Coleção pessoal de katiacristinaamaro
Às vezes o amor só existe na ponta da caneta. No texto incompleto. No poema feito às pressas. Na música que toca repetidamente. Às vezes o amor é apenas lembrança. Às vezes, saudade.
Lenda
Fui além da lenda das montanhas
Onde habitam as águias esfomeadas
Plantei a semente no úmido solo
E esperei por chuvas abençoadas
Além, muito além do entendimento
Abrasei raízes entre as rondas
E entoei melodias afinadas
Beijei a boca da noite em suspiros
E, em suspiros, mordi o dia que raiava
Gestei por milênios o destino
Até vê-lo sucumbir por entre fráguas
Fiz-me lenda impoluta e eterna
Porque amei o amor como quimera
até faze lo mito de minhas eras
Reflexos e Reflexões
O espelho tal uma lâmina d'água,
Só reflete o que à superfície se apresenta,
A todo momento me indaga do interior,
Quais as imagens terei furtado dele.
Talvez não as tenha retido, enfim,
Quem sabe ainda não as construí.
São tão várias as minhas indagações,
Mil espelhos não poderiam refletir.
Há um vidro inerte para confundir.
Se sou eu do outro lado do espelho,
Diviso-me, tento adivinhar-me,
Mas não me traduzo em gestos,
A imagem não pode reproduzir.
Tamanha inércia faz refletir,
No frio vidro que me espia,
Impassível, sei que espera,
que um gesto meu denuncie,
segredados desejos em mim.
Talvez meus sonhos guardados,
Das histórias que não vivi.
Estiquei minha saudade
Até a ponta do infinito
Porém não aguentei
E soltei um grande grito
Sai andando sem rumo
Fruto Proibido
Mas na tua direção
Pois segui apenas
A bússola do meu coração.
Quando te encontrei
Fiquei ainda mais perdido
Pois meu sonho havia se tornado
Um fruto proibido
Desculpa a pressa com que penso
nos milímetros marginais do verso
e, como cão farejando antigos mijos,
dissimule o cio enquanto ponho as asas no poema.
Desculpa a obsessão pelo tutano das palavras,
mesmo as bem nascidas e cuidadas
como os seixos mais polidos.
Desculpa a caligrafia e a gramática,
sempre tão dorsais e tão patéticas.
Seriam Palavras
Seriam palavras, se as houvesse.
Se pudessem dizer mais, daquilo que importa.
Se com elas se construíssem ninhos para onde voássemos,
quais pássaros livres mergulhando ás alturas,
falhos de lógica, em quedas só nossas, ascencionais,
seguindo os caminhos secretos do instinto
e as vozes antigas no sangue grosso,
quando gritasse exigências.
Seriam passos, se ainda os houvesse por dar.
Ou se fossem ainda necessários
para chegarmos onde já estamos sempre.
Se houvessem ainda caminhos a percorrer,
e se, percorrendo-os, diminuíssemos duma vez
as distâncias e os medos que nos separam de nós.
Seriam passos–ferramenta escavando um futuro
numa falésia rochosa feita de outras dificuldades.
Mas são apenas os dias escoando-se desperdiçados,
deixando atrás de si uma fome especial feita de desencontros,
de mal entendidos que talvez temamos bem-entender,
e, neles, as palavras revelando-se insuficientes, soando ocas,
e os passos tornando-se caminhos sem rumos definidos,
desenhando pegadas em mapas fortuitos, num ladear de destinos.
Por isso ás vezes me desloco para um outro mundo, desenquadrado,
sem regras nem tempo medido, nem assinado embaixo,
onde procuro que não haja esperança excessiva nem mel a conta-gotas.
Um meio que seja um outro meio , talvez num tempo diferente,
onde quero as palavras como fortes mas singelas carícias,
e onde os gestos ecoem os adejos das asas brancas de criatura aladas,
ajoelhadas perante a missão primordial de serem felizes.
Um meio e um tempo “entre” , onde subsisto numa história crua,
e onde me escrevo em prazeres onânicos e simples
enquanto os momentos se revelam em concordâncias fantásticas,
onde a verdade, como uma pimenta, se acrescente á ficção e ao mundo.
Em redor sobram as cascas das horas terçadas como armas,
e as identidades desperdiçadas perambulando pelo Caminho.
Como um Fado.
Muna, Xeia...
Brilha prata luzida
Enquanto o sol dorme
Traga no silencio da noite
Sua beleza de mulher insinuante
Traga sonhos
Sem quizilas
Sem medos
Entra, surpreenda-me
Traga orações e poesias
As horas passam
O sol ainda dorme...
E seu fulgor invade
Aliviando meu amor
Que espera hiante
Noite azul
Balancê, achego
Volte sempre “xeia”
De amor, Muna!
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.
Delírio de amor
Quando na alta noite na amplidão flutua pálida lua com seu fatal esplendor... Não sabes, querido, que por ti suspiro e que deliro a suspirar amor!
É isso. Só queria ser amada. Só isso. Precisa casar comigo não, precisa me engravidar não. Basta me olhar assim, basta morrer de rir comigo. Basta me ler, me decifrar, ser intenso nesse minuto.
As vezes, é melhor pra alma, deixar os pés chegarem antes dos pensamentos. Não faz bem pensar tanto, nem se lamentar pelo que já fez ...
Enquanto houver Sorriso, Sonho e Fé eu vou continuar percebendo o colorido das pessoas e tentar esquecer seus tons de cinza.
Ela ainda está na sua quando: faz bico, manha, birra e finge um ar superior meio irônico.
Ela deixou de estar na sua quando: todas as alternativas acima não forem utilizadas.
Aí, meu caro, aguente o silêncio dela, pois é a única coisa que ela vai querer te dar.
Não me importo se você está de pantufa, tênis ou havaianas, o importante é que sua alma venha descalça, saltitante e sorrindo. Não, eu não exijo nada, nem quero parecer relutante ou atrevida. Eu quero que você venha sem esperanças frouxas, sem esperar o inédito ou o inacabado. Venha agora. O coração está limpo e a alma está lambuzada de gratidão. Eu quero entregar as tuas amarras nas mãos da paixão. Quero agarrar o que foi feito pra mim. Não importa se vai doer, se é bonito ou feio. É meu. Traga o que te destrói e junta aqui comigo, a gente aguenta qualquer coisa, porque juntos somos um só. Desafios? Quero todos, desde que você me carregue no colo quando meus pés cansarem de afundar.
Eu não sabia que a saudade incomodava, que o amor era tanto e que a vida doía.
Não sabia que a mágoa machucava, que a lembrança desbotava e que a aspereza enrugava.
Eu não sabia que o caminho era longo, que as pedras incomodavam e as curvas confundiam.
Eu não sabia que o silêncio torturava, o desejo salivava e a distância traria o esquecimento. Também não sabia que a ironia maltratava e que em todos os tempos o fingimento não tinha graça nenhuma.
Eu não sabia que a preocupação esquentava a cabeça, que a noite se afeiçoava com a solidão. Eu desconhecia sobre os interesses fúteis como praga que contaminava os dias. Isso eu não sabia.
Eu não sabia que o choro era sinal de fraqueza. Pensei que arejava a alma, em algumas situações. Não sabia que as mães eram heroínas, mesmo que os filhos nem se deem conta disso, nem que os pais fazem um esforço danado para parecem certos o tempo todo com seus sermões quilométricos.
Eu não sabia que a alma fica doente e o corpo padece com isso. Que o coração é lugar para dúvidas e a razão nunca é obediente.
Eu desconhecia o sofrimento como escada para a felicidade, que o medo fragilizava e que havia um abismo entre o sonho e a realização.
Eu não sabia que o universo conspira a favor de quem faz a sua parte. Que sorte é quase uma fábula e que o discurso só funciona quando é resultado de uma prática.
Não sabia que era preciso tanto esforço para viver em um mundo contraditório.
As palavras tentam desenhar sentimentos que tantas vezes não podemos explicar. São notas de melodias que a gente se alegra em ouvir. As palavras são como pássaros, que voam a procura de um lugar para viver. Meu peito vai explodir. Minha mente não para e me pergunto pra quê tentar escrever? Nem sei ao certo o que quero dizer. Acho que queria ouvir, por isso tento e não consigo. As palavras querem sair, mas forço-as a permanecerem em silêncio, no oculto... elas não encontram lugar para pousarem. A espera faz tudo ter o seu preço. Mas, a melhor parte dela é quando encontramos. Em meio as idas e vindas, perto dos sorrisos e das lágrimas. É na bagunça mesmo que a gente se acha, organiza e faz o convite. Amor é um lugar para dois. Vou pedir aos céus você aqui comigo para sempre!
Talvez nós ainda não saibamos, mas eu vou amar você. Talvez eu não perceba, mas eu vou adorar a sua companhia. Talvez você não tenha sentido, mas eu vou gostar de sentir você. Talvez eu nunca fale, talvez eu fale, ou então, talvez eu ache que é só amizade. Mas, entre as vindas e vindas, saiba que talvez eu seja tua. Mas todo mundo deveria ter um amor verdadeiro, que deveria durar pelo menos até o fim da vida da pessoa. Amor é planejar. Paixão é desmarcar todos os compromissos. Sorria. Você está sendo amado.
Nem todas as palavras do mundo conseguirão exprimir o que sinto por você, nem todos os segundos de inúmeras horas serão suficientes para estar ao seu lado. Quero mais eu. Quero mais você. Quero mais nós. Juntos. Unidos como um só. Como metades que se encaixam, se completam, e se bastam. Tenho em você o meu porto seguro. Você é minha paz, meus momentos felizes. E também meu jeito bobo de ser. Je t’aime.
Ame alguém que lhe faça enxergar que, apesar das curvas no caminho, sempre haverá uma saída e um colo quentinho pra lhe aconchegar. Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure. Que jamais passe essa sensação de ser a pessoa mais completa de todas ao seu lado. O amor só precisa existir para ser perfeito e eterno! Faça com que o seu relacionamento seja simples, verdadeiro e franco e ele se tornará perfeito.
