Coleção pessoal de LihFlamino
Feliz aniversário.
Um momento especial de renovação para a sua alma e o seu espírito, porque Deus, em sua infinita sabedoria, deu à natureza a capacidade de desabrochar a cada nova estação e a nós a capacidade de recomeçar a cada ano. Desejo a você um ano cheio de amor e de alegrias.
Afinal, fazer aniversário é ter a chance de fazer novos amigos, ajudar mais pessoas, aprender e ensinar novas lições, vivenciar outras dores e suportar velhos problemas. Sorrir novos motivos e chorar outros, porque amar o próximo é dar mais amparo, rezar mais preces e agradecer mais vezes.
Fazer aniversário é amadurecer um pouco mais e olhar a vida como uma dádiva de Deus. É ser grato, reconhecido, forte, destemido. É ser rima, é ser verso, é ver Deus no universo.
Parabéns a você nesse dia tão grandioso.
Não se cobre tanta sanidade. Em tempos de pandemia o pânico é generalizado e tá todo mundo surtado. A diferença é que alguns disfarçam melhor que outros, uns conseguem manter o equilíbrio por mais tempo, outros surtam em menor intensidade, mas no fim, todos acabam surtando.
Não aguento mais!
Na televisão é coronavirus, Covid-19 o tempo todo!
A Globo não mostra outra coisa!.
Se você não aguenta mais ver na televisão, imagina contrair e depois ter que disputar atendimento ou espaço em UTI na saúde pública!
Segundo o representante da moral e bons costumes, 70% vai contrair e pronto!
E alguns irão morrer, Ou muitos E DAI??
Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. Você nunca será minha, e por isso terei você para sempre.
Não, não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto - se tomada com cuidado, verto água límpida sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto, mas se tocada por dedos bruscos num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada. Tenho pensado se não guardarei indisfarçáveis remendos das muitas quedas, dos muitos toques, embora sempre os tenha evitado aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia, e mesmo assim insisto - meus gestos e palavras são magrinhos como eu, e tão morenos que, esboçados à sombra, mal se destacam do escuro, quase imperceptível me movo, meus passos são inaudíveis feito pisasse sempre sobre tapetes, impressentida, mãos tão leves que uma carícia minha, se porventura a fizesse, seria mais branda que a brisa da tardezinha.
Mas desde que, há duas semanas, uma cigana desvendou as fracas linhas das palmas de minha mão, pouco sossego encontro até em meu próprio sossego: dois amores, ela apontou, um já passado, e com amargura localizei na memória aquele sôfrego estudante, e outro em breve por chegar. Desde então, me desconheço. Abreviaram-se-me as idas ao banheiro para molhar os pulsos e os lóbulos das orelhas, animando a circulação que se me estanca nas veias, por vezes olvido a torneira aberta e surpreendo-me a odiar minhas próprias tranças, as manchas roxas sob os olhos e tudo que me torna assim, fugaz. Mal posso conter um susto investigando o porte de cada homem que se aproxima, em cada esquina que dobro, em cada ônibus que tomo para ir e vir, sinto que busco prometido e me detesto por essa inquietação febril, pelo amor que desconheço e mal consigo supor, tão parca é minha vida de memórias ou medidas. Esforço-me por dar-lhe pinceladas tênues, não me atrevo aos óleos nem aos acrílicos, é nos guaches e sobretudo nas aquarelas que procuro o verde esmaecido de sua tez, mas por vezes alguma coisa se alvoroça e me surpreendo alucinada, incontrolável, a chafurdar em tintas fortes, berrantes cores primárias, formas toscas, símbolos sensuais, e é então que mergulho em banhos gelados no meio da noite para apaziguar a carne incompreensível, fremente qual Teresa d’Ávila, afogada entre lençóis, as palavras da cigana me embalando feito uma berceuse, imagino se não será o próprio Senhor este que se aproxima, e não conheço. Em cada junho, sei que não suportarei o próximo agosto, me debato elaborando aquela futura tarde gris para encontrá-lo - não aqui, entre torpezas, mas numa outra dimensão de luz maior, além de meu próprio corpo, irmão-burro aprisionado pelos instintos, num espaço discreto e contido como eu mesma venho sendo através destas quase três décadas que, álgida, sobrepujei. Sobrevivo a cada manhã quando, cruzando as portas e corredores que me conduzem às ruas intermináveis, imagino sempre que sou invisível para cada um dos que passam. Ninguém suspeita de meu segredo, caminho severa pelas calçadas, olhos baixos para que minha sede não transpareça: ah sou tão morena e magrinha que ninguém me adivinha assim como tenho andado - castamente cinzelada no topo deste morro onde os ventos não cessam jamais de uivar, tendo entre as mãos, como quem segura lírios maduros dos campos, uma espera tão reluzente que já é certeza.
Na segunda-feira, volto brava e masoquistamente, como se volta sempre para um caso de amor desesperado e desesperançado, cheio de fantasias de que amanhã ou depois, quem sabe, possa ter conserto. Este, amargamente, não sei se terá.
Segunda-feira, o dia que nos permite acreditar que ainda dá tempo. O dia que nos puxa pelo braço e diz: Vamos lá, começar algo novo hoje!
Boa tarde, Bial. Meu voto vai para a segunda-feira. Por questão de afinidade mesmo, está difícil conviver com ela toda semana.
QUERIDO DIÁRIO
(TÓPICOS PARA UMA SEMANA UTÓPICA)
Segunda-feira:
Criar a partir do feio
Enfeitar o feio
Até o feio seduzir o belo
Terça-feira:
Evitar mentiras meigas
Enfrentar taras obscuras
Amar de pau duro
Quarta-feira:
Magia acima de tudo
Drogas, barbitúricos
I Ching
Seitas macabras
O irracional como aceitação do universo
Quinta-feira:
Olhar o mundo
Com a coragem do cego
Ler da tua boca as palavras
Com a atenção do surdo
Falar com os olhos e as mãos
Como fazem os mudos
Sexta-feira:
Assunto de família:
Melhor fazer as malas
E procurar uma nova
(Só as mães são felizes)
Sábado:
Não adianta desperdiçar sofrimento
Por quem não merece
É como escrever poemas no papel higiênico
E limpar o cu
Com os sentimentos mais nobres
Domingo:
Não pisar em falso
Nem nos formigueiros de domingo
Amar ensina a não ser só
Só fogos de São João no céu sem lua
Mas reparar e não pisar em falso
Nem nas moitas dos metrôs nos muros
E esquinas sacanas comendo a rua
Porque amar ensina a ser só
Lamente longe, por favor
Chore sem fazer barulho
Às vezes a gente ri, com o coração apertado... mas continua, porque sabe que nem tudo depende da gente. Então, pra caminhada ser mais leve... Respiramos fundo, colocamos um lindo sorriso no rosto e bora que vai passar! Vai passar. Deus cuida de tudo... sempre.
Calma, calma... não se preocupe tenha calma.
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo – quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.
Fome
Moro na favela,
Cinco de julho,
Não tenho inveja de nada
E nem um pouco de orgulho.
Só quero uma vida digna,
Para ofertar a meus filhos,
Assim não vão para o mundo do crime
E sim caminhar nos bons trilhos.
Me corta o coração,
Quando minha filha estende a mão
Querendo algo pra comer,
E nem tenho um pedaço de pão.
Quando a fome se aproxima,
É então que fico calado,
Entro em desespero,
Mas não fico igual à um abobado.
Vejo meus vizinhos
Almoçando e se alimentando
E eu pobre inútil
Caido e quase parando.
Assim eu não aguento
Me ponho a chorar
Tristeza
Tristeza de não se acabar.
É, mas esta história
Não termina com o final feliz
Como os contos de fadas,
E sim termina com a sentença de um juiz.
Só fica o sonho
De tudo mudar
De ter um emprego
Pra me ajeitar.
E aqui eu continuo
Sem trabalhar
Com fome a passar
E ter que esperar um emprego chegar.
Dificuldades não te fizeram parar no passado e não te travam agora, pensamento com atitude positiva para combateres momentos difíceis da vida.
Os últimos meses estão confirmando algo que sempre víamos como "clichê", "viver o hoje como se não houvesse o amanhã", sempre foi muito dito mas pouco vivido. Mas diante de todas as perdas que estamos tendo nos últimos meses nos reforça a necessidade de viver o hoje, pois o amanhã pode ser tarde demais.
Demonstrar amor ou viver o amor tem sido algo em que não temos que esperar, considerando que da mesma forma em que somos algo e em um instante não somos nada, deixar para depois pode ser um preço caro demais a se pagar, e certamente não queremos pagar para "ver". Não quero dizer que devemos viver desvairadamente a vida, mas sim fazer valer cada detalhe, cada gesto, ser recíproco não só na mesma medida, mas sem medida, sermos recíprocos da forma em que queremos ser, sem cobranças de quantidade e medida, apenas retribuir da forma em que nos cabe retribuir.
Quadrados e círculos
Se no mundo somos tal qual peças,
Cansei de querer encaixar-me.
Cansei de entre peças quadradas
Buscar outras peças quadradas
E, entre peças redondas
Buscar outras peças arredondadas.
Cansei de ver a vida
Como um jogo de peças.
Um infantil jogo de encaixe,
Um social plano cruzado,
Onde devemos achar nossos lugares.
Para sermos aceitos em..."sociedade" ?
Cansei de olhar a vida
E dentre espaços, vazios e esparços
Procurar um lugar...
Num mar de todos, numa terra de ninguém
Onde gritam-me vozes, como balas
Num áciduo e invisível campo de batalha.
Basta ! desse tabuleiro social !
Basta ! De sentir-me peça num jogo de aceitação.
Basta ! Dessa querra de comum-opinião.
Basta !
Somos todos completos, em peças ou não
E, aliás,
Que quadrados e círculos se encaixem !
- Queira ou não a sociedade.
Primeiro aniversário sem você... Para onde foi o aniversariante?
Cadê as velas deste bolo? Seriam tantas, né pai?!
Seriam 78 velas! São muitos anos vividos... muitas histórias... muita força... muita luta!
Enquanto escrevo, peço à Deus que permita que essas palavras cheguem até você.
Não tenho você em presença física, mas... você sabe pai... que carrego dentro de mim tudo que você me ensinou.. .tudo que você me passou... me lembrar de o último momento que eu estive contigo dói bastante. me traz as lágrimas aos meus olhos e uma dor no coração.
Te tenho guardado num lugar muito sagrado meu pai, que é o meu coração. Obrigado por todos os seus ensinamentos e conselhos. Onde você estiver, receba meu amor e meu carinho pelo seu aniversário no dia de hoje.
