Coleção pessoal de NatanielFelipeL

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Somos donos dos nossos atos
mas não donos dos nossos sentimentos.
Somos culpados pelo que fazemos
mas não pelo que sentimos.
Podemos prometer atos,
mas não podemos prometer sentimentos.
Atos são pássaros engaiolados.
Sentimentos são pássaros em voo.

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.

É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado.

O pássaro é livre
na prisão do ar.
O espírito é livre
na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre,
é mesmo estar morto.

Quando dois seres humanos estão perfeitamente contentes um com o outro podemos assegurar-nos, as mais das vezes, que eles se enganam.

Se o conhecimento pode trazer problemas
não é na ignorância que vamos resolve-los.

O que nós somos nunca muda, mas quem
nós somos nunca para de mudar.

Se existe algo lá fora no universo, é esperto o suficiente para ficar longe de nós.

Se você quer pegar um rato, aja como um rato, não como um gato.

“A animalidade de uma fera no homem é abominável”, pensou, “mas quando se mostra em seu aspecto genuíno, você, das alturas da sua vida espiritual, a vê e a despreza e, quer sucumba, quer resista, permanece tal como era; porém, quando o animalesco se oculta sob um invólucro ilusoriamente estético, poético, e exige adoração, nesse caso, ao endeusar o animalesco, você passa por inteiro para dentro dele e já não distingue mais o bom do ruim. Isso então é horrível.”

⁠Hoje não levantei

Na cama fiquei.
Não quis abrir os olhos.

Com problemas pra resolver,
o cobertor puxei,
me cobri,
e ali me escondi.

Esperando essa onda
levar...
e voltar...
com a tranquilidade
das manhãs,

com cafés quentes,
que queimam o céu da boca
e nos preenchem de calor.

Das tardes ensolaradas,
o esplendor,
do céu azul e dos ventos fortes,
com pássaros assobiando —
lindos são as sonoridades.

Livres são as aves,
os pousos nas árvores,
o cheiro de plantas e flores
com o sereno da noite.

Hoje...
tempos anuviado.
Tempestuosos
são os pensamentos,

trazendo consigo
ventos gélidos.
E aquela luz...
já não brilha mais.

Mas os problemas ainda estão lá.
Mesmo que o mundo não esteja parado,
mesmo que o mundo
esteja em uma disputa com o tempo.

Sei que, na dissonância
de um cobertor escuro,
eu procuro...
não acho...
nada.

E me deparo:
ainda são cinco horas da madrugada.

E nada
me faz
levantar.

Fecho os olhos
novamente.
Não sei se estão fechados... ou abertos.
Na escuridão,
não importa o que é
ou o que não é.

Mesmo que eu veja...
ainda está escuro.

E procuro descansar.

Não me lembro mais do verão,
apenas do outono, com seu frio
e dos problemas que virão.

Despejo na imensidão da escuridão,
no quarto,
reflito,
repito:

“Nada há o que fazer,
a não ser se mover.”

Poema
Título : Na dissonância do cobertor
Autor: Nataniel Felipe Longo

O corpo é fraco... mas o coração é forte.

Solidão. É o que deixa a escuridão entrar. É contra isso que você deve lutar.

Algumas vezes as pessoas fecham a porta porque estão tentando encontrar uma maneira de fazer você bater nela.

(Elaine O'Brien - O Demonologista)

Sentir falta de alguém é como ter fome. Um vazio insaciável no cerne de si próprio.

A guerra contra o paraíso nunca foi travada no inferno, nem na Terra. O campo de batalha está em todas as mentes humanas.

É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante.

Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe.

Quando eu pensar que aprendi a viver, terei aprendido a morrer.

Assim como um dia bem aproveitado proporciona um bom sono, uma vida bem vivida proporciona uma boa morte.