Coleção pessoal de nataliarosafogo1943
se tudo muda, também muda o meu anseio e nem o tempo pode perturbar esta minha nova certeza, que perante teus olhos amor, eu terei sempre beleza...
trago em mim a utopia que me leva, que me protege contra a solidão e me deixa imune à sentença dos anos...
continue tomando seu chá calmamente...se está só, estabeleça consigo um diálogo... diga a si própria que um doce sonho se anuncia, deixe a esperança incendiar o esplendor da vida...
porque és saudade...ergues-te contra o tempo numa harmonia longa, acreditando que a morte é teu único destino...
se te amo... é porque despertas a fogueira que há em mim, e no segredo aprendido logo sobressalta uma centelha...celebrando o amor.
há rectas no meu sonho e eu sigo em frente ante o delírio do entardecer, enquanto a luz não acabar...
a saudade amanhece no meu pensamento e no peito nascem brancas madressilvas, deixa-me o coração a latejar... o corpo sente um vivo calafrio... enquanto arde meu sangue, ao lembrar a razão do meu pulsar.
ascendem lendários meus dias, percorrem o fundo da minha pele, e eu fico, como se já não fosse da terra nem do tempo prisioneira, disperso-me como se os sentidos não funcionassem mais...
apagou-se o pulsar do sol em metade do meu sonho, mas o meu alento fica exercitando-se, resgatando luz para a outra metade do sonho sobre a protecção da lua...sempre amanhã é outro dia.
caminha a memória por pedaços de recordações a querer esquecer a fuga irremediável dos dias, cativa da busca do sonho ...
frágeis são as borboletas, dançando no ocaso, no adeus à tarde...
também minha memória é luz em fuga, quando nas alturas surge a primeira estrela da noite...
que o alento não se apague em cada um de nós e o sonho vá ainda pela metade...que ele, seja a seiva verde da nossa esperança.
eu sou a anfitriã e ao mesmo tempo a convidada quando as tuas mãos se preparam livres, para percorrer o meu corpo no despertar de qualquer madrugada...............................................................
abre-se a manhã com um arrulhar de rolas,na noite deixei as estrelas e a saudade que crepitava no coração, deixei-me de desvarios. já não me sei, perdi o tempo de saber de mim...
quebraram-se as nuvens, o chão ficou molhado de giestas, imóveis os pássaros no vidro quebrado dos meus olhos permanecem ainda na memória d'outras primaveras...
infância...a doçura onde os anjos cintilam...tempo onde o coração é um fiozinho a correr indiferente ao que lhe surgirá pela frente...
