Coleção pessoal de JoniBaltar

641 - 660 do total de 2248 pensamentos na coleção de JoniBaltar

Balada do Teu Abismo

Quando mergulho
na profundidade
das tuas lágrimas
vejo as marés vazias
ouço o mar das tuas artérias
nessa viva e rutilante maresia
gotejam os descalços poentes
nas agitadas marés do teu rosto
onde a textura do amor desliza.
Sob o clarão telúrico
afixo a minha fervente âncora
à balada do teu abismo.

A Vida Inteira

A vida passa tão rápido
que, por vezes,
deixamos escapar
aquilo que o coração
e a pele,
a vida inteira
não conheceram.

Manhãs Nutritivas

As manhãs mais nutritivas
para o meu coração
são quando eu: pequenoalmoço-te.

Aceitas ficar comigo, não para sempre?
Ficaremos somente uma vida de cada vez.

Abril, Abrilão
de manhã no janelão
à tarde no cadeirão
e à noite zapear
na puta da televisão.

Ordinary souls belong to the cities; Deep souls belong to nature.

Onde é que o teu coração estava
antes dos teus olhos
começarem a escorrer Amor em estado líquido?

Paciência e perseverança universal iremos descoroar este maldito vírus da Humanidade.

Acredita no teu lado selvagem.

A certeza do Amor é: o coração encontrar alguém que nunca procurou.

O meu dia só começa
depois do teu beijo.

A forma de
beijar-te em
pensamento:
escrever.

Desjejum Virginal da Poesia



A metodologia de braços abertos
anota a edição narrativa do silêncio
pautando-se pelo som das ideias.

O desjejum virginal da poesia
alimenta-se dos meus dedos
e do prurido dos meus pensamentos.

O estrume das amórficas palavras
arranha o suor ébrio da memória
e aconchega-se ao sintético sonho.

A urgência de transbordar o Sol
ultrapassar os limites do Amor
para sentir o peso da inexistência.

Alcançámos as Nossas Almas

Faremos um poente
numa porção de mar
e de braços abertos
deixaremos entrar a canção
desenhada no alaranjado céu.
O luar de boca aberta
narra a melodia das amoras,
deitados na cristalizada areia de jasmim
os nossos desnudados corpos
amaram-se até as estrelas adormecerem
e entre o céu e a terra
alcançámos as nossas almas.

Se Pudesse Estar Dentro do Poema

Se pudesse estar dentro do poema
apagaria a vegetação rochosa
que alimenta o meu caminho.
Ouviria a canção anárquica do vento
a soletrar o íntimo alecrim dos versos.

Se pudesse estar dentro do poema
inalaria os reflexos do teu perfume
esquecidos na polpa estanhada do luar.
Dedilharia os acordes derramados do mar
no solfejo telúrico das aves.

Se pudesse estar dentro do poema
naufragaria nos porosos cristais da tua pele
beijaria o subúrbio umbilical das tuas palavras.
Resvalaria no declive das diluídas metáforas
e não seria o que sou: um poeta sem poema.

Somente Tu e Eu

Somente tu consegues
ver as minhas tempestades.
Somente tu consegues
ouvir o meu silêncio.
Somente tu consegues
decifrar o Amor.
Somente tu e eu.

Tenho sede: quero um gole da tua presença.

Pelos Subúrbios da Poesia

Numa perpendicular
às minhas artérias
corre o teu beijo
a pestanejar no meu peito.

Pelos subúrbios da poesia
as minhas mãos
escrevem às escondidas de mim
o estômago vazio duma cama.

No vácuo de uma vaga tempestade
sob o céu-da-boca da suspensa chuva
desperdiço-me numa nuvem monocórdia
como se fosse um alfabeto estilhaçado.

Mãe

Pelo exercício da vida
o mais assertivo foi
o teu caloroso colo.
Mãe é uma obra infinita
é um coração que absorve
toda a dor que surja aos filhos
mastiga-a e guarda-a na alma.
Esse ventre que me amparou
lançou-me à incessante vontade
de viver e à constelação do sonho.
Minha querida Mãe és a recompensa
em todas as minhas horas incertas.
Recolhes as minhas lágrimas
nas janelas do teu olhar
e sequestras o meu choro.
As tuas mãos afagam a face
do filamento paralelo aos dias.
Mãe, guardo no meu peito
o punhado de paz e sorrisos
que sorvi umbilicalmente.
Encerras as minhas feridas
com as tuas sábias palavras.
- Amo-te em todas as contrações
que desaguam: no mundo que me fizeste.

Pai

Pai consola-me no teu abraço infinito
cede-me uma pequena quantidade de esperança
quero iluminar este escuro cravado pela espada
do desespero dos meus sentimentos.
Pai ensina-me a tua força blindada de vida,
resgata a minha paz perdida na infância.
Todas as tuas lições vão sorvendo os meus trilhos
Pai tenho impregnado nos meus sentidos
as recordações: felicidade que depositaste no meu peito.
Pai, daqui a pouco, dar-te-ei aquele abraço
que faz sorrir as tuas retinas cansadas pelo tempo.
Hoje, sentindo os efeitos do vento, consigo desvendar
que solidão não é estar sozinho. – Amo-te querido Pai.
– Pai ajuda-me a amanhecer!