Coleção pessoal de luannyfernanda
O mundo me prefere com dois braços e duas pernas, mas não sei mais ser humana. Sorrir cansa. Chorar cansa. Mas o que mais cansa é procurar desesperadamanete um intermediário e esquecer que o mundo é mais que aparências.
Eu sou volúvel. Grande surpresa. Mas ser volúvel também cansa. Porque ninguém leva a sério alguém que passa a semana chorando pra ficar bem na semana seguinte. Como se fosse preciso ser feliz pra sempre ou triste pra sempre pra ser alguma coisa de verdade.
Não quero mais a realidade comum. Isso é o que mais cansa, pra ser bem sincera. Tenho até arrepios de pensar num futuro escrito e óbvio nas prateleiras de gente sem sal. Só de saber o que vai ser de mim, já quero ser outra coisa. Uma coisa nova e diferente, pra quebrar o que é certo.
Ele pode estar olhando as suas fotos. Neste exato momento. Porque não? Passou-se muito tempo. Detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça todas as coisas que você faz. Escondida. Sem deixar rastro nem pistas. Talvez ele faça aquela cara de dengoso e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram seus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E ainda assim preferir o silêncio. Ele pode reler seus bilhetes, procurar o seu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as suas músicas, procurar a sua voz em outras vozes. Quem nos faz falta acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez ele perceba que você faz falta. E diferença. De alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado inverno em Paris. Talvez ele volte. Você confia nele? Ou não.
"...todas as canções um dia acabam, mas isso não quer dizer que não possamos curtir a música até o fim..." Que nossa música seja eternizada por todos nossos momentos juntos. Que o mundo ouça nossa doce canção e nos embale serenamente no entardecer de nossas vidas, e que nossa melodia sirva de alicerce para que nunca nos separemos, e que, se isto acontecer, que ela nos una pelas lembranças doces de outrora. Obrigado queridos amigos por serem as notas da minha canção!
kety 17/09/08
Rodrigo
Ana, minha querida,
Dizem que o amor acaba, que o amor termina. Mas não é verdade. Nada acaba, tudo dura, continua e se transforma.
Enquanto eu aguardava aquela cirurgia, mil anos se passaram. As duas estavam lá dentro e eu pensava: “se acontecer alguma coisa com elas, eu morro!” Dizem que passa um filme da nossa vida na nossa cabeça. E por isso eu vi: vi vocês duas, meninas, chegando na nossa casa. Vi nós três juntos, ainda pequenos e tantos e tantos momentos. Vi você erguendo taças, troféus. Tua imagem na revista, inacessível, distante da criança que eu era. E que você era também.
Depois a nossa fuga de casa, veio o nosso medo, veio a nossa coragem, veio o salto sem rede que tantas vezes se chama amor. Vi você indo embora, sendo levada de diferentes formas, tantas e tantas vezes. E depois vi você voltando e no fundo de seus olhos, como num rio, tudo que a gente não tinha vivido. A partir daí eu me vi dividido entre dois amores, entre duas vidas: uma que eu estava vivendo e outra que eu jamais tinha podido viver.
Durante os meus piores momentos enquanto eu aguardava naquela sala, foi como se a doença da nossa filha tivesse me curado. Eu entendi que não tinha mais divisão nenhuma. O que tinha sido vivido, o que tinha ficado pra trás, tudo, era parte de uma mesma história, de uma mesma vida e de um mesmo sentimento: amor. E foi então que eu vi nós dois juntos cruzando a fronteira.
Ana
Como se eu tivesse alcançado a outra margem de um rio. O rio onde a gente se amou pela primeira vez, o rio do meu acidente, mas sempre um rio. E porque naquele momento eu precisava ser forte, finalmente, sem escapes, eu consegui atravessar aquele rio eterno. Como se num instante, eu tivesse vivido todos os anos que ainda estavam parados em mim, me esperando.
Do outro lado da fronteira, que sem perceber nós já tínhamos cruzado, uma infância compartilhada, uma adolescência truncada, uma juventude não vivida. Do lado de cá, dois adultos maduros finalmente libertos daquele fardo pesado feito de lembranças, de sonhos antigos. Porque há novos sonhos do lado de cá da fronteira. E agora podemos viver!
Lícia Manzo
''Quem teve o privilégio de viver muito sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. Outras vezes elas se depositam devagar, como a conta-gotas, diante da avidez de nossas perguntas.
E por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida. Amores ardentes se extinguem, urgências se acalmam, passos ágeis relentam.
Enfim, tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família, só o tempo permanece do mesmo modo, sempre passando.
E é por isso que eu queria esta noite, erguer um brinde a ele, que esculpiu no meu rosto e na minha alma a sua marca, da qual eu tanto me orgulho.
Então, ao tempo, ao tempo..''
Dizem que o amor acaba, termina. Mas não é verdade. Nada acaba, tudo muda, transforma… Depois da nossa fuga de casa, vem o nosso medo, vem a nossa coragem, vem o salto sem rede… Vi você indo embora, sendo levada de diferentes formas, tantas e tantas vezes. E depois vi você voltando… O que tinha sido vivido, o que tinha ficado para trás, era parte de uma mesma história, de uma mesma vida, de um mesmo sentimento… o amor. E foi então que eu vi nós dois juntos rompendo fronteiras. Do outro lado da fronteira, que sem perceber que nos já tínhamos cruzados.. do lado de cá, dois adultos maduros finalmente libertos daquele fardo pesado.. E agora podemos viver!
Ana minha irmãzinha… Continuo com febre em Gramado, é o quinto dia já sem ver a Julia, com o Rodrigo sozinho, coitado, tendo que se virar, mas mesmo assim de algum modo eu fico tranquila, pois não pode existir nesse mundo um pai melhor pra ela, não que ele saiba tudo, ao contrário, tem tanta coisa que ele não sabe, toda hora ele escreve ou liga querendo saber como dá o banho, como dá a sopa, como tratar a assadura, como botar pra arrotar; mas mesmo sem saber tanta coisa, ele sabe o principal… que é amar a filha acima de tudo, e se comprometer com esse amor.
Como é que se faz uma festa sem você Ana? Eu me fiz essa pergunta enquanto preparava os doces, entregava os convites, enchia os balões de gás, inventava as brincadeiras. Como é que se dá uma festa sem você minha irmã? A resposta é simples: Não se dá, pois você esteve ao nosso lado o tempo todo, em cada sorriso da Julia, em cada criança correndo cheia de vida, em cada laço colorido de presente que chegava prometendo uma surpresa boa.
Essa festa serviu para comemorar, mais que tudo, a sua coragem em ter presenteado esse mundo com a Julia.
Essa festa foi uma homenagem á sua vida… a vida que brinca, que sorri, ta cada dia mais linda, mais doce, mais parecida com você.
A Julia deu seus primeiros passos dois messes depois de completar um ano de idade, em uma quinta-feira de céu azul no meio do parque, ela me olhou espantada como se não acreditasse no que tinha acabado de acontecer.
A Julia teve a sorte de ter algo que nós duas não tivemos Ana… um Pai! Um pai maravilhoso, que apesar da correria entre a faculdade e o trabalho fez questão de estar presente no primeiro dia de aula da filha.
Ontem foi a primeira festa Junina. A vovó fez questão de encomendar o vestidinho dela sob medida. E você sabe que eu não sou de contar vantagem, mas a Julia era a caipirinha mais linda da festa, sem brincadeira, todo mundo se virava pra olhar.
Nos últimos tempos Ana, a Julia deu pra me chamar de mãe, que me deixou triste e feliz ao mesmo tempo, mas principalmente confusa. O Rodrigo e eu fomos até uma psicologa que disse que era pra gente deixar, mas sempre explicando que ela tem uma mãe de verdade e outra mãe de criação, e que as duas amam ela pra valer.
Dizem que na vida a gente se acostuma com tudo… Não é verdade! Anos se passaram e eu não me acostumei. Ninguém esquece uma saudade, nem substitui um amor. Nessas datas então, como eu poderia não me lembrar.
Ainda sim no aniversário da Julia eu sabia que era eu quem estava recebendo o melhor presente… um presente de uma irmã tão generosa, que antes de ir embora deixou uma parte dela comigo, pra que eu nunca me sentisse sozinha, para que a saudade não me matasse.
Sobre os tempos de escola
Lembro-me como se fosse ontem o meu primeiro dia de aula. Incrível como o tempo passa...
Queremos tanto nos livrar desta fase de escola, que quando nos damos conta, já passou.
Saudades daqueles momentos tão simples, que até então, para mim não eram significativos na época. Eu estava somente vivendo aqueles momentos, e nunca notei que a vida passaria tão depressa.
Sinto saudades daqueles alunos que faziam graça na sala de aula, e aqueles quietinhos que sentavam-se logo nas primeiras carteiras junto ao professor. Tinha sempre um que destacava-se, seja pela bagunça ou pela educação exagerada. Eu nunca fui das melhores, mas também nunca fui um mal exemplo. verdade, juro!
Sinto saudades do barulho do sinal, que à qualquer momento era sempre um alívio... Menos o que tocava na hora de entrar. Como eu detestava ir a escola.
Mas é incrível como existem coisas que marcam a vida da gente. Quando sinto cheiro de giz, por exemplo, logo o associo a minha infância. Seria mentira se eu dissesse que não sinto nem um pingo de saudades, sinto sim.
Com o passar do tempo, percebi que a vida de cada um acabou tomando um rumo diferente. Rumo que o próprio destino se encarregou de traçar. O cotidiano foi e é sempre a luta pela sobrevivência. Trabalhar e se ocupar, preocupar-se com o futuro. Então aqueles amigos que fiz durante a infãncia, aos poucos foram se distânciando... E cada vez mais, até que nunca mais os vi com a mesma frequência de antigamente. O tempo passa, há e como passa.
Graças aos avanços da tecnologia, nesse mundo tão moderno... Usamos o orkut, ferramente indispensável nos dias atuais pois ele ajuda matar um pouquinho dessa saudade.
Hoje tudo é tão estranho. Nunca me imaginei adulta! Quer dizer, sempre imaginei, mas não achava que me tornaria tão rapido. Vejo que alguns daqueles velhos amigos e colegas são, pais de família. Aqueles que na época eu jurava que nunca teriam jeito por serem tão bagunceiros, hoje tem otimos empregos e vivem bem. Aquelas que eram as mais tímidas e certinhas, que defendiam sempre o ponto de vista pessoal, hoje são mães de um ou mais filhos. Aquelas que eram lindas e maravilhosas, que onde quer que fossem todos menininhos olhavam, hoje estão a grande maioria feias e acabadas. E ainda tem algumas daquelas que nunca foram notadas, as feinhas... Que hoje são cisneis lindos... Que Mundo louco, isso prova que realmente ele dá voltas.
Não há quem diga que o tempo não passa, ele passa para qualquer pessoa.
Ao longo destes poucos anos que se passou, poucos porque ainda sou jovem... Pude perceber que a vida é curta independente de qualquer coisa e valiosa. E como todos, durante esse tempo que passou fiz amizades e perdi porque algumas pessoas a vida se encarregou de levar!
Tive colegas que os via com uma certa frequência, e que mesmo jovens já se foram. E eu que achava naquele tempo que quem morria eram só pessoas mais velhas. Que pensamento mais inocente.
Ter vivido estes momentos na escola me ensinou muito além das contas de matemática e aulas de português. Aprendi mais uma vez que é muito importante dizer o que sentimos aos outros. Muitas daquelas pessoas que estavam comigo sempre, hoje não estão mais... Algumas por causa do cotidiano como eu já havia dito, e outras porque a vida levou. Essas que a vida levou, foram-se não porque era tarde, mas porque o Mundo é moderno.
...Moderno porque deveria ser como meu pensamento inocente da época.
Por isso, aproveitem todos os dias como se fossem o ultimo de suas vidas... Não porque será, mas porque um dia vai sentir saudades destes tão simples momentos. Diga o que sente, demonstre e vai sentir-se com vinte quilos menos.
ESTE É O DIA QUE O SENHOR FEZ; REGOZIJEME-NOS NELE. (salmo 118.24)
É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias.
Eu queria mudar meu país. Queria que o vestibular fosse justo, que o imposto fosse bem utilizado, que os políticos parassem de fingir que não roubam e que a população parasse de fingir que não sabe. Na verdade eu queria mesmo tudo aquilo que eu vejo nos livros de história, daquela época em que existiam pessoas corajosas. Queria sair nas ruas com centenas de estudantes e exigir tudo isso de quem foi eleito com esperanças de uma vida melhor. Queria que a saúde e a educação estivessem ao alcance de todos, que pessoas parassem de se espremer em favelas porcas e tivessem casas de alvenaria, que ninguém precisasse ter uma fome maior do que aquela básica entre o almoço e o jantar.
Ela tinha nos olhos a tristeza de uma vida não vivida. Podia contar nos dedos os sorrisos que sorria por amor. Fugia dos problemas pra esquecer a dor, mas que surpresa tinha: não vivia por supor.
Todos os dias eu acordo pronta pra dormir. Não me surpreenderia que meu lençóis me prensedessem numa tentativa de me fazer viver. Levanto e lavo o rosto de todos os sonhos bons da noite que terminou, tentando imaginar que o dia vai ter fim, mesmo
que tenha apenas começado.
Eu queria arrancar o romantismo de dentro de mim. Queria que meus anticorpos se tocassem e partissem para o combate contra todo esse blá blá blá de amor. Cansei de esperar a declaração de alguém como nos filmes e livros,
ninguém está esperando pra me dizer que me amou a vida toda. Cansei de me apaixonar por olhos piedosos, de viver a espera de alguém que talvez nem exista, cansei!
Ninguém nunca espera que eu saia dos meus limites. Quem me conhece de verdade?
E quem sabe dos momentos que eu estou a ponto de explodir? As saudades são grandes,
o telefone mudo. Me identifico com livros e personagens e nem tenho uma história pra contar.
E se eu contar, quem vai se importar?
Eu gosto de textos que começam com a palavra 'eu'. Tenho que tomar cuidado com a minha tendência a me incluir em todos os assuntos, minha mania de querer saber de tudo, estar em todos os lugares.
Meu bloqueio se arrasta e eu não entendo. Tenho tanto a dizer e mal termino um texto. As palavras parecem pouco literárias e os temas são explicitos demais pro meu subentendido.
Esse medo de cair é recente. Veio acompanhado da alegria momentânea que você causou, mas ficou mesmo foi por causa da distância.
É difícil não tropeçar quando todos os rostos na rua são o seu. É difícil quando sua voz me chama de todos os lados. É difícil te esquecer querendo você em todos os outros.
Amanhã é o dia mais distante que existe. Quando já é quase amanhã ele ultrapassa você em 24 horas e te dá novos motivos para adiar o que tinha a fazer.
Talvez eu exija um pouco demais do mundo ou de mim mesma; ou talvez eu não tenha que justificar minha solidão com exigências.
