Coleção pessoal de kleber_abdul_al_nasr

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Sinto saudade das nossas conversas,
daquelas que falavam de virtudes,
de escolhas, de amor dito sem pressa,
como quem ensina e aprende ao mesmo tempo.

Conversas que às vezes tinham sentido profundo,
às vezes nenhum rumo

e ainda assim eram tudo.
Porque não precisavam chegar a lugar algum
para valerem a pena.

O tempo passava distraído entre palavras,
e o mais importante nunca foi o assunto,
mas o estar junto,
o silêncio confortável entre uma frase e outra,
a presença que aquecia.

Hoje, a saudade não cobra respostas,
só guarda esse lugar bonito
onde conversar era uma forma de permanecer.

Somos teimosos por natureza: inteligentes o bastante para compreender os ciclos, mas orgulhosos demais para aceitar quando o fim nos inclui. Negamos a própria finitude como se isso nos tornasse eternos. Mas é justamente o fim que dá peso à vida, urgência às escolhas e verdade ao que somos.

A morte é simplesmente o fim.
Ela não transforma, não conduz, não prepara.
É o encerramento total do ciclo,
o ponto em que nada mais se prolonga.
Não há caminhos ocultos,
nem sentidos posteriores a serem buscados.
A morte existe para fechar,
para afirmar que tudo o que tinha tempo
chegou ao seu término.
Reconhecer isso não é negar a vida,
é aceitar que todo ciclo
se encerra exatamente onde termina.

Somos os seres mais teimosos da face da Terra. Dotados de inteligência, consciência e linguagem, ainda assim insistimos em negar o encerramento dos ciclos. Aceitamos o fim das estações, das histórias alheias, das coisas, mas resistimos quando o ciclo fala de nós. Quando o fim nos inclui, quando aponta para a nossa própria vida, criamos ilusões de permanência.
Talvez porque admitir o fim seja admitir limites. E limites ferem o orgulho de uma espécie que se acostumou a se ver como centro, não como passagem. Mas a vida não é feita para durar, é feita para significar. O ciclo não se fecha como punição, mas como conclusão. O fim não anula o que fomos; ele sela o que deixamos.
Negar a finitude não nos torna eternos, apenas nos impede de viver com profundidade. É quando reconhecemos que o tempo é finito que cada gesto ganha peso, cada escolha ganha verdade, e cada amor deixa de ser adiado. O fim não é o oposto da vida. O fim é aquilo que dá valor a ela.

Seja raro pelo que habita dentro de você.
Pela forma como enxerga o mundo,
como trata o outro, como permanece luz
mesmo em dias nublados.
Tem gente que brilha por ostentação.
Mas há aqueles cuja luz vem da alma,
e esses, ah… esses são inesquecíveis.

Ele veio sem ruído,
belo como o silêncio que antecede a resposta.
Chamava-se Azzael,
e em seus olhos não havia fim,
apenas passagem. O seu rosto era igual ao meu.

Mostrou-me portas,
não eram de madeira,
eram feitas de tempo.
Algumas eu atravessei,
outras respeitei com distância,
porque nem toda lembrança pede retorno.

Nas portas que abri,
vi rostos que amei
e vozes que ainda moram em mim.
Vi os que partiram
não como ausência,
mas como presença amadurecida em saudade.
Cada entrada era um espelho:
não do que perdi,
mas do que me tornei.

E entendi, enfim,
que a morte ali não encerrava nada,
apenas organizava a eternidade do afeto. Ele partiu e eu perguntei se ele iria voltar, olhou para trás e sorriu igual ao meu sorriso e me disse que talvez, mas naquele momento por ele parecer comigo, senti que iria voltar.

Quando acordei,
as portas não estavam mais diante de mim,
mas continuavam dentro.