Coleção pessoal de MauricioCCantelli

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O sábio cultiva continuamente as virtudes, mas sua verdadeira lapidação está em discernir qual delas a vida exige em cada momento.

Nem sempre a ação reflete a ideia que sustentamos; em nossa complexidade, às vezes nos tornamos opositores de nós mesmos.

Torna-se digno de ser ouvido o homem que, depois de anos vivendo o que pensa, fala com a autoridade das próprias ações.

Ninguém é verdadeiramente reconhecido pelas qualidades que se atribui, mas pelas que a vida confirma em sua conduta.

A singularidade de cada indivíduo não está apenas no que pensa, deseja ou defende, mas na complexidade com que tudo isso se organiza em seu ser.

Dentro de cada um de nós existe uma força extrema para ferir; a complexidade humana está em saber que essa mesma força também pode curar.

A busca das virtudes exige coragem constante; só avançamos nelas quando enfrentamos o nosso eu de ontem.

Para o homem de valor, contradizer-se não é humilhação; humilhante é conviver com o próprio desvio.

A curiosidade nos conduz por caminhos nunca antes percorridos e acende, no espírito, a chama viva do conhecimento.

O autodidata é um perseguidor do saber que não espera por trilhas sinalizadas.

Para quem deseja educar-se, a educação é o próprio viver.

Recomeçar é possível e, muitas vezes, necessário; mas nenhum recomeço prospera sem método, direção e consistência.

A vida é mudança, e mudamos mesmo sem perceber; o problema não está em mudar, mas em repetir os mesmos erros.

Só merece paz quem enfrenta as batalhas inevitáveis antes que elas se transformem em guerra.

Quem sempre foge de caminhos espinhosos raramente encontra o pomar.

A grande inquietação do homem nasce da fricção interior entre o ser absoluto e o nada eterno.

Quando nasci, recebi uma vírgula; hoje tenho uma biblioteca, mas ainda posso viver bem apenas com a vírgula.

Entre desejo e vício, a diferença muitas vezes está apenas na intensidade: um limita os passos; o outro aprisiona a alma.

Tudo que não obedece a limites já está limitado em sua própria desproporção e excesso.

Na vida, perde-se e ganha-se o tempo todo; algumas perdas nos aliviam, e certos ganhos nos tornam pesados demais.