Coleção pessoal de IsabelMoraisRibeiro
Nos dias chuvosos, nas noites escuras.
Sinto algo obscuro dentro de mim.
Deve ser medo, que não tem medo.
Mais uma noite sombria.
Uma tempestade que me espera.
Descem os lobos da serra, dos montes.
Oiço uivarem de fome.
Sei que sentem o mesmo que eu sinto "medo"
O vento faz tremer as minhas janelas.
Os seus uivos de fome, causam-me compaixão.
Tenho uma admiração por lobos e muito respeito.
Por saberem conviver em matilha e na solidão.
Os lobos são livres, amam a sua liberdade.
Matam porque têm fome.
E nós somos escravos sem esperança.
Que devoramos a terra.
Matamos sem fome, por pura vaidade
Somos selvagens, sem dó...
Nem piedade.
Inimigos de nós próprios.
Egoístas, sem escrúpulos.
Neve lá fora, uivam os lobos
Descem a aldeia cheios de fome.
Pelas fragas, ribeiros e rios deste nosso Portugal.
Nós somos covardes.
Como uma matilha de ferozes solitários!
Encontro na tua sombra.
Quente do deserto.
A luz dos meus dias.
Na tua pele, a água do mar.
Na minha, a água do rio.
Onde desaguam.
Desaguam as águas da vida.
As lágrimas, guardam todas as águas
Das chuvas de alegria.
Os ventos escrevem na pele.
Como na ponta dos dedos.
O mais antigo sussurro.
Feitos de carícias e carinhos!.
Senhor
Protege-me sempre dos lobos.
Vestidos de cordeiros.
Que eu jamais perca a minha fé.
A minha esperança.
Que a justiça dos justos seja sempre feita!
Abrigo o meu pranto
Mudo de fragas
Florescem as giestas
As estevas, o jasmim
Lavo as insônias
No relento do orvalho
Das madrugadas frias
Onde chegam os murmúrios
Reflexos tumultuosos
Silenciosos e frenéticos
Onde perco-me nas encostas
Nas encostas de ti.!
Tu és o lobo que devora-me o corpo
O coração
A alma
Como o fogo que arde
Numa fogueira de pinhas
E de giestas
Os meus carinhos são teus
Tu és o lobo que me beija
Que acaricia o meu corpo
Tudo em mim hoje é selvagem
Aveludado e sem medo..
Deste chama e alento ao meu coração
És o Lobo que me cobre com amor
E caricias
O teu corpo é e será para sempre.
A minha fonte de água pura
Onde sacio a minha sede desta
Minha desvairada vontade
Rasga-me a carne
Devora-me por completo
Entrego-me a ti predador
Devorador de carne
Vasculho e abraço os nossos lençóis
Com esperança de te encontrar
Ainda sinto o teu cheiro
O aroma do suor na nossa cama
Amo o tua maneira despojada e sedutora
Tu és o lobo que acorda dentro
De mim o que está adormecido
Espero-te e não respiro até à próxima Lua.!
Alma perdida
Esquecida de dor
Condenada num abismo
De um desdém atroz.
Por que?
Não sei!
Quiçá o destino
Seja ou foi egoísta
Presa, sentenciada
A um amor cruel!
Fiel de ódio
Onde nós dois morremos
De um desdém cruel!
Quando um poeta escreve.
Pinta a alma de amor.
Dor
Saudade
Magia
Ilusão
Cria algo de novo.
Onde nasce dentro de cada um…
Descrevendo
Imaginando
Esquecido
Escuto respiro cada segundo.
Por alguém encontrado...
Imaginado
Perdido
Nos pensamentos assombrosos.
Escritos
Rasgados no vento das memórias!
Aqui está um homem que ama a sua poesia.....
Como ama os lobos.....e a beleza da natureza.....
Sempre que cai a noite e é hora de recolher o gado.....
As cabras ...as ovelhas...as vacas para o curral.....
Hoje o pastor teme contar menos cabeças de gado....
Que encaminhou para os prados....lameiros......
Uivam os lobos nas tardes vazias......
Nubladas cheias de neblina.....
O pastor procura o seu cão e a sua matilha. . .
A alcateia anda a atacar os rebanhos e a assustar....
Eles têm fome...quem lhes pode negar....negar alimento....
Os habitantes da aldeia que ameaçam
Violar a Lei e matar os lobos.....
Não é novidade ......
Afinal eles já os matam...e ficam escondidos e mortos....
Isto não pode continuar assim...... dizem os aldeões....
Esquecidos os lobos....com os dentes estraçalham a poesia.....
A carne fresca do gado...onde nunca houve.....nem haveria de haver...!!
Talvez eu nunca edite um livro.
Um livro.
Onde, cada um escreve o que bem lhe apraz.
Desde as memórias felizes, às mais tristes.
Onde as lágrimas, sorrisos, dores e mágoas...
São e serão sempre convidados muito especiais.
O mundo é feito de livros, muitos livros
Milhões deles, uns bons, outros maus.
Uns mais pequenos, outros maiores.
Livros mágicos de um leitura simples
onde nos agarramos as suas historias, delirados e encantados
Afinal a mais bela a ser escrita será sempre a nossa
A história mais importante, é a que se escreve num livro
É chamado de vida, é a nossa história.
É o que faz sermos tudo aquilo que somos.
Porque não há nada como voltar atrás e lermos aquilo que nos recorda mais.
Aqueles momentos mais marcantes.
Que vale a pena ler e reler as vezes que se quiser.
Nem toda a gente tem a facilidade e a oportunidade de escrever um livro.
Talvez eu nunca edite, ou talvez edite, só Deus sabe.
Hoje com sorriso escrevo poemas, textos, de memórias e recordações!
Sinto a chuva a cair.
Sinto...
Sinto o meu corpo.
A minha alma.
A flutuar no vazio.
No vazio da noite.
Esquecida.
Com ela as letras perdidas.
Palavras feitas em poemas.
Escritas num livro.
Num livro branco.
De diversas cores.
Disfarçado de amores ou desamores.
Lá fora cai a chuva, onde molha as flores.
Molha os nossos pensamentos.
Fazendo-nos sonhar.
Amar
Sentir
Os pingos da chuva batem...
Nos vidros da janela
Cá dentro sentados à lareira.
Tu e eu.
Abraçados aquecemos os nossos corações!
Rosas....
Rosas de todas as cores...
Amo todos elas.....
Perfumadas......
Pétalas de sonhos......
Espalhadas no quarto.....
Aroma...cheiro feito de desejo por ti....
Só por ti.....
Dos teus gestos.....
Do teu olhar...
Das tuas carícias..
Perdi-me no turbilhão de químeras.....
Sou como uma alma feita de palavras...
Silêncios..... sons... sonhos…
Pensamentos…momentos...
Sentidos... desejos… delírios…
Perfumes…sensações…
Se alguem dizer que morri...
Talvez tenha partido....
Para locais que guardo na alma......
Pesa-me os versos como pedras...fragas....
Feitas em emoções que eu vivo ou vivi.....
Águas revoltadas......
De ternura....
Palavras ditas ou por dizer...
Noites de silêncios marcados apenas pelo olhar...
Rasgados pela dor...
Ou pela gratidão....
Paisagens.....
Rosas de um jardim.....
Deixadas aqui no meu recanto da alma...
Onde tu és o meu porto de abrigo....
E deixas as minhas sensações em silêncio.!!
Dizem que os poetas são solitários....
Talvez sejam....
Talvez não...quem sabe.....
Caminham nas palavras...
Nos desencontros do mundo....
Calabouços de dores iluminadas.....
Albergadas na eternidade do tempo....
Pedras.......fragas....
Onde as palavras germinam flores....
Flores belas.....
Perdidas no deserto da alma.....
Silêncios escondidos...
Máscaras sem existência....
Palavras deitadas ao vento...
Pelos dedos .......
Da mão....onde morro.......
E renasço nas cinzas...
Cansada escondida.......
De luzes iluminando recantos...
Escuros.......profundos.....
De medo.
Penumbra de pranto
Nas margens de um poema...
Escrito com dor ...e alento.....
Na perfeição..
Da mente...às vezes...
E tantas vezes perversas...
Espelho de retalhos........
De um corpo confuso....
Construido e ancorado...escrito.....
Na magia de uma dor...de um lamento...
De murmúrio.....
Onde me pedem a perfeição das palavras..
Dizem que os poetas são solitários....
Na perfeição das palavras.....
Talvez sejam....talvez não...quem sabe.....!!
Meu amor
Devolve-me a minha alma.
Que a perdi.
Com ela a alegria.
Os sorrisos.
Os sonhos.
Doem-me os olhos.
Deste pó.
Devolve-me.
Talvez uma lágrima.
Apenas uma.
Por favor meu amor.
Já não tenho mais sal.
Nem água cristalina nos meus olhos.
Para chorar e...
Aliviar a minha dor.
Devolve-me o meu coração.
Que está seco.
Como o sal da minha boca.
Das saudades.
Do teu carinho.
Dos teus beijos.
Que correm como um rio selvagem.
Devolve-me o perfume das rosas.
Aroma suave.
Dos nossos corpos suados!
Dia de sol, quase dia de verão.
Vento suave, cor perfeita.
Manhã quente, brisa leve.
Cheiro de maresia que entra pela janela do carro.
As horas correm e eu ignoro os ponteiros.
As crianças estão felizes, alegres.
Gostam tanto de praia.
Querem aproveitar cada pedacinho desta manhã.
Daqui a pouco os nossos pés pisarão na areia da praia.
A manhã passa depressa, as crianças estão felizes.
A tarde chega de mansinho trazendo a beleza de uma quase segunda-feira!
Cruzámos.
Os nossos olhares cúmplices.
Falámos muito, mas...
Talvez não me recorde do quê.
Senti o teu olhar.
Como o calor dos nossos corpos.
Onde crescia o desejo.
Desejo natural.
Tornámo-nos murmurantes...
Nos silêncios
Nos gestos
Nos sentimentos
Sentados no escuro do quarto.
Olhámo-nos sem maldade.
Recordámo-nos onde que nos conhecemos.
São ermos os nossos caminhos.
Com luar
Com rosas
Noites silenciosas
Com calor
Apesar de tudo...
Estávamos vivos e apaixonados.
Dormimos com a noite.
Falámos
Amámos
Sonhámos
Mesmo que eu não diga nada.
Mesmo que nunca perguntes nada.
Estarás sempre arrependido.
Por não teres confiado...
Confiado o teu corpo...
Ao meu.
E haverá sempre café quente.
Flores na mesa e na tua xícara.
Que seja infinito o que nos faz bem.
As saudades não fiquem nas memórias.
Como um navio atracado no cais.
Sem rumo, sem comando.
Negando em tempestades, por mares de saudades!
Escrevi o tempo.
Escrevi para ti
Desenhei o silêncio.
Desenhei para ti.
Escutei o silêncio.
Que acalmou o mar.
Rasguei o silêncio.
Em tempo para ti
Para que o silêncio.
Se faça escutar.
Desenhei o tempo.
Feito em silêncio.
Escutei a melodia.
Desejando o silêncio.
Desenhei o tempo.
Numa folha em silêncio.
Joguei ao vento.
No silencio do tempo!
O medo
Está nas nossas mentes.....
Que nos controla o tempo todo...
Acorrentadas no corpo...
Onde somos insanos...
Maldosos...
Pobres....
Doces....inocentes....
Destruidores...
De um doce sacrifício....
Afogo a minha dor perdida....
Num sonho....
Numa escuridão...
Durmo para morrer...
Apagando o silêncio...
Cinzas ardentes.....
Que escurecem o dia..
Onde sobrevivem todos os meus erros......
Sou coisa pouca ....
Talvez pobre....
Testemunho quem vive para me destruir....
Noites ofuscantes........
Vento rodopiando...
As folhas soltas da tempestade...
Mortas...
Caídas...
O medo está nas nossas mentes.....
Que controla o tempo todo...!!!
Momentos de amar...
Onde a tempestade aperta....
Vento que sopra...a folha que cai...
O momento que fica...a solidão supera.....
As lágrimas da chuva......invadem a rua...
Caminho de pedras...por do sol a janela
Melodia dos pássaros... perfume da brisa....
De voar nas ondas.....de um oceano deserto....
Sabor a sal......dos beijos esquecidos.!!
Transformaste
O meu respirar lento.
Lento e silencioso.
Nas brumas da saudade.
Nos prantos da dor.
Onde olhamos para tudo.
Tudo o que parece ser possível.
Possível ou impossível em estranhos lugares.
Permanentes sombras claras ou escuras.
Escuras de traços, de sorrisos.
Felizes todos aqueles que se amam.
Seja de noite ou dia.
Abrindo o coração à vida.
Aos sonhos.
Fora dos labirintos do crepúsculo.
Segurando nas mãos a lua.
As estrelas.
Transformando o dia ou a noite.
Em paixão e amor!
