta
Perdeu a vontade de amar
Percebeu que tudo um dia finda .

Cheguei bem perto de tocar .
Mas meu avesso gritou mais alto
Desandou tudo levando-me às
sobras do silêncio e às
mãos atadas com o nada .
Ah, trágico destino !

Inda bem
que a lareira da lua
me conforta
Uma hora o vento há de bater
de vez essa porta
Uma hora qualquer
hei de salivar com gosto inteiro
o meu sumo in sossego.
- Trecho do meu Poema TURVO !

Tu terás todas ... todas aos teus pés
Mas de mim ...
Apenas o silêncio !
Porque não sei amar ameno
e nem aprendi a me contentar
com sobras .
Meu amor é sempre intenso,
sedento e pleno !

Foste o sonho mais lindo
e perfeito
que um dia pousou aqui
em pensamento
e hoje faz morada em minh'ama .

Que minha sensibilidade nunca me traia
e nem te roube de mim .
Porque só sei ser vento quando tu me olhas .

Minhas melhores viagens nascem
quando fecho os olhos
me encontro sozinha e silente.
Ah, me delicio em mim mesma!

Fui só vulcão
Do muito que cheguei
foi embriagar-me nos teus olhos
nas asas da solidão
e nadar de contra o mar
com o amor in súplicas na mão
Me naufraguei
sem sentir
sem medir
sem querer
e sem pedir
Definitivamente ...
Sou péssima para amar !
- Trecho do meu Poema NAUFRÁGIO !

Meus Anjos são da Noite !
Eles sempre me despertam quando
a luz se apaga
o lá fora se cala
e me leva
em su'asas a um mundo
de encantos
de sonhos
de boemia
de loucura
de fantasia
de poemas...