Coleção pessoal de MoacirLuisAraldi

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Regressou
Desfez seus poemas
Escureceu o cabelo
Sumiram as rugas
Livrou-se da experiência
Confundiu os sabores
Correu no campo
Pés descalços
Árvores
Rios
Um tantinho de colo de mãe
Finalmente
Nasceu.

Rotina
Sonho se escreve desejo
Desejo se escreve vontade
Angústia se escreve nó
Esperanças se escreve pó
Ânsia se escreve chocolate
Certezas se escreve talvez
Verdades se escreve dureza
Ternura se escreve amor.
Medo se escreve insegurança
Solidão se escreve tristeza
Estou bem se escreve – deixa prá lá.
Infância se escreve distante
Criança se escreve doçura
Conta nova se escreve dívida
Busca se escreve tentativa.
Natureza se escreve em extinção
Eterno se escreve “até onde der”
Sólido se escreve derrama
Poesia se escreve...
Em versos.

Entre a maiúscula inicial e o ponto final queria colocar o mundo, mas tão grande era ele que optou por não pontuar.

Atravesso-me
Sou demasiado frágil
Sinto.
Regresso ao ponto.
É onde sempre
A vida segue.

Leve

A um bando me juntei
Por fim...
Voei.

Desprendi-me
Nas asas poéticas
Que criei.

Vai poesia
Rufle seus versos
Iça o poeta
Ás nuvens da inspiração.

Enquanto vivo
Vejo a beleza
Em poesias que alguém
Faz.

Jamais terei tal perfeição,
Carrego a inquietude
De não desistir.

Não aprendi transmitir
A sensibilidade
Estocada no peito
Querendo sair.

Tento frear.
Nessas horas
Recolho-me e disfarço
Mas a alma...
A alma sempre chora.

Leveza
Anoiteceu na aldeia,
Como um vulto,
A aranha
Balança-se na teia.

Que sorte tem ela
Agarra a própria linha
Se lança destemida
Segura de si.

Me vejo imóvel
Não tenho igual certeza
Não me desprendo da teia
Me falta a leveza.

Vós
Quase a última voz do verbo
Ofereço-te complacência
Nada em ti renego
Com tua soberba e negligência
Por vezes de tristeza me entrego
O que supões inteligência,
É inflação do ego.

Sustento o orgulho em dizer: prefiro perder por ser justo a ganhar por justo não ser.

E que amanhã o sol
Desarrume tudo o que foi escrito
E provoque outras reflexões.

E ao sorver o mate
De ondas verdes
O gaúcho arrasta seu mar.

Envelhecer é perceber que as metáforas de outrora já não fazem mais parte do poema.

Passamento
A funda
afunda
penas

A pedra
preteia
o peito

Partiu
pobre pássaro.

A leitura e sempre recomendável, exceto se você deseja fazer descobertas.

Suave música ao fundo
Só a quietude destoa
Baixas vozes melódicas
Aguçam estranhas manias
De empurrar o mundo.

Vento cantando
Sopra feito solidão
Voz única e violão
O mundo se move
Nesta canção.

Canto teus encantos
Repetindo o intérprete
Canto-te em mim
Na minha voz falsete.

Foi-se a meia noite,
A vida, a esta hora,
É o próprio silêncio
Que a gente cala.

Colecionar livros não é legal. Inteligente é quem coleciona leituras e doa os seus.

Doce
Tão doce seria sonhar
Sem os temporais da vida,
Cicatrizes são marcas
Causadas pelas feridas.

Vi
Vi ainda ontem
Uma flor balançando
Com o vento suave
Levemente lhe tocando.

Meu mundinho
Posso espalhar poesias pelo mundo
Viajar por onde for,
Mas levo comigo meu mundinho
- Lembrando com grande amor-
Meu Pinheiro Marcado
No interior de Carazinho.

Nem vi
Desculpem minha falta de memória
Repito os velhos versos
Como a canção antiga
Que cantei na infância.

Desculpem minhas frágeis lembranças,
Vividas desde dos tempos de crianças
Que não querem se apagar.

Desculpem – me
Nem vi a vida passar.