Coleção pessoal de mairton_damasceno

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eu fui saudade o sal no rosto, a dor solitária, a angústia que ecoava no peito.
Mas já não habito esse corpo ferido.
Hoje estou livre.
Desço ao mar para sentir o sereno no rosto, o toque das folhas, a brisa que me atravessa.
Estou vivo.

Há uma paz silenciosa que só certas ausências sabem oferecer.

Há um cansaço em mim que se afasta do ruído das conversas vazias onde muito se fala, mas nada realmente é dito.

“Estar só não é não ter ninguém é ter perdido a própria presença dentro de si.”

Que valor tem a vida se você vive fugindo de si mesmo?
Se está em constante busca pelo outro apenas para não permanecer consigo, acaba deixando de compreender o sentido da própria existência pois, ao fugir dos seus demônios, afasta-se também de quem realmente é.

Passei pelo deserto. Lá encontrei uma árvore que me acolhia e me dava sombra e frutos. Mas o sol implacável do deserto a matou. Então tive de encarar o próprio sol queimando dentro de mim. Enfrentei o drama, atravessei a dor.
Mais adiante, encontrei um oásis. Nesse oásis havia outra árvore: oferecia sombra, frutos, água fresca e ventos suaves. Parecia abrigo, parecia salvação. Mas também ele ruiu. A árvore secou, as folhas caíram, a água se turvou e os ventos se tornaram tempestade.
Foi então que tomei consciência: o oásis só existia porque eu o havia criado. Era fruto de uma ilusão, uma repetição inventada para confortar a minha mente. Eu precisava acreditar que havia sempre um refúgio à minha espera.
Compreendi, enfim, que o que tornava aquele lugar especial não era o lugar era eu. Pois o deserto continuava inóspito. E, ainda assim, era dentro de mim que nasciam as sombras, os frutos e a esperança.

Respeite-se, ame-se e seja fiel a si.
O mundo não muda, mas você muda nele

Seja fiel aos seus princípios.
Coloque limites sem aprisionar a alma.
O mundo talvez não fique mais belo,
mas será mais justo para você.

Entre o presente e o nunca existem muitas coisas.

Você é um universo inteiro proteja seus planetas e estrelas, para que nenhum asteroide os faça ruir!

Seja sua melhor companhia, ou você estará sempre sozinho!

Todo verme alimentado se transforma em mosca. O descuido de hoje é a praga permanente de amanhã.

Somos estrelas. Para sermos formados e brilhar intensamente, precisamos do caos.

Dou murro em ponta de faca quando a ausência fala mais alto que a razão.

A dor nasce quando insistimos no impossível.

Nem toda luta é coragem; às vezes é saudade.

O coração insiste onde a razão já partiu.

Amar também é sangrar em silêncio.

Dou murro em ponta de faca
quando o desejo não vem.
É o gesto de quem enfrenta o mundo
para não enfrentar a si mesmo.

O impossível me provoca:
pedra quer ser lenha,
o silêncio quer ser presença,
e o coração exige o que o tempo nega.

A festa é só aparência,
o som não preenche a ausência.
Sem o outro, tudo desanda,
porque a falta revela
o que a alegria escondia.

Dou murro em ponta de faca
não por bravura,
mas porque amar
é insistir mesmo sabendo
que a dor responde primeiro.

Onde mora a dúvida, o coração habita em partes,
nunca inteiro, nunca em paz.

Justificar a sua culpa no erro do outro é afirmar, em palavras, uma inocência que os atos desmentem.

Culpar o erro alheio é vestir a própria culpa com palavras de inocência,
mas os atos, silenciosos e honestos, sempre revelam a verdade.

Entre o certo e o errado, tudo o que sobra são palavras criadas para absolver o erro.

O mal do outro é querer levá-lo para o seu mundo.