Coleção pessoal de leonardomarthiniano
Durante a vida, em grande parte do nosso tempo dizemos aos outros, e inclusive a nós mesmos: Naquela época tudo era mais fácil. E é compreensível de certa forma, mas não é uma verdade absoluta.
Dizemos isso porque hoje temos mais conhecimento que no passado, e assim é a vida. Hoje somos mais sábios que o ontem, e isso significa que não devemos nos prender ao passado imaginando como tudo aquilo poderia ter sido diferente e asfixiar o presente. Usemos o conhecimento adquirido ao invés de nos prender a um passado inalcançável.
Não, a vida não é feita de momentos como imaginei. A vida é feita de escolhas. Viver o momento é prazeroso, mas ao mesmo tempo inconsequente, causando danos irreversíveis ao futuro. Nossas escolhas sempre serão nosso maior escudo, pois mesmo não alcançando o objetivo, obtemos um ponto positivo, o aprendizado.
Amor Alice, A Dor Alice
Amor próprio, é o que te sugerem
Quando no espelho, para ti mesma apontas o dedo
E as cores da roupa que vestes
Escorrem pelo reflexo da negação
O olhar do vizinho
Ora esnoba, ora caçoa
A senhora na fila condena, depravada
Fique ereta! Me perdoa
Mostra-me, Alice
De quem é o ofício de determinar
Quando há motivos suficientes
Para exerceres o direito de fraquejar?
A cruz, de braços abertos
Sempre esteve a sua frente
Conheça-te
E nega-te a ti mesmo
Mas é a vida que adotastes
Sob a pressão do julgamento destes
Como se escolhesse identidade
Do modo que compras bolas de sorvete
Surge, por fim, uma realidade
Eufórica
Te Promete Deus, o gozo e o mundo
Te encontra, aceita, abraça; é verdade
E toma de volta tudo em um segundo
Vi, ver
É rotina
Os altos e baixos
É a soma dos momentos
Basta só aquele
(é a falta dele)
A vida é mudar
Querendo mais do mesmo
A vida é o sentido predefinido
Pela loucura dos afetados
A vida é meio poesia
Escrita por algum ousado
Demasiado corrompido
Recitada em idioma estrangeiro
E ouvida por detrás da porta
Conteste o azul do céu
Morte de inocente
O destino do assassino
A naturalidade do caos, por acaso
A vida é contestar
O próprio contestamento
Que seja então
Quanto se entende de poesia?
Muito menos de vida
Imaginemos a felicidade e tristeza num plano cartesiano. Sendo o máximo de felicidade no topo do eixo Y, e o contrário disso o máximo de tristeza. Estaríamos nós mais seguros (vivendo deveras) levando uma vida mediana próximo ao ponto onde os eixos se encontram? Fica o questionamento.
A nova definição do viver
A conquista infinita do material
Tudo aquilo que se possa ter
Seria o verdadeiro propósito afinal?
A ânsia de conquistar o inconquistável
A cegueira perniciosa
A perseguição incompreensível
A aniquilação pretensiosa
Guerras e batalhas travadas diariamente
Sempre com a mesma finalidade em mente
Auferir um objeto se tornou habitual
Independentemente se causa mal.
Uma mudança no tempo, uma gota no Oceano
Eu estava rezando
Para que você e eu
Pudéssemos ficar juntos
É como desejar a chuva
Enquanto eu estou no meio do deserto
Observando as nuvens sozinho
Excessivamente refém do seu carinho
Enquanto as folhas mudam
Em meio a destruição
Tu vieste lá de longe
Pra preencher meu coração
Aquele olhar que me deixa sem ar
Aquele olhar da cor do mar
Aquele olhar que me faz acreditar
Me rendo sem pestanejar
Você é a força
A esperança que me mantém caminhando
Você é a vida para minha alma
Você é meu propósito, você é tudo
Aquele que em excesso necessita provar uma verdade, não está convicto com veemência de sua própria ideia.
Seu olhar
Há algumas coisas sobre as quais não falamos
E talvez seja melhor continuarmos sem
Pois, toda vez que nos olhamos
Você com seu olhar incomum me deixa bem
Pude sentir inúmeras vezes seu medo de gostar
Inclusive seu receio em se doar
Nas maneiras mais simplórias de demonstrar
Nem por isso eu deixaria de tentar
Os teus olhos cor âmbar
Me balançam sempre que os olho fixamente
Como se estivesse em alto mar
Ficarão marcados em minha alma eternamente
“Alguns erros só têm consequências melhores para alguns do que para outros. Mas você não pode deixar o resultado de um erro defini-lo para sempre. Você tem a opção de impedir que isso aconteça.”
A mente hesita
Os olhos raiados de breu
O vácuo já habita
Aquela alma que sofreu
Como se pudesse lembrar
Ou pudesse esquecer
Aquele mesmo olhar
Que faz enrijecer
Demônios sob os ombros
Estranhos na cabeça
E em meio aos escombros
Sucumbir até que desvaneça
