Coleção pessoal de JoniBaltar

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É assim que
eu quero estar contigo
a contemplar o nada
e atordoados pelo amor,
do nada, construímos
o nosso interno mundo.

Sinto este apocalíptico amor
cerzido em carne viva
no tecido transparente do osso
submetido a formas anatómicas
irremediavelmente inviolável.

Três coisas que
quero fazer contigo:
escrever no teu nu corpo,
ouvir os gritos dos teus poros,
e silenciá-los com a minha boca.

Há noites que, antes de adormecemos, dentro de nós chove imenso.

Por vezes, é importante escrever o que se sente, não adianta descrever, não se consegue. As palavras estão inertes.

A conversa mais intensa do mundo é: o abraço.

Há poemas, infinitamente, vivos, enquanto outros poemas são mortalmente publicados.

De caos em caos
vou até onde
a loucura me alcançar.
E aí construo um amor
à prova de lucidez.

Ouve o meu silêncio: é o barulho intenso do Amor.

Em mim mando eu, na minha alma manda o destino.

Porosidade

Fervilham as artérias da nossa cama
desvendam, morosamente, os nossos beijos,
inesperadamente, surge o hálito da manhã
e ouve-se o dia a salivar.

Ser simplesmente feliz é: aumentar o volume ao Amor e embrenhar-se na Natureza.

A maior parte da humanidade vive, constantemente, com o coração fora de serviço.

Quando mergulhar no Universo espero conseguir vir frequentemente à superfície.

Há lugares que fazem respirar o meu coração e suspirar a minha alma.

A desintoxicação da alma diminui a obesidade da escuridão.

O maior segredo da Vida é: viver muitas vidas dentro de uma só Vida.

A ignorância racional é isto: animais racionais quando não gostam de outros animais racionais, denominam-nos de animais irracionais.

São tantas as vezes que os meus olhos te dizem: amo-te, e tu não escutas.

De pétala em pétala, epidermicamente, chego à primavera do teu beijo.