Coleção pessoal de Paulamonteiro
MUNDO ENCANTADO
Sozinha num canto
olhos fechados
alma vagando
alento cintilando
mundo remanso
em meu sonho descanso .
Por vezes nem quero acordar !
O som do silêncio
sempre extasia-me
e leva-me a
um mundo encantado
onde meus segredos
são despidos nas nuvens
sem ninguém e nada
os incomodar.
Todos meus ... só meus .
Agora estou num lugar
por onde passarinhos
sempre fazem seus ninhos
sem pressa
onde a lua dilata luzir
in orquestra
e as borboletas
repousam com liberdade .
Estou num lugar
onde o silêncio é minha veste
e ele costuma sempre passear.
Ah,hoje nem quero mais acordar !
ACORDA menina bonita !
Sai dessa vida aflita
Lá fora o dia anda em festa .
Acredita !
Coloca seu vestido inda que
de chita .
E arruma seu cabelo
com um lindo laço
de fita .
Vai ...
Se faz mais bonita !
Não liga para o que os
outros vão pensar
Paira teus sonhos no ar
Se joga
Se liberta
Se atiça
E voa !
Esquece quem te doeu
ou quem não quis ficar .
Esquece o que te entristeceu
ou quem te fez chorar
Faz das flores teu próprio
encanto
Não te demoras
tanto !
Se perfuma
Se arruma
Se pinta
Vai ver a vida menina !
Lá fora há quimeras
a te esperar e passarinhos a
voar .
Pulsa tua alma
no teu próprio amar !
Deixa de ser boba menina
Tua alegria inda mora
no teu caminhar !
Queria tanto amar sem ser poeta .
Assim como todo mundo !
Poetas sofrem e desabam em dobro.
Além de amar com o coração ,
precisam também derramar sua alma
num papel e pra todo mundo ver .
É uma espécie de forca .
Ficamos tão expostos
tão vulneráveis até mesmo para
quem amamos .
E quando o outro lado não enxerga nada
aí é que dói mesmo.
Eu só queria ser como a maioria :
Amar no silêncio !
E se n'algum dia
inda me encontrares em teus silêncios
Saibas :
Os meus continuam sendo todos teus .
Ando tão ausente desse mundo
e tão presente nos meus silêncios ...
Que nem tenho mais tempo de enxergar
a maldade lá fora e seu caos .
E sempre que saio de mim ... juro
Mais vontade tenho voltar aos meus
profundos quintais
Morar pra sempre no meu casulo de paz.
Pra Vida:
Deixe que a maldade por si
pegue seu rumo de volta
Não se contamine
Não se entristeça
Não se aborreça ...
Viva na paz do seu mundo
Faça o bem sem olhar a quem
Regue sua alma em leveza
Vista-se de amor e de pureza
Quando estamos com a consciência
quieta e tranquila...
O mal por si se esvai
e iniquidade de fora ...
Naturalmente se
desmorona .
Só navego se mergulhar lá no fundo
Se for pra ficar na beirada
vagando a ver navios ...
Prefiro calar minh'Alma .
Tenho sede de profundo !
Se alguém perguntar por mim ...
Diga que ando vagando em outros mundos,
caçando vento
e aparando estrelas com os pés na lua .
Na Poesia da Vida :
há flores e espinhos
há mar e vendavais
há águas e vinhos
há becos e cais
há luz e escuridão
há frestas e contramão
há estradas e desertos
há girassóis e nós
há ventos e ventanias
há acordes e fantasias
há amores e ilusões
há céus e chãos
há arco íris e nuvens
há paixão e inexatidão
há portos e redemoinhos
há alentos e descaminhos
há chuvas e temporais
há horizontes e montes
há risos e lágrimas
há sons e silêncios
há tempos e templos
há fome e saciedade
há fontes e frontes
há brisas e furacões
há prisões e liberdades
há desapegos e saudades ...
Na Poesia da vida há de tudo ...Tudo !
Depende do dia
Depende do luar
Despende dos céus
por onde o poeta
voa
se liberta
Por onde passeiam
seus pensamentos distantes
e suas asas em versos anseiam
re-pousar .
Aquele que não se vigia ,
não se respira ,
não se lapida e não silencia ...
Acaba por fim só falando bobagens ,
o que não deve e amontoando lixo na alma .
Já o silêncio ,para os sábios , é prece !
LAGARTA
Não sei mais para onde ir .
Já tentei sumir
me ausentar de mim
refugiar-me na ventania
dar as mãos com a solidão
beber o oceano inteiro do silêncio
inebriar-me de mansidão...
Mas até agora
só consegui ser confusão
e largar minhas asas
na tempestade.
E com o coração em erupção
só tenho me partido em pedaços
deixando fagulhas de delírios ,
brasa do insano
por todos os cantos e lados.
Lágrimas vestidas de desejos ,
fantasias e saudade.
Todas ... todas a rirem sem pena
do meu total desastre.
Talvez se tivesse trancado o postigo
dos meus sentimentos avassaladores ,
sentando nos vãos dos meus silêncios e
me acomodado nos quintais
da solidão ...
Talvez se tivesse investido mais
no meu cais melodiando paz ...
Não me veria aqui agora lagarta
largada nesse casulo sem saída,
sem o alimento do teu sumo,
debatendo-me sem prumo
e com vontade
de beber todo teu amor
como resumo.
Tentando novamente adaptar-me
a essa tua ausência que
me enlaça
me aprisiona
me inebria
e faz-me viver dormente ...
In vertigem
Somente para
aspirar o oxigênio
inteiro da tua imagem .
Não ...
Não posso deixar me abater e
nem da minha paz me perder .
Mas tem horas que
bate saudade
bate tristeza
bate frio
bate vazio ...
É nesse instante que mais preciso fechar os olhos ,
entrar no meu profundo
Só para trazer de volta a leveza e
a paz que tanto preciso.
Silenciar os sentidos...
Amar não é tão fácil assim
como dizem por ai .
Em mim , ele sempre tentou fugir
quando estive mais a fim
ou
talvez porque minhas retinas sempre
desejaram o que mora muito longe .
Sempre tive queda por improváveis e
impossíveis !
Uivo a cada desejo surreal e
sinto enorme prazer no longínquo.
Acho que por isso
vivo procurando amor no vento,
nas nuvens e
no insano silêncio .
Deixo-me assim!
Por que não nos encontramos antes?
antes da lonjura
antes da ausência
antes da lágrima
antes da tortura
antes da saudade?...
Por que?
Por que vieste antes dos sonhos
despedaçarem a
serem interrompidos pelo teu eco
ausente e gritante ?
Por que vieste antes do
não estarmos sempre juntos ?
Por que?
Por que esse amor veio
tão lindo
tão encanto
tão puro
tão reluzente
e depois só me deste
como sobra ,
como sombra e de presente
os espinhos insossos desses algures
e os insanos silêncios ?
Por que?
BAILANDO NA LUA
Sobre um manto de estrelas repouso em
poeiras de cometas.
No céu dessa minha imaginação tem tantas galáxias.
Mas a Lua... Ah, a lua
Vem iluminando essa minha inspiração fazendo
clarão nesses meus pensamentos.
Ela me fascina tanto… tanto...
E debruçada sobre seu altar
visto-me de sonhos
releio páginas de amores
respiro alento na janela.
A lua sempre leva-me a um cais de fantasia
e por entre vastas madrugadas
seu manto suavemente me acaricia.
Escuto a voz do vento
Atravesso desertos
Desenho flores pulsando canções serenas
Melodio paz in versejo
Ecoou clarim e ternura in profundo
Faço do silêncio meu templo.
Já quis ver o céu lá de baixo
Colher, quem sabe, quimeras no chão
Mas não tem jeito não
É aqui a bailar na lua
Que sou minha dona e
navego silente
numa doçura de canção.
Tentei fugir de ti
Me aportar n'algum canto com a
cor dos teus olhos e a
suavidade dos teus encantos
Me lancei no vento
Mas só encontrei a saudade
latejando fundo
e lagrimejando poeira no peito .
Hoje adormeço salivando teus silêncios
e sonhando uma eternidade toda
a ser teu amor remanso .
Por mais que tentes fugir
e me esquecer
Encontrarás por ai
e n'algum vento
meus fragmentos .
Porque por onde passo
costumo deixar poeira no rastro ,
incógnitos indecifráveis
e o perfume das rosas nos silêncios .
