Coleção pessoal de Paulamonteiro

2001 - 2020 do total de 2589 pensamentos na coleção de Paulamonteiro

MUNDO ENCANTADO

Sozinha num canto
olhos fechados
alma vagando
alento cintilando
mundo remanso
em meu sonho descanso .

Por vezes nem quero acordar !

O som do silêncio
sempre extasia-me
e leva-me a
um mundo encantado
onde meus segredos
são despidos nas nuvens
sem ninguém e nada
os incomodar.
Todos meus ... só meus .

Agora estou num lugar
por onde passarinhos
sempre fazem seus ninhos
sem pressa
onde a lua dilata luzir
in orquestra
e as borboletas
repousam com liberdade .

Estou num lugar
onde o silêncio é minha veste
e ele costuma sempre passear.
Ah,hoje nem quero mais acordar !

ACORDA menina bonita !
Sai dessa vida aflita
Lá fora o dia anda em festa .
Acredita !
Coloca seu vestido inda que
de chita .
E arruma seu cabelo
com um lindo laço
de fita .
Vai ...
Se faz mais bonita !
Não liga para o que os
outros vão pensar
Paira teus sonhos no ar
Se joga
Se liberta
Se atiça
E voa !
Esquece quem te doeu
ou quem não quis ficar .
Esquece o que te entristeceu
ou quem te fez chorar
Faz das flores teu próprio
encanto
Não te demoras
tanto !
Se perfuma
Se arruma
Se pinta
Vai ver a vida menina !
Lá fora há quimeras
a te esperar e passarinhos a
voar .
Pulsa tua alma
no teu próprio amar !
Deixa de ser boba menina
Tua alegria inda mora
no teu caminhar !

Queria tanto amar sem ser poeta .
Assim como todo mundo !
Poetas sofrem e desabam em dobro.
Além de amar com o coração ,
precisam também derramar sua alma
num papel e pra todo mundo ver .
É uma espécie de forca .
Ficamos tão expostos
tão vulneráveis até mesmo para
quem amamos .
E quando o outro lado não enxerga nada
aí é que dói mesmo.
Eu só queria ser como a maioria :
Amar no silêncio !

Quando Deus quer ...
Nos mais insólitos lugares se brotam flores!
Até mesmo diante às dores.

E se n'algum dia
inda me encontrares em teus silêncios
Saibas :
Os meus continuam sendo todos teus .

Ando tão ausente desse mundo
e tão presente nos meus silêncios ...
Que nem tenho mais tempo de enxergar
a maldade lá fora e seu caos .
E sempre que saio de mim ... juro
Mais vontade tenho voltar aos meus
profundos quintais
Morar pra sempre no meu casulo de paz.

Azuis são meus instantes inebriados de silêncios.

Pra Vida:
Deixe que a maldade por si
pegue seu rumo de volta
Não se contamine
Não se entristeça
Não se aborreça ...
Viva na paz do seu mundo
Faça o bem sem olhar a quem
Regue sua alma em leveza
Vista-se de amor e de pureza
Quando estamos com a consciência
quieta e tranquila...
O mal por si se esvai
e iniquidade de fora ...
Naturalmente se
desmorona .

Só navego se mergulhar lá no fundo
Se for pra ficar na beirada
vagando a ver navios ...
Prefiro calar minh'Alma .
Tenho sede de profundo !

Se alguém perguntar por mim ...
Diga que ando vagando em outros mundos,
caçando vento
e aparando estrelas com os pés na lua .

Na Poesia da Vida :
há flores e espinhos
há mar e vendavais
há águas e vinhos
há becos e cais
há luz e escuridão
há frestas e contramão
há estradas e desertos
há girassóis e nós
há ventos e ventanias
há acordes e fantasias
há amores e ilusões
há céus e chãos
há arco íris e nuvens
há paixão e inexatidão
há portos e redemoinhos
há alentos e descaminhos
há chuvas e temporais
há horizontes e montes
há risos e lágrimas
há sons e silêncios
há tempos e templos
há fome e saciedade
há fontes e frontes
há brisas e furacões
há prisões e liberdades
há desapegos e saudades ...
Na Poesia da vida há de tudo ...Tudo !
Depende do dia
Depende do luar
Despende dos céus
por onde o poeta
voa
se liberta
Por onde passeiam
seus pensamentos distantes
e suas asas em versos anseiam
re-pousar .

Aquele que não se vigia ,
não se respira ,
não se lapida e não silencia ...
Acaba por fim só falando bobagens ,
o que não deve e amontoando lixo na alma .
Já o silêncio ,para os sábios , é prece !

Paz só sinto mesmo
no meu casulo e
a me camuflar
nas asas do meu silêncio .

LAGARTA
Não sei mais para onde ir .
Já tentei sumir
me ausentar de mim
refugiar-me na ventania
dar as mãos com a solidão
beber o oceano inteiro do silêncio
inebriar-me de mansidão...
Mas até agora
só consegui ser confusão
e largar minhas asas
na tempestade.
E com o coração em erupção
só tenho me partido em pedaços
deixando fagulhas de delírios ,
brasa do insano
por todos os cantos e lados.
Lágrimas vestidas de desejos ,
fantasias e saudade.
Todas ... todas a rirem sem pena
do meu total desastre.
Talvez se tivesse trancado o postigo
dos meus sentimentos avassaladores ,
sentando nos vãos dos meus silêncios e
me acomodado nos quintais
da solidão ...
Talvez se tivesse investido mais
no meu cais melodiando paz ...
Não me veria aqui agora lagarta
largada nesse casulo sem saída,
sem o alimento do teu sumo,
debatendo-me sem prumo
e com vontade
de beber todo teu amor
como resumo.
Tentando novamente adaptar-me
a essa tua ausência que
me enlaça
me aprisiona
me inebria
e faz-me viver dormente ...
In vertigem
Somente para
aspirar o oxigênio
inteiro da tua imagem .

Não ...
Não posso deixar me abater e
nem da minha paz me perder .
Mas tem horas que
bate saudade
bate tristeza
bate frio
bate vazio ...
É nesse instante que mais preciso fechar os olhos ,
entrar no meu profundo
Só para trazer de volta a leveza e
a paz que tanto preciso.
Silenciar os sentidos...

Amar não é tão fácil assim
como dizem por ai .
Em mim , ele sempre tentou fugir
quando estive mais a fim
ou
talvez porque minhas retinas sempre
desejaram o que mora muito longe .
Sempre tive queda por improváveis e
impossíveis !
Uivo a cada desejo surreal e
sinto enorme prazer no longínquo.
Acho que por isso
vivo procurando amor no vento,
nas nuvens e
no insano silêncio .
Deixo-me assim!

Por que não nos encontramos antes?
antes da lonjura
antes da ausência
antes da lágrima
antes da tortura
antes da saudade?...
Por que?
Por que vieste antes dos sonhos
despedaçarem a
serem interrompidos pelo teu eco
ausente e gritante ?
Por que vieste antes do
não estarmos sempre juntos ?
Por que?
Por que esse amor veio
tão lindo
tão encanto
tão puro
tão reluzente
e depois só me deste
como sobra ,
como sombra e de presente
os espinhos insossos desses algures
e os insanos silêncios ?
Por que?

BAILANDO NA LUA
Sobre um manto de estrelas repouso em
poeiras de cometas.
No céu dessa minha imaginação tem tantas galáxias.
Mas a Lua... Ah, a lua
Vem iluminando essa minha inspiração fazendo
clarão nesses meus pensamentos.
Ela me fascina tanto… tanto...
E debruçada sobre seu altar
visto-me de sonhos
releio páginas de amores
respiro alento na janela.
A lua sempre leva-me a um cais de fantasia
e por entre vastas madrugadas
seu manto suavemente me acaricia.
Escuto a voz do vento
Atravesso desertos
Desenho flores pulsando canções serenas
Melodio paz in versejo
Ecoou clarim e ternura in profundo
Faço do silêncio meu templo.
Já quis ver o céu lá de baixo
Colher, quem sabe, quimeras no chão
Mas não tem jeito não
É aqui a bailar na lua
Que sou minha dona e
navego silente
numa doçura de canção.

Tentei fugir de ti
Me aportar n'algum canto com a
cor dos teus olhos e a
suavidade dos teus encantos
Me lancei no vento
Mas só encontrei a saudade
latejando fundo
e lagrimejando poeira no peito .
Hoje adormeço salivando teus silêncios
e sonhando uma eternidade toda
a ser teu amor remanso .

Por mais que tentes fugir
e me esquecer
Encontrarás por ai
e n'algum vento
meus fragmentos .
Porque por onde passo
costumo deixar poeira no rastro ,
incógnitos indecifráveis
e o perfume das rosas nos silêncios .