Coleção pessoal de mairton_damasceno
Não ter te encontrado foi o maior dos desencontros. Nunca senti o teu cheiro, nunca provei o teu beijo, nunca toquei a tua presença. Ainda assim, sinto tua falta. Como explicar esse vazio deixado por alguém que nunca esteve aqui? Talvez seja o mais belo e cruel dos paradoxos.
As lágrimas de um coração vazio são como gotas no deserto, pequenas demais para saciar a sede da alma.
Como eu gostaria de tocar Marte, beijar suas luas com o olhar e escutar os segredos que o cosmos sussurra ao infinito. Mas o que me resta agora? Apenas o espaço negro, vasto e silencioso, onde minha alma flutua entre lembranças e estrelas.
Quando a dor mais profunda tenta lançar-me às profundezas do inferno, você se torna meu sol em meio à escuridão chamada convivência humana.
As consequências são os resultados das suas decisões; portanto, não reclame. Você foi sábio para decidir, seja forte para suportar
eu fui saudade o sal no rosto, a dor solitária, a angústia que ecoava no peito.
Mas já não habito esse corpo ferido.
Hoje estou livre.
Desço ao mar para sentir o sereno no rosto, o toque das folhas, a brisa que me atravessa.
Estou vivo.
Há um cansaço em mim que se afasta do ruído das conversas vazias onde muito se fala, mas nada realmente é dito.
Que valor tem a vida se você vive fugindo de si mesmo?
Se está em constante busca pelo outro apenas para não permanecer consigo, acaba deixando de compreender o sentido da própria existência pois, ao fugir dos seus demônios, afasta-se também de quem realmente é.
Passei pelo deserto. Lá encontrei uma árvore que me acolhia e me dava sombra e frutos. Mas o sol implacável do deserto a matou. Então tive de encarar o próprio sol queimando dentro de mim. Enfrentei o drama, atravessei a dor.
Mais adiante, encontrei um oásis. Nesse oásis havia outra árvore: oferecia sombra, frutos, água fresca e ventos suaves. Parecia abrigo, parecia salvação. Mas também ele ruiu. A árvore secou, as folhas caíram, a água se turvou e os ventos se tornaram tempestade.
Foi então que tomei consciência: o oásis só existia porque eu o havia criado. Era fruto de uma ilusão, uma repetição inventada para confortar a minha mente. Eu precisava acreditar que havia sempre um refúgio à minha espera.
Compreendi, enfim, que o que tornava aquele lugar especial não era o lugar era eu. Pois o deserto continuava inóspito. E, ainda assim, era dentro de mim que nasciam as sombras, os frutos e a esperança.
Seja fiel aos seus princípios.
Coloque limites sem aprisionar a alma.
O mundo talvez não fique mais belo,
mas será mais justo para você.
