Coleção pessoal de mayamy
A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensibilidade como o obstáculo para a energia.
Tudo quanto fazemos, na arte ou na vida, é a cópia imperfeita do que pensamos em fazer. Desdiz não só da perfeição externa, senão da perfeição interna; falha não só à regra do que deveria ser, senão à regra do que julgávamos que poderia ser. Somos ocos não só por dentro, senão também por fora, párias da antecipação e da promessa.
Despreza tudo, mas de modo que o desprezar não te incomode. Não te julgues superior ao desprezares. A arte do desprezo nobre está nisso.
Nunca sabemos quando somos sinceros. Talvez nunca o sejamos. E mesmo que sejamos sinceros hoje, amanhã podemos sê-lo por coisa contrária.
O povo nunca é humanitário. O que há de mais fundamental na criatura do povo é a atenção estreita aos seus interesses, e a exclusão cuidadosa, praticada sempre que possível, dos interesses alheios.
Tudo em nós está em nosso conceito do mundo; modificar o nosso conceito do mundo é modificar o mundo para nós, isto é, é modificar o mundo, pois ele nunca será, para nós, senão o que é para nós.
Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos).
Sábio é quem monotoniza a existência, pois então cada pequeno incidente tem um privilégio de maravilha. O caçador de leões não tem aventura para além do terceiro leão. Para o meu cozinheiro monótono uma cena de bofetadas na rua tem sempre qualquer coisa de apocalipse modesto. Quem nunca saiu de Lisboa viaja no infinito no carro até Benfica, e, se um dia vai a Sintra, sente que viajou até Marte. O viajante que percorreu toda a terra não encontra de cinco mil milhas em diante novidade, porque encontra só coisas novas; outra vez a novidade, a velhice do eterno novo, mas o conceito abstracto de novidade ficou no mar com a segunda delas.
O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.
Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.
Minha pessoa amada.
Quanto mais eu amo, menos expectativas tenho pela pessoa amada. Não espero que ela aja de acordo com meus desejos e vontades, nem me restrito á sentir-me decepcionado quando ela errar. O que eu quero é que ela seja, independente de meus ideais - ela mesma, me fazendo bem ou mal com isso, mas me acrescentando algo que eu não sou nem nunca serei sozinho. Na verdade, se pensar bem, é justamente por isso que eu amo, pois, sem encaixá-la em nenhum de meus ideais e anseios é que eu ela se torna única, não como algo que existe só - limitado e exclusivo, mas como algo que, em meus olhos, tem mais brilho e valor do que todos os demais, só que sem tirar a cor deles. E é com esses olhos que eu a amo, estes olhos tão faceiros que viram nela uma simplicidade tão delicada, um amor tão simples e uma delicadeza tão sutil. Nela, o afeto e a ternura andam juntos, caminhando entre o perdão e a misericórdia, abrindo portas para a fraternidade, a partilha e a caridade, acenando todos os dias para a honestidade e a compreensão, e sempre de mãos dadas com a esperança. E eu a amo, amo minha pessoa amada, mas não a tenho, nunca terei. Ninguém me impede de tê-la, mas ela não poder ser minha assim como - mesmo querendo - não posso eu ser dela. Ambos somos somente e especificamente do amor, aquele que não exerce poder ou autoridade sobre ninguém. E aquele que vive do amor e por ele jamais será dono ou terá controle algum sobre ele ou sobre aquele que ama e que, por sorte, também amá-lo. E eu a amo, amo minha pessoa amada. Eu não a tenho em minhas mãos, mas meu coração a acolhe e em minha alma há toda a sua essência.
Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas, depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão e que conduz ao bem e benefício de todos, aceite-o e viva-o.
Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.
Estes olhares lânguidos já não me entercem; Estes suspiros ardentes já não me inflamam, juro pela minha fé. Pobre galante, meu coração, já liberto, sempre quer rir-se de teus lamentos. Creaim-me, pois sei por experiência que não há em vós nem constâncias nem fé.
