Coleção pessoal de MoacirLuisAraldi

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Medos
Na velha casa de madeira
O quarto ao lado do meu
Um mostro escolheu para morar.
À noite, destemido, ele subia no foro
E fazia a madeira estalar.

A lua espiava os meus medos pelas frestas
– Que vergonha!
Ao longe, uivava algum bicho noturno,
Desconfio que em meio as palhas do colchão
Morava outro, mais barulhento, mais enfadonho.

Hoje a casa é adulta
Do menino já nem sei,
Mas os medos?
Deles nunca me livrarei.

Eu não paro de sonhar
Só o fim dos sonhos me faria parar,
Mas tenho estoque para uma vida
E se necessário vou fabricar.
Eu não paro...
Eu não paro de sonhar.

Partir
Em pleno devaneio
Já no centro de mim,
Refleti-me desajeitado
E no meu espelho,
Em prantos sorri
Por fim...
Parti.

No amor evite exageros. Ame apenas e tão somente o suficiente para ser bom.

As estrelas da minha infância eram doces pregados no céu.

A vida nada mais é do que uma mera sucessão de escolhas.

A tarde fez-se pássaro alado, o manto escuro veio gelado e pôs os sonhos para dormir.

Sou abstrato
Que se sente.
- Que ironia!
Me absorva
Sou poesia.

Dentro
Quem percebe já entendeu
Que dentro de mim
Habito eu.

Tenho um sonho utópico, louco, desastrado de construir uma "poesiaria" e hospedar cada poema confortavelmente.

Conte uma doce história quero dormir ouvindo, talvez fique na memória ou eu eu possa acordar sorrindo.

Me deito em véus de insônias estrelares,penso em ti, brilhas no céu, mas te queria aqui.

Era bom, a gente brincava de ser feliz e distraídos não percebia que feliz já era.

E quando anoitecer use o prazer que a noite dá para fazer uma lágrima sossegar.

Benditas saudades que guardam vidas que o tempo levou.

A vida
Evito ao natural manusear
Vou lendo de lá pra cá,
Prefiro não saber se acabei
Ou se estou apenas a começar.

Meu primeiro verso crê em romantismo no final, o segundo acredita que o amor pode ser real.

“In dubio p(r)oesia". Sem presunção. A poesia sempre será inocente.

Na arte nada limita
Sou poema que desconhece distância
Já que o virtual aproxima,
Sou verso longínquo de relevância
Comungando a mesma rima.

Na arte nada limita,
Sem fronteira demarcada,
A cultura se unifica
Para ser admirada.

Poeta virtual eu sou
Não me ausento da escrita
Este gênero me conquistou
Poesia é a minha favorita.

Que vida!
A algazarra cessou.
Apenas uma lâmpada, ao fundo,
De resto e de alma tudo sombreou.

Um menino sonhando corria sozinho
Perdido, desconecto do caminho.

De dia viu voarem passarinhos,
Mas pernoitou sem sequer ter um ninho.

Sem travesseiro,
Querendo a noite passar ligeiro
Como se fosse dela apenas um passageiro.

Sonhos reais
Horrores,
Temores...
Tremores.

Um timbre de galo .... Distante,
O dia entrante
Angústia alarmante.

Desejou plantar a poesia
Na ilusão de colher o café da manhã,
No orfanato da agonia.

Desacreditou no amor
Angustiado calou.

Sem mundo
Humano imundo.
Matou as aventuras,
Matou as canções,
Sepultou ilusões.

- Que vida meu Deus...
Que vida!